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Remédio para emagrecer vicia? Como funciona e quais os efeitos colaterais?

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Cada tipo de medicamento atua de uma forma no controle da obesidade Imagem: iStock

Renata Turbiani

Colaboração para o UOL VivaBem

2018-11-27T04:00:00

27/11/2018 04h00

De acordo como dados do Ministério da Saúde, quase um em cada cinco brasileiros (18,9% da população) é obeso e mais da metade das pessoas do país (54%) está com excesso de peso.

A obesidade é reconhecidamente uma doença crônica --porta de entrada para outras enfermidades, como pressão alta e diabetes -- e tem múltiplas causas, como predisposição genética e estilo de vida. O problema não tem cura, mas controle sim --que deve começar com reeducação alimentar e prática regular de atividade física. 

Tendo em vista que o excesso de peso é uma doença e nem todos conseguem emagrecer com mudanças na rotina, o uso de remédios para perder peso acaba sendo uma alternativa válida para combater esse mal. Mas quem pode usar e quando os medicamentos devem ser adotados como estratégia para tratar o problema? 

Segundo Walmir Coutinho, professor e diretor do departamento de medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), remédios para emagrecer são recomendados para adultos com índice de massa corporal (IMC) igual ou maior que 30 --ou de 27 para cima em pessoas com comorbidades associadas, como diabetes, hipertensão arterial, colesterol elevado e disfunções osteomusculares (que prejudicam os movimentos e a locomoção).

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O médico Rogério Friedman, membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), acrescenta que os remédios para emagrecer devem ser vistos como parte de um programa de gerenciamento de peso para quem de fato precisa. "O principal é treinar o paciente para que ele adote uma rotina mais saudável. O medicamento seria empregado apenas quando não se consegue o resultado esperado com dieta e atividade física", diz.

Categorias de remédios para emagrecer

Atualmente, existem no Brasil quatro remédios formalmente indicados para o tratamento da obesidade e aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Entenda como cada um funciona:

1. Sibutramina

Atua no sistema nervoso central, especialmente sobre os neurotransmissores noradrenalina e serotonina, gerando a sensação de saciedade e ajudando a controlar a fome. 

Efeitos colaterais: entre as implicações colaterais da sibutramina estão aumento da pressão arterial e da frequência cardíaca, ansiedade, insônia, sensação de boca seca e dor de cabeça.

2. Liraglutida (Saxenda)

É o único remédio para emagrecer injetável (as outras são administradas via oral). Essa medicação possui efeitos múltiplos. Segundo Priscila Cukier, endocrinologista do Hospital Santa Catarina, ela opera tanto no sistema nervoso central quanto no aparelho digestivo. "Trata-se de um análogo de GLP-1, hormônio que ajuda a reduzir a motilidade do estômago (fazendo com que demore mais para ser esvaziado) e potencializar a secreção de insulina. Isso aumenta a saciedade e faz com que a pessoa coma menos", explica. 

Efeito colateral: o inconveniente mais comum é náusea.

3. Lorcaserina

Apesar de aprovado, ainda não está disponível no mercado nacional. Assim como a sibutramina, trabalha com a serotonina, mas apenas no receptor do tipo 5HT2C. Localizado no hipotálamo, região do cérebro responsável, entre outras coisas, pelo controle da ingestão de alimentos, esse remédio para emagrecer regula o apetite e a sensação de saciedade.

Efeitos colaterais: dor de cabeça, náusea e constipação são os problemas geralmente relatados por que usa a substância.

É importante entender que qualquer medicamento pode provocar efeitos indesejados, e com os emagrecedores não é diferente. Por isso, o usual é que os remédios para emagrecer sejam prescritos inicialmente em uma dosagem pequena.

"Vamos ajustando com o tempo, dependendo da tolerância do paciente e da intensidade dos efeitos colaterais, que, normalmente, desaparecem com o uso", fala. "Se isso não acontecer, e também se o fármaco não der resultado em poucos meses, trocamos para um de outro tipo", explica Cukier.

4. Orlistate 

Conhecido pelo nome comercial Xenical, age reduzindo em até 30% a absorção de gordura no intestino. Com isso, impede que o organismo armazene parte da gordura consumida, eliminando-a pelas fezes.

Efeitos colaterais: os mais notórios são gases e diarreia. Para evitar desconfortos, durante o tratamento com a droga é preciso seguir à risca a dieta prescrita pelo especialista e consumir entre 30% e 40% menos gordura do que habitual. O remédio ainda pode aumentar as chances do surgimento de cálculo biliar (pedra na vesícula). 

Remédio para emagrecer vicia?

É preciso destacar que, ao contrário do que muita gente pensa, os remédios para emagrecer atuais não viciam. Isso é um mito.

"O que acontece é que, pela obesidade ser uma doença crônica, é preciso fazer uso deles por longos períodos. Quando o paciente para de tomar, a doença volta a se manifestar com intensidade", comenta Durval Ribas Filho, médico nutrólogo e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran). 

Contra a discriminação

Apesar de considerados seguros pelos especialistas consultados, desde que respeitado o perfil do paciente e utilizados nas doses certas e com acompanhamento adequado, os remédios para emagrecer ainda são vistos com ressalva por parte da população --e até da comunidade médica. 

Para Friedman, um dos principais motivos é justamente a questão de gerar ou não vício. "Os primeiros remédios contra obesidade eram da família da anfetamina, que podiam, sim, causar dependência e efeitos colaterais perigosos. A partir daí se construiu um cenário de desconfiança e preocupação que permanece."

Outro ponto é a frustração mediante o uso. "Mesmo os melhores medicamentos podem não ser 100% eficazes nem funcionar para todo mundo. O problema é que muitos pacientes depositam neles todas as suas expectativas e deixam de se comprometer com a dieta e a atividade física. Aí, quando não percebem resultados, acabam se desmotivando e culpando o remédio."

Ribas Filho aponta, ainda, o fato de os remédios para emagrecer não poderem curar a obesidade. "Isso acaba desanimando os pacientes. Mas é um erro desistir de tomá-los porque, quando não tratada, a doença desencadeia vários outros males. É um efeito dominó."

Por fim, Coutinho cita o preconceito com a própria obesidade. "Muita gente ainda acredita que o obeso não emagrece por falta de vontade ou por preguiça, mas não sabe da complexidade da doença e do tratamento. É preciso mudar essa mentalidade e estar aberto para todo tipo de ajuda disponível", conclui. 

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