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Ansiedade e depressão podem ocorrer ao mesmo tempo?

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Imagem: iStock

Amanda Massarana

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-05-09T04:00:00

09/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Por mais que as pessoas achem que ansiedade e depressão são opostos, esses dois quadros podem coexistir
  • Não há regra: a depressão pode levar à ansiedade e vice-versa, mas pode ser difícil identificar de cara que ambas estão juntas
  • O ideal é buscar ajuda especializada e ficar de olho nos sintomas dos dois problemas

A ansiedade e a depressão são problemas distintos, cada um com suas próprias características, e muitas vezes são até considerados opostos. Porém, na realidade, essas duas condições podem, sim, coexistir em uma mesma pessoa. Fato é que tanto a ansiedade quanto a depressão envolvem comportamentos que atrapalham muito a rotina, gerando um alto prejuízo social, profissional e nos relacionamentos interpessoais de forma geral.

Ansiedade e depressão juntas: como começa?

Mas, afinal, a ansiedade leva à depressão ou é o contrário? Não há como saber exatamente. "Muitas vezes os sintomas acontecem simultaneamente e a relação entre eles pode não ser tão simples de ser identificada", afirma o psiquiatra Fernando Fernandes, do Instituto de Psiquiatria do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

Para tentar traçar esse caminho, o psicólogo André Rabelo, pesquisador de pós-doutorado da UnB (Universidade de Brasília), traz o exemplo de uma pessoa com depressão. Esse quadro gera uma situação de falta de controle, porque a pessoa se vê triste, sem energia e, mesmo tendo motivos para fazer o que precisa, ela não tem ânimo. Ao passar muito tempo assim, pode-se gerar uma angústia tão grande que pode levar à ansiedade.

Da mesma forma, uma pessoa com ansiedade que sofre muito com preocupações excessivas, acaba pensando obsessivamente em uma mesma questão e não consegue regular isso. Então, com o passar do tempo e o sofrimento dessa condição, ela vai ficando debilitada, se achando inferior, menos capaz. Tudo isso vai deixando-a desesperançosa, melancólica, chegando aos sintomas da depressão.

No entanto, Fernandes reforça que é preciso compreender que existe uma diferença entre ter o sentimento de ansiedade e ter de fato um transtorno ansioso, como transtorno do pânico, fobias, transtorno de ansiedade generalizada e transtorno do estresse pós-traumático, por exemplo.

"O sentimento de ansiedade é normal até certo ponto, mas pode se tornar patológico. É um sentimento que pode acontecer tanto nos transtornos ansiosos, quanto na depressão", ele explica. Dessa forma, é possível que o sentimento de ansiedade faça parte de um quadro depressivo. Inclusive, de acordo com Fernandes, metade dos casos de depressão caminham junto com a ansiedade.

Como saber se tenho depressão e ansiedade

Uma pessoa que esteja convivendo com os dois problemas poderá apresentar os sintomas comuns de depressão e de ansiedade, como também pode não ter os sintomas tão explícitos. Fernandes afirma, inclusive, que existem diversos casos em que o paciente busca ajuda querendo tratar a ansiedade, mas que na verdade essa pessoa tem um quadro depressivo e não sabe.

"Já em outros casos, a pessoa tem a depressão e tem a associação de um transtorno ansioso, aí nós chamamos isso de comorbidade", ele afirma. Dessa forma, a maneira mais segura de conseguir um diagnóstico e, consequentemente, o melhor tratamento é buscando ajuda especializada.

Sintomas de depressão e ansiedade

Conheça mais sobre os sintomas de cada uma das condições:

- Depressão: é caracterizada por sintomas como humor deprimido, juntamente com a diminuição do prazer, desde as atividades diárias até a perda da libido. Alterações de apetite, como aumento ou diminuição, assim como desregulação do sono também podem ocorrer, além de quadros de fadiga, cansaço, indisposição, sentimento de culpa e inadequação e dificuldade para se concentrar.

- Ansiedade: temos como característica a ansiedade em si como conhecemos, a preocupação excessiva, não necessariamente com um foco. Essa preocupação não é controlada pelo indivíduo, é uma invasão da mente. Junto com a ansiedade, pode surgir a inquietação, o nervosismo, a fadiga e o cansaço, além da dificuldade para se concentrar. Também pode haver alterações de sono, mas nesse caso, o sono se torna mais leve e com pouca qualidade. Entre os sintomas físicos, estão a falta de ar, o suor, a mão gelada, boca seca, tontura e náusea.

Prevenção e tratamento

Para entender se é hora de procurar ajuda especializada, o melhor é observar os seus sintomas. O que vai ser determinante é a intensidade e a frequência com que eles aparecem no dia a dia. "Estar ansioso antes de uma prova é comum, mas sentir-se assim todo dia, a maior parte do dia não, já é um indicativo de algo mais sério", diz psicóloga Juliana Leonel, professora do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas. O mesmo serve para a depressão.

Fernandes acrescenta que existem tratamentos medicamentosos que podem ajudar a tratar a depressão, o transtorno ansioso e a depressão ansiosa, além de terapias, que são uma excelente forma de tratamento. "Para transtornos ansiosos e depressão, a terapia cognitivo comportamental funciona muito bem e é o método com uma maior evidência de eficácia", ele destaca.

Entretanto, o ideal é estar atento para se prevenir dessas condições, apostando em qualidade de vida, melhora da rotina, em boas noites de sono e na alimentação. E, se sentir que algo está errado, não tente ignorar o problema, busque ajuda, seja de um psicólogo ou psiquiatra. "Não há porque ter vergonha e estigma em procurar um profissional da saúde mental. Ao reconhecer os sintomas, procure ajuda porque quer ficar bem, porque está preocupado com a sua saúde", finaliza Leonel.

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