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Lanche no fim da tarde liberado: corpo queima mais calorias nesse período

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Comer depois do trabalho pesa menos na balança Imagem: iStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

09/11/2018 16h17

Sabe aquele lanchinho que você come quando chega do trabalho? De acordo com um novo estudo, essa refeição é a que menos vai pesar na balança.

Publicada no periódico Current Biology na quinta-feira (8), a pesquisa concluiu que o fim da tarde é a hora do dia em que seu corpo naturalmente queima mais calorias.

Segundo os cientistas, isso provavelmente ocorre devido aos ritmos circadianos, que controlam o relógio interno do corpo e os ciclos de sono e vigília. Em repouso, os seres humanos queimam cerca de 10% a mais de calorias no fim da tarde do que à noite, o que equivale a cerca de 130 calorias extras queimadas durante o final da tarde e à noite versus o meio da noite, sem qualquer trabalho adicional de sua parte.

Segundo a coautora do estudo, Jeanne Duffy, professora associada de medicina na Harvard Medical School, mesmo um pequeno aumento como este poderia afetar a saúde. "Se estiver acontecendo todos os dias, você pode imaginar que, com o tempo, pode fazer uma grande diferença".

O estudo incluiu apenas sete pessoas, portanto os resultados são preliminares. Mas os pesquisadores dizem que o pequeno tamanho da amostra permitiu que eles conduzissem experimentos de laboratório que regulavam tudo, desde a dieta das pessoas até a exposição à luz, oferecendo respostas únicas sobre o impacto natural dos ritmos circadianos.

Por 37 dias, os homens e mulheres que tinham entre 38 e 69 anos viveram em um laboratório sem relógios, janelas, telefones ou Internet. Os cientistas também regulamentaram cuidadosamente seus horários de sono e vigília, assim como a ingestão de alimentos e os níveis de atividade.

Todos usavam sensores que mediam suas temperaturas corporais, o que permitia aos pesquisadores medir o gasto de energia: quanto mais alta a temperatura, mais calorias a pessoa estava queimando. Eles descobriram que a temperatura corporal das pessoas era mais baixa quando os ritmos circadianos correspondiam com a madrugada e de manhã e atingiam seu máximo 12 horas depois, no final da tarde.

Além da questão de peso, Duffy diz que essas descobertas têm um significado especial para os trabalhadores em turnos e pernoitais, que muitas vezes operam em horários incomuns. A pesquisa mostrou que o trabalho por turnos está associado a uma série de problemas de saúde, incluindo obesidade, diabetes tipo 2, câncer e declínio cognitivo. A coautora diz que o novo estudo acrescenta à ideia de que esses problemas de saúde podem estar associados a rupturas do ritmo circadiano.

Segundo ela, nossos relógios biológicos são cronometrados para estarem prontos para fazermos coisas em horários regulares do dia e para sermos funcionais. Quando ficamos acordados a noite toda para trabalhar, estamos lutando contra esse relógio biológico interno.

Mais pesquisas são necessárias para saber exatamente como essas descobertas afetam os indivíduos, mas a atual pesquisa contribui para o crescente entendimento dos cientistas sobre a importância dos ritmos circadianos e seu impacto na saúde total. "Temos esses relógios dentro de nós que precisam ser sincronizados e mantidos em sincronia com o ambiente externo", diz Duffy.

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