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Estudo clínico testa aplicativo para prever níveis de açúcar no sangue

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Imagem: iStock

Do Jornal da USP

29/11/2018 15h15

Um aplicativo para telefones celulares capaz de prever os níveis futuros de açúcar no sangue (glicemia) é desenvolvido pela startup GlucoGear, em parceria com a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP. Para auxiliar a empresa na criação do aplicativo, a FMRP realiza um estudo clínico com portadores de diabete no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HCRP), acompanhando os níveis de glicemia e a influência exercida pela alimentação e a atividade física. O app, que deverá estar disponível ao público no final do ano que vem, ajudará a prevenir complicações como excesso de açúcar no sangue (hiperglicemia) em diabéticos.

A GlucoGear faz parte do programa de aceleração da Sevna Startups, mantido pelo Instituto Sevna no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto. "O objetivo é entender a variabilidade glicêmica, principalmente o quanto os alimentos ricos em proteínas, gorduras e carboidratos, além da atividade física, influenciam nessa variação", afirma a professora Maria Cristina Foss de Freitas, do Departamento de Clínica Médica da FMRP e coordenadora do Ambulatório de Diabetes do HCRP, que atua como consultora do projeto. "A pesquisa busca fornecer recursos para que a startup desenvolva um software capaz de fazer a predição da glicemia".

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No Ambulatório de Diabetes do HCRP são acompanhados 40 portadores de diabete, 20 com o tipo 1 e 20 com o tipo 2. "Durante um mês, por meio de dispositivos colocados no corpo dos pacientes, são monitoradas continuamente a glicemia e a atividade física", afirma Maria Cristina. Em um aplicativo desenvolvido pela startup, os participantes do estudo fazem o registro da alimentação e das medicações. "Essas informações ajudam a pessoa a ter um controle da evolução da glicemia, das condições alimentares e ajudar na decisão da dose a ser aplicada de insulina, no caso dos portadores de diabete tipo 1".

Os dados obtidos no estudo clínico servem de base para a equipe multidisciplinar da GlucoGear desenvolver um algoritmo (formulas matemáticas) que possa prever a glicemia. "O algoritmo utiliza recursos de inteligência artificial e modelos matemáticos. A ideia é que ele seja usado para calcular a glicemia futura, ou seja, em que nível estará dentro de algumas horas, a princípio", destaca a professora. "Desse modo, o paciente poderá prevenir tanto a queda quanto uma elevação indesejável, evitando complicações agudas (hipoglicemia e hiperglicemia)."

Aplicativo

Os responsáveis pelo projeto pretendem integrar a plataforma do aplicativo com sensores de glicemia e smartwatches. Também será criado um portal de acesso para profissionais e pacientes com relatório médico pronto para análise em consulta, facilitando e agilizando o tempo de atendimento do médico.

"Pretendemos disponibilizar o aplicativo e o portal no final de 2019 e partir para uma nova fase de validação científica, via estudo clínico de avaliação de eficácia e segurança, bem como uma avaliação de economia em saúde que a plataforma pode gerar", afirma Yuri Matsumoto, fundador e CEO da GlucoGear. "Para cumprir tal meta, no próximo ano terá início uma nova rodada de captação de investimento para financiar os novos desenvolvimentos e objetivos."

Sediada em São Paulo, a GlucoGear é acelerada pelo Sevna Startups, em Ribeirão Preto. O Sevna Startups é um programa de aceleração de startups mantido pelo Instituto Sevna e integra o Global Accelerator Network (GAN). Em operação desde 2015, o Sevna Startup promoveu cinco ciclos de aceleração completos e iniciou o sexto programa, do qual a GlucoGear faz parte, no último dia 8 de outubro. O Sevna possui um portfólio de 27 startups, com valor estimado em R$ 56 milhões.

A sede do Instituto Sevna está localizado no Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto (SP), responsável por atrair e reter empresas tecnológicas, em especial nas áreas de saúde, biotecnologia, tecnologia da informação e bioenergia. O parque é mantido por um convênio entre a USP, Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo.

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