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Pessoas com diabetes podem fazer qualquer tipo de exercício físico?

Arquivo Pessoal
Emerson Bisan, 44 anos Imagem: Arquivo Pessoal

Marcelle Souza

Colaboração para o VivaBem

2018-06-21T04:00:00

21/06/2018 04h00

Aos 44 anos, Emerson Bisan já completou mais de 80 maratonas, feito admirável ainda mais diante de um detalhe da sua rotina: além dos cuidados e da dedicação de qualquer atleta, ele precisa monitorar a glicemia várias vezes ao dia. Bisan foi diagnosticado com diabetes tipo 1 em 1995 e, logo depois, decidiu começar a se exercitar.

“Eu nunca fui atleta de nenhuma modalidade, mas passei a gostar da corrida e perceber os benefícios para a minha saúde”, diz. Mais de 20 anos depois, virou treinador de corrida e ultramaratonista, além de servir de inspiração para quem, como ele, convive com a doença. Mas será que Bisan é uma exceção? Pessoas com diabetes podem fazer qualquer tipo de esporte e alcançar um alto rendimento?

Segundo a SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), qualquer atividade física, recreativa, laborativa ou esportiva pode ser feita pelos diabéticos.

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O médico endocrinologista Rodrigo Lamounier, membro do departamento de atividade física da SBD, lembra que, há 20 anos, muitos especialistas não recomendavam a prática de exercícios intensos para esses pacientes, conselho que hoje é tratado como um absurdo.

Arquivo Pessoal
Emerson Bisan na maratona de Nova York Imagem: Arquivo Pessoal
“No passado, era dramática a questão da hipoglicemia e tivemos atletas que chegaram a ter crises convulsivas durante maratonas. Mas hoje, com acesso a novos conhecimentos, sabemos que as pessoas com diabetes não só podem, como devem fazer exercícios e têm pleno potencial para isso”, diz.

A nova diretriz defende que os efeitos positivos da atividade física são importantes tanto para quem tem diabetes tipo 1 (quando o corpo não produz insulina) quanto para os diagnosticados com o tipo 2 (em que o organismo cria resistência ao mesmo hormônio).

Apesar disso, pessoas com diabetes precisam ter cuidados específicos durante a prática, que vão desde a necessidade de andar com identificação até o uso de calçados confortáveis, especialmente por conta da diminuição da sensibilidade nos membros inferiores.

Diabetes tipo 1

Para quem tem a doença, o benefício de uma prática regular são os mesmos de que não tem a doença: controle do peso, prevenção de doenças cardiovasculares, melhora do condicionamento físico, entre outros.

Como não produzem insulina, o maior risco associado à prática exercícios por diabéticos tipo 1 é a hipoglicemia --que pode gerar desmaios e até convulsão. Para evitar esses episódios, que acabam desanimando os aspirantes e atletas, o monitoramento da glicemia é o ponto mais importante e deve ser feito antes, durante e depois da prática.

Esse cuidado é essencial especialmente na fase de adaptação ao exercício, o que inclui todas as vezes em que houver mudança de tipo, duração ou intensidade do treino ou de uma nova rotina alimentar. Além disso, o monitoramento durante a prática é indispensável por quem passa mais de uma hora na academia.

Em caso de queda dos níveis de glicemia, recomenda-se que a pessoa tenha sempre por perto carboidratos de rápida absorção. “Pode ser uma colher de sopa de açúcar, 200 ml de suco de laranja, cinco sachês pequenos de mel ou uma banana, dependendo do tamanho”, indica o endocrinologista.

Outro cuidado é conhecer bem a insulina utilizada, para evitar se exercitar no seu pico de ação. Isso porque o hormônio, somado aos efeitos da atividade física, pode acabar causando uma hipoglicemia. Em alguns casos, os médicos recomendam a redução da dose na refeição anterior ao treino.

Além disso, evite aplicá-la em um local que será muito exigido durante o exercício, o que pode afetar a absorção da insulina pelo corpo. “Desde que a glicemia esteja bem controlada, a gente pode ter ótimos resultados, e aí a menor dificuldade vai ser o diabetes”, afirma Bisan.

Diabetes tipo 2

Segundo dados do Ministério da Saúde, o diagnóstico de diabetes cresceu em 61,8% em dez anos: passando de 5,5% em 2006 para 8,9% da população em 2016. O número serve de alerta porque 90% desses pacientes têm o tipo 2 da doença, que está associado a sedentarismo, obesidade, má alimentação e histórico familiar.

Nesses casos, o exercício faz parte do tratamento e o maior desafio é mudar os hábitos dos pacientes. Em uma publicação conjunta na revista Diabetes Care, o Colégio Americano de Medicina do Esporte e a Associação Americana de Diabetes disseram que a prática de exercícios reduz em 58% o risco de diabetes.

Por outro lado, o texto defende que atividade física é essencial para o controle da doença, já que estão comprovadas melhorias na ação da insulina e redução dos índices de colesterol e triglicérides no sangue. “Se no diabetes tipo 1 o problema é a hipoglicemia, no tipo 2, são os fatores associados, já que essas pessoas costumam ter colesterol alto, hipertensão arterial e maior risco cardiovascular”, diz o médico da SBD.

Como montar o treino?

O primeiro e mais importante passo é escolher um exercício que você goste. “No meu caso, eu escolhi a corrida, porque não importa onde estiver, posso praticar. O seu tênis é sua academia, não precisa de profissional, equipamento ou estrutura específicos e isso ajuda a transformar a prática em rotina”, diz Bisan.

Quem ainda não tem condicionamento físico para tanto, pode começar com uma caminhada, hidroginástica, natação ou musculação. Se você já é adepto e quer potencializar a sua prática, saiba que o ideal é que o treino associe exercícios aeróbios, de fortalecimento muscular e de flexibilidade.

De acordo com as recomendações da SDB, os aeróbios podem ser prescritos tanto de forma contínua quanto intervalada. Isso significa que diabéticos, de modo geral, estão aptos a fazer tanto uma atividade moderada de 30 minutos de bike quanto um treino curto de HIIT (treino intervalado de alta intensidade), por exemplo. 

Já os exercícios de fortalecimento, como a musculação, devem ser incluídos no plano de atividades desses pacientes porque, segundo a SDB, “provocam elevação da sensibilidade da insulina de maior duração, mediado também pelo aumento da massa muscular”.

Movimentos como alongamento, pilates ou ioga, por sua vez, ajudam a melhorar a flexibilidade, reduzida nos diabéticos por conta dos efeitos da doença sobre as articulações.

Para atingir bons resultados, a SDB recomenda atividade aeróbia diária ou pelo menos a cada dois dias. Já os de fortalecimento podem ser feitos duas ou três vezes por semana. Quanto à duração, o ideal é que sejam 150 minutos de exercícios moderados ou 75 minutos de atividades de alta intensidade por semana. 

Dicas importantes para quem deseja treinar

  • Procure praticar algum exercício todos os dias, de preferência no mesmo horário;
  • Carregue sempre um cartão de identificação (com um nome e telefone de emergência) e informe colegas e professores que você tem diabetes;
  • Se tem diabetes tipo 1, sempre carregue um tipo de carboidrato de rápida absorção (balas, sucos, soluções isotônicas, mel);
  • Verifique com o seu médico a necessidade de reduzir a dose de insulina utilizada antes do exercício;
  • Escolha roupas, equipamento e calçados esportivos confortáveis e adequados para prática para evitar lesões.

Doenças associadas

Alguns exercícios, no entanto, não são recomendados caso paciente apresente retinopatia diabética (doença que afeta vasos da retina), perda de sensibilidade tátil, térmica e de dor, nefropatia (doença renal causada pela diabetes) ou lesões vasculares.

Nesses casos, pode haver limitação quanto à frequência, intensidade, cargas e tipo de movimento, e por isso é importante consultar o médico antes de iniciar a prática. 

“Exercício na água é sempre recomendável, porque há um menor impacto nas articulações, evita traumatismos nos membros inferiores e diminui os riscos de queda. Ao mesmo tempo, você tem um bom gasto calórico, mantem a massa magra e melhora a atividade cardiopulmonar”, explica o médico.

Para fazer uma boa escolha, é importante realizar avaliações periódicas, incluindo cardíaca, vascular, autonômica (sistema nervoso), renal e oftalmológica. Esses exames vão servir como um termômetro para que médico, nutricionista e educador físico trabalhem em conjunto para indicar a melhor conduta e qual é o exercício mais recomendado para cada paciente.

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