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Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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Pessoas mais velhas tendem a ser mais positivas e as jovens mais raivosas

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Pessoas em diferentes faixas etárias exibem mudanças em sua sensibilidade às emoções faciais Imagem: adamkaz/IStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

2019-03-03T15:11:35

03/03/2019 15h11

Resumo da notícia

  • A sensibilidade à raiva melhora dramaticamente durante o início até a metade da adolescência.
  • Adultos mais velhos tendem a ter mais emoções positivas e uma perspectiva positiva.
  • A percepção da emoção facial é importante para o funcionamento social e a saúde mental.

Ao investigar como a sensibilidade a emoções mudam ao longo da vida, cientistas descobriram que, enquanto adolescentes sentem mais raiva, idosos são mais positivos. A pesquisa, publicada no periódico Journal of Experimental Psychology: General, abre caminho para estudos futuros que pretendem examinar como a sensibilidade emocional está relacionada a diferenças em aspectos da saúde mental, como a ansiedade.

"Descobrimos que a sensibilidade em relação à raiva melhora dramaticamente durante o início até a metade da adolescência", diz Lauren A. Rutter, uma das autoras. "Essa é a idade exata em que os jovens estão mais sintonizados com as formas de ameaça social, como o bullying. O desenvolvimento normal da sensibilidade à raiva pode contribuir para alguns dos desafios que surgem durante essa fase de desenvolvimento."

No outro extremo da vida, o estudo mostrou que a sensibilidade a estímulos faciais por medo e raiva diminui à medida que as pessoas envelhecem, mas a capacidade de detectar sinais de felicidade permanece a mesma. "Há um declínio relacionado à idade na capacidade de decodificar as emoções em geral, mas aqui vemos muito pouco declínio na capacidade de detectar diferenças na felicidade", diz Laura Germine, que também comandou o estudo.

Segundo as pesquisadoras, essas descobertas se encaixam bem com outras pesquisas que mostram que os adultos mais velhos tendem a ter mais emoções positivas e uma perspectiva positiva sobre a vida. Foram observados decréscimos relacionados ao medo em pessoas mais velhas também.

Além disso, as mulheres mostraram maior sensibilidade à raiva e medo em relação aos homens, mas sensibilidade semelhante à felicidade.

Como o estudo foi feito

  • Os pesquisadores selecionaram 9.546 pessoas na faixa etária de 10 a 85 anos. Elas realizaram um teste digital de sensibilidade emocional criado pelos cientistas.
  • Imagens de rostos foram mostradas aos voluntários, que tinham que responder as  perguntas: "Qual rosto está mais irritado?", "Qual é o rosto mais feliz?" ou "Qual rosto é mais medroso?"
  • O teste permitiu aos pesquisadores medir o quanto cada pessoa foi capaz de detectar diferenças sutis nos sinais faciais de medo, raiva e felicidade. O teste também identificou como as pessoas em diferentes faixas etárias exibiam mudanças em sua sensibilidade às emoções faciais.
  • O principal objetivo deste estudo foi examinar a capacidade dos participantes de discriminar a intensidade das emoções faciais, para identificar mudanças no desenvolvimento da sensibilidade da emoção em toda a vida.

Felicidade só começa aos 50

Uma pesquisa, realizada por economistas da Dartmouth College, nos Estados Unidos, e da Universidade de Warwick, na Inglaterra, descobriu que os níveis de bem-estar ao longo dos anos teriam um formato em U --mais altos por volta dos 20-25 anos, decaindo conforme nos aproximamos dos 30 e 40 anos (sendo que o ponto mais baixo se daria, em média, aos 46 anos), e voltando a subir depois dos 50. 

Outro estudo realizado na Universidade Stony  Brook, nos Estados Unidos, e publicado no periódico Proceedings of the  National  Academy of Sciences, encontrou resultados similares: o estresse e a raiva, considerados indicadores negativos de bem-estar, tinham seu ápice justamente aos 50 anos, e, a partir dessa idade, passavam por um forte declínio. Já os níveis de felicidade e satisfação começavam a subir por volta dos 54 anos e tinham seu ápice aos 70. Ainda segundo a pesquisa, o nível de estresse era mais alto entre os 22 e 25 anos, abaixando progressivamente até chegar no seu nível mais baixo aos 82 anos.

Um ponto que pode explicar a curva em U é a própria ideia de felicidade, que costuma ser diferente nas várias fases da vida. Para os mais jovens, geralmente, ela está mais vinculada àquilo que possuímos e à aparência que mostramos para os outros. Por isso, a felicidade nesta fase tende a ser fugaz e de curta duração.

Conforme amadurecemos, no entanto, ficamos mais capazes de nos sentirmos felizes e satisfeitos com o que já temos e com o que somos. Há menor preocupação com a imagem e com agradar aos outros. Isso não quer dizer que os problemas não existam, mas que a experiência de vida nos deixa mais resilientes, ou seja, melhora a capacidade de adaptação.

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