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Questões emocionais causam dores no corpo e outros problemas de saúde?

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Dores e outros sintomas no corpo podem ser causados por distúrbios emocionais Imagem: iStock

Juliana Mesquita

Colaboração para o UOL VivaBem

2018-12-12T04:00:00

12/12/2018 04h00

Você fica todos os dias na empresa até tarde para terminar seu trabalho. O boletim escolar do seu filho está cheio de notas vermelhas. As contas do mês não fecham... Só de pensar nessas situações o estômago começa a doer ou você sente uma fisgada na lombar? Pois é, isso acontece com muita gente e revela que sintomas físicos podem ter relação direta com nossas emoções.

Quando vivemos muito tempo em uma situação de grande estresse, frustração, preocupação ou tristeza, o sentimento cresce até virar uma pressão psicológica difícil de suportar. Daí, surgem os sinais que atacam o físico. Esses problemas no corpo que têm relação direta com as emoções compõem os transtornos somatoformes. 

Eles podem tanto ser uma doença psicossomática (detectada em análises laboratoriais) ou uma somatização (que não apresenta alteração alguma nos exames médicos)

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"O processo de somatização ocorre quando existe um ou mais sintomas físicos que causam intensa preocupação e incômodo ao paciente, mas que não são explicados por uma condição orgânica. Por exemplo, quadros de dor crônica cuja origem não é encontrada pelo ortopedista ou neurologista", explica a psiquiatra Carolina Hanna, do Hospital Sírio-Libanês.

Doenças psicossomáticas

Diferentemente da somatização, as doenças psicossomáticas podem ser detectadas por exames laboratoriais. Ou seja, existe uma causa física para os sintomas observados, porém a doença tem origem na mente. "Algumas patologias podem ter uma explicação orgânica, mas, além disso, ser influenciadas pelo estado psíquico do paciente. Sintomas do trato gastrointestinal por vezes são exemplos de quadros cuja origem pode ser inflamatória e, ao mesmo tempo, influenciada por estresse e ansiedade", destaca Hanna.

As doenças psicossomáticas apresentam sintomas variados, sendo comuns as alterações de sensibilidade, como dor, formigamento e até sensação térmica incômoda. Muitas pessoas ainda apresentam queixas intestinais, como constipação, cólica ou diarreia. De acordo com Thiago Amaro Machado, psicólogo da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, as doenças psicossomáticas podem se manifestar das seguintes formas:

  • Gastroenterites (úlcera, gastrite, retocolite);
  • Problemas respiratórios (asma, bronquite);
  • Alterações cardiovasculares (pressão alta, taquicardia);
  • Problemas dermatológicos (vitiligo, psoríase, dermatite, herpes, urticária, eczema);
  • Enxaquecas e vertigens;
  • Processos inflamatórios nas articulações (como artrite, artrose, tendinite, reumatismos).

Não é coisa da sua cabeça

Por causa da falta de informação, a somatização pode gerar preconceito e a ideia de que a doença é "coisa da cabeça" do paciente, como se não existisse um problema físico ou a pessoa pudesse controlá-lo se quisesse. "Por isso, é muito comum o paciente se sentir envergonhado ou culpado pelos sintomas que apresenta e não buscar ajuda", analisa Machado.

Os sinais, no entanto, não devem ser ignorados. "Provavelmente, todo mundo já somatizou algum problema --uma dor de cabeça no dia de uma prova ou um desarranjo intestinal em alguma situação de estresse. Quando os sintomas são frequentes ou intensos a ponto de interferir na vida diária e comprometer a rotina, é preciso procurar ajuda", indica o psicólogo.

O acompanhamento profissional é importante pois nem sempre é simples passar sozinho por cima de frustrações e sentimentos negativos que surgem no dia a dia. "Todas as doenças mentais hoje em dia têm compreensão multifatorial, isto é, são vários fatores que contribuem para sua causa. Um dos motivos envolvidos é a dificuldade em reagir aos traumas de forma saudável e até de conseguir entender os próprios sentimentos", finaliza Hanna.

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