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Conheça 7 sinais menos comuns que indicam como vivemos ansiosos

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Imagem: iStock

Priscilla Auilo Haikal

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-05-06T04:00:00

06/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • A ansiedade é cada vez mais comum, e pode se manifestar de formas mais discretas, como no senso de ter que ser competente o tempo todo
  • Além disso, enfraquecimento dos laços sociais, dificuldade em relaxar e tentativas de fugir de algumas situações podem indicar ansiedade
  • Memória, sono, apetite e até sua a habilidade para lidar com o mundo fora de si podem ser afetadas

Num mundo de ritmo acelerado, incontáveis afazeres e demandas, é quase impossível não se sentir ansioso. Ainda mais quando a tendência é se adequar às diferentes exigências, devido a impressão de que todos conseguem cumprir as tarefas, menos nós. Especialistas alertam que isso tem a ver com a lógica competitiva do mercado de trabalho atual, onde são valorizadas resoluções rápidas e disponibilidade em responder aos pedidos, a qualquer hora e lugar.

Além de fatores como a vulnerabilidade social e as dificuldades socioeconômicas, a pressão e cobrança de desempenho profissional nos grandes centros é uma das razões para sermos uma das populações que mais sofrem com ansiedade. Estudos apontam a prevalência de até 20% nas regiões urbanas brasileiras.

A ansiedade é uma emoção normal, universal do ser humano e ocorre quando se antecipa situações novas, desconhecidas ou de perigo. Apesar de ser uma resposta esperada e temporária a situações de estresse, que possibilita enfrentamento e adaptação em relação às mudanças, ela pode prejudicar o estado emocional a ponto de provocar intenso sofrimento, que inclui distúrbios do sono até comportamentos evasivos, incapacitantes e de isolamento social.

É quando ocorrem os transtornos, que não são a mesma coisa que a vivência de ansiedade e dos medos, embora os sintomas possam ser semelhantes. As diferenças estão relacionadas à intensidade, duração dos sintomas e as reações excessivas à ideia de ameaça. O mais importante é observar a frequência, e se há sofrimento, prejuízo relacional, laboral ou existencial para vida da pessoa.

Conheça os sinais de ansiedade e como podem evoluir para um quadro patológico.

1. Ansiedade disfarçada de competência profissional

A facilidade de acesso no uso dos canais de comunicação com os chefes e colegas de trabalho, que permite o acompanhamento constante das mensagens que chegam, provoca uma ideia de obrigação imediata na resposta. Quanto mais rápido se responde, mais competente aparenta ser o funcionário. Isso pode configurar quadro de ansiedade mascarado de competência profissional.

Essa prática aumenta a sensação de ameaça porque o sujeito fica com a impressão de que a demanda não tem fim e nada que faça será suficiente. Muitas vezes essas pessoas dormem mal, comem mal e podem desenvolver dependência de medicamentos psicoativos, bebidas alcoólicas, drogas ilícitas, dentre outros.

2. Enfraquecimento dos laços sociais

Ainda nessa análise de que vivemos sobrecarregados e de que as tarefas nunca vão ter fim, é comum que as pessoas enfraqueçam os laços sociais. As prioridades se voltam para cumprir demandas e o tempo pensando no que ainda não foi cumprido é torturante. A desvinculação dos laços afetivos é algo que pode ser visto como um sintoma de ansiedade, uma vez que a realização das atividades se torna mais importante do que qualquer outra coisa.

Quando as pessoas estão num nível de estresse muito elevado devido às demandas exigidas, que também geram ansiedade, qualquer necessidade de contato, de solicitação de afeto, pode ser vista como excesso. Desta forma torna-se mais fácil, até mesmo necessário, obter relações mais fáceis e descartáveis, que não "peçam nada em troca" afetivamente.

3. Dificuldade em viver o presente e relaxar

Costuma-se dizer que a ansiedade é uma doença em que as pessoas estão cheias de futuro e não vivem o presente. São aqueles que vivem cansados, pois estão sobrecarregados de um presente impossível de ser desfrutado, já que possuem uma dificuldade imensa em relaxar. Por terem uma apreensão negativa em relação ao depois, sentem uma inquietação interna desagradável sobre o agora e grande desconforto somático. Muitas vezes acontece de forma espontânea, sem uma causa aparente ou com um fator disparador, mas a reação é desproporcional.

4. Evitar situações consideradas de risco

Indivíduos com transtornos de ansiedade em geral superestimam o perigo nas situações que temem ou evitam. O medo ou a ansiedade são excessivos ou fora de proporção, podendo ser acompanhado de apreensão, medo ou obsessões. Por serem temerosas, ocorre a inibição comportamental, e passam a se esquivar de certas ocasiões ou circunstâncias. Isso acontece devido preocupações excessivas, que fogem do controle e fazem com que a pessoa não consiga desempenhar atividades diárias, como ir ao trabalho, frequentar lugares públicos ou encontrar os amigos. São medos que se transformam em fobias, e pode ser necessário atendimento especializado.

5. Alterações na memória e dificuldade de concentração

O pensamento focado apenas em uma única área da vida pode apontar para excessos característicos de quem tem distúrbio de ansiedade. O mesmo acontece com a dificuldade em ter foco e até mesmo guardar lembranças e informações. O cérebro fica em constante estado de alerta por causa de certas preocupações, vivendo sob uma apreensão negativa do futuro --é como se você não conseguisse se "desligar". O sono é um fator fundamental para melhorar essas condições.

6. Alteração de apetite e de sono

O sofrimento psicológico subjetivo pode provocar alterações fisiológicas observáveis, desde mudanças na constância do sono, até distúrbios gastrointestinais e sensação de náuseas. Além disso, é muito comum aproveitar momentos de estresse para buscar na comida uma forma de ter prazer imediato e aliviar os sentimentos incômodos. Mais uma vez, quando há exageros, como comer indiscriminadamente sem fome por alguma emoção negativa, é um sinal de alerta.

7. Sensação de estranheza e despersonalização

Acontece quando as pessoas sentem que não conseguem lidar bem com o mundo à sua volta, pois vivem imersas em preocupações, medos, receios e constante vigília sobre aquilo que pensam, sentem ou fazem. Parece que já não se sente como normal, pois tem a impressão de estar absorta aos seus próprios processos internos. O que agrava esse quadro é que conforme menos nos relacionamos, mais tendemos a repetir o mesmo padrão de comportamento.

Dicas para entender melhor a ansiedade

  • Aparece de maneiras e em ambientes diferentes, é importante considerar os elementos que fazem com que fiquemos ansiosos;
  • Não é algo que surge desvinculado de uma rede de fatores que a constitui; é preciso entender o que desencadeia atitudes de ansiedade;
  • Vivemos numa cultura em que a tendência é o aumento às exigências da vida cotidiana, com o agravante da perda dos direitos mais básicos;
  • Não somos corporalmente iguais: as exigências do mundo se apresentam de maneira bastante distinta; pessoas que sofrem mais opressões geralmente não percebem que isto também pode gerar ansiedade;
  • Nossas emoções são a maneira como integramos o que sentimos; ao observar que o sofrimento está aumentando, que a sensação de ansiedade está maior e que está havendo prejuízo, buscar ajuda profissional.

Fontes: Ana Claudia Lima Monteiro, professora do Instituto de Psicologia da UFF (Universidade Federal Fluminense); Márcio Bernik, coordenador do Amban (Ambulatório de Ansiedade) do IPQ do HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo); e Samantha Mucci, psicóloga do departamento de psiquiatria da EPM/Unifesp (Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo).

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