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Cientistas da Unesp criam composto capaz de eliminar vírus da hepatite C

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Além da hepatite, a molécula pode agir também em bactérias, fungos e células cancerosas Imagem: iStock

Do UOL VivaBem*, em São Paulo

13/11/2018 11h55

Pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) desenvolveram um novo composto que inibe a replicação do vírus da hepatite C em diversos estágios de seu ciclo. 

O estudo, publicado no periódico Scientific Reports, combinou moléculas já existentes, por meio de síntese em laboratório, para produzir novos compostos. "Sintetizamos seis compostos e os testamos nos genótipos 2a e 3a do vírus da hepatite C. E conseguimos chegar a um composto com grande potencial terapêutico”, diz Paulo Ricardo da Silva Sanches, um dos dois autores principais do estudo.

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O vírus da hepatite C apresenta significativa variabilidade genômica, exibindo pelo menos seis genótipos principais, cada qual com subtipos. Os genótipos 2a e 3a são os subtipos mais comuns. “Descobrimos que esse composto o composto capaz de destruí-los, chamado de o AG-hecate, atua em quase todas as etapas do ciclo", conta Sanches.

Os pesquisadores testaram o AG-hecate tanto no vírus completo quanto nos chamados “replicons subgenômicos”, que possuem todos os elementos para a replicação do material genético do vírus nas células, mas são incapazes de sintetizar proteínas responsáveis pela infecção. E o composto foi eficiente em todos os testes.

Outra virtude apresentada pelo composto foi seu alto índice de seletividade. Isso significa que ele ataca muito mais o vírus do que a célula hospedeira. E, assim, tem potencial para ser utilizado como fármaco no tratamento da doença. 

“Apesar de o composto apresentar pequena atividade nos eritrócitos, os ‘glóbulos vermelhos’ do sangue, a molécula precisa passar por alterações em sua estrutura para reduzir ainda mais a sua toxicidade. É nisso que estamos trabalhando agora, para que a pesquisa possa evoluir da fase in vitro para a fase in vivo”, diz o pesquisador da Unesp. 

De acordo o professor Eduardo Maffud Cilli, orientador do doutorado de Sanches no Instituto de Química da Unesp em Araraquara (SP), considerando a média estatística, serão necessários mais oito anos antes que a droga chegue ao mercado.

“A ótima notícia é que essa molécula não age apenas no vírus da hepatite C. Pode agir também em bactérias, fungos e células cancerosas. Além disso, como os vírus do zika e da febre amarela apresentam ciclos replicativos bastante parecidos com o da hepatite, vamos testar a efetividade do AG-hecate também em relação a esses vírus”, conta MaffudCilli.

*Com informações da Agência FAPESP

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