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Cientistas descobrem mecanismo no cérebro por trás da vontade de comer mais

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Uma estrutura cerebral desempenha um papel na formação da memória e na regulação das emoções Imagem: iStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

2019-04-02T13:04:33

02/04/2019 13h04

Resumo da notícia

  • Pesquisadores descobriram que os neurônios do receptor de dopamina 2 do hipocampo (hD2R) são especificamente ativados pela comida
  • Quando os pesquisadores estimularam as células, os ratos comeram menos e, quando os silenciaram, os animais comeram mais
  • Os resultados sugerem que, com o treinamento, as pessoas possam aprender a mudar sua relação com a comida

Uma pesquisa, publicada no periódico Neuron, descobriu quais neurônios influenciam o comportamento alimentar de camundongos. Chamadas de hD2R, essas células, quando estimuladas, fazem os ratos comerem menos, e quando silenciadas fazem os animais comerem mais. Os cientistas acreditam que os resultados podem ajudar a melhorar os tratamentos para a obesidade.

"Essas células podem impedir que um animal coma em excesso. Elas parecem tornar a alimentação menos recompensadora e, nesse sentido, estão ajustando a relação do animal com a comida", explica a primeira autora do estudo, Estefania P. Azevedo, pesquisadora de pós-doutorado no Laboratório de Genética Molecular da Universidade Rockefeller, em Nova York.

Portanto, de acordo com Azevedo, é possível que, com o treinamento, as pessoas possam aprender a mudar sua relação com a comida.

Como o estudo foi feito

  • A equipe colocou os camundongos em um ambiente cheio de comida, enquanto analisava por meio de imagens os cérebros dos animais.
  • Os resultados mostraram que os neurônios do receptor de dopamina 2 do hipocampo (hD2R) são especificamente ativados pela comida. A estimulação de neurônios hD2R ainda fez com que os camundongos voltassem com menos frequência para locais onde haviam encontrado comida. Isso sugere que as células enfraquecem as lembranças sobre as refeições e suas localizações.
  • Os pesquisadores sugerem que o cérebro "sintoniza" o apetite, equilibrando os mecanismos relacionados à memória para promover e restringir a alimentação.

Comer mal está entre os maiores exageros do brasileiro

Você sabia que entre excessos mais cometidos pelos brasileiros ao longo da vida estão o consumo de alimentos não saudáveis (42%), compras por impulso (29%), trabalho (27%), exercícios físicos (18%) e consumo de bebidas alcoólicas (12%)? Os dados são da pesquisa Excessos dos Brasileiros, que ouviu mil pessoas de 18 a 24 anos em todas as regiões do Brasil.

Uma estratégia vencedora pode ser controlar o emocional. Segundo a nutricionista Gladia Bernardi*, autora do livro "Código Secreto do Emagrecimento", o ganho de peso está diretamente ligado às emoções.

De acordo com o levantamento divulgado na publicação, 61% das pessoas apontam emoções desconfortáveis como o principal motivo que os levaram a comer demais. "Para 60% deles, a comida também é considerada como um padrão de afeto familiar. Isso mostra que os gatilhos mentais são a principal causa da obesidade", comenta a especialista.

"A emoção é um dos sabotadores mais comuns entre as pessoas obesas. Qualquer sentimento, seja tristeza, raiva, ansiedade, nervoso, frustração, estresse, preocupação ou medo, aciona gatilhos mentais que incentivam a busca por alívio, prazer ou recompensa com a comida", explica Bernardi.

E não são só emoções ligadas à tristeza que resultam no ganho de peso. "Esse sabotador também pode fazer as emoções de felicidade levarem à comida. Aí não se trata de uma emoção desconfortável, mas algo que tem como objetivo de aumentar a dopamina, neurotransmissor do prazer, e gerar euforia", comenta a nutricionista.

Teste seus gatilhos emocionais

Você já se deparou com algum desses pensamentos?

  • Quando estou feliz quero comemorar comendo algo gostoso;
  • Quando estou triste fico louco por um chocolate ou alguma coisa que nem sei o que é;
  • Sempre que tenho um sentimento ruim quero comer;
  • Melhor comer, assim esqueço toda a minha tristeza e sofrimento.

Esses são alguns gatilhos sabotadores que estimulam a comer sem estarmos realmente com fome orgânica, ou buscarmos a satisfação com alimentos sem teor nutricional e que têm alto teor de açúcar ou gordura.

Os sabotadores também levam a acreditar em algumas mentiras como:

  • Comer alivia;
  • Comer acalma e faz pensar melhor;
  • Comer chocolate alegra;
  • É só comer que a tristeza vai embora;
  • Não tem o que fazer? Está sozinho? Faça uma bacia de pipoca.

"Essas mentiras que contamos para nós mesmos nos fazem comer sem refletir que não estamos nos alimentando porque precisamos dos nutrientes, e sim para preenchermos sentimentos que não estão nos fazendo bem", comenta Bernardi.

Para não cair nessas armadilhas, é preciso reprogramar a mente para perder peso e conquistar uma rotina saudável. "É preciso identificar quais são os seus sabotadores e avaliar quão fortes eles são no seu poder de decisão. Depois disso, é preciso reprogramá-los para mudar seus hábitos alimentares e seu estilo de vida", conclui.

A ideia é que quando você tem consciência de que a vontade de comer está ligada ao seu emocional e não a sua barriga, você conseguirá olhar para as suas emoções sem a necessidade de pedir uma pizza ao mesmo tempo. O autocontrole ajudará a evitar exageros e compulsões.

*Fonte consultada em matéria do dia 11/10/18.

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