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Tem bisfenol A no cupom do mercado? Qual o perigo da substância à saúde?

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O problema é o Bisfenol A, presente neste tipo de papel Imagem: iStock

Vivian Ortiz

Do VivaBem, em São Paulo

2018-07-27T04:00:00

27/07/2018 04h00

Após pagar por suas compras, você recebe das mãos da funcionária o cupom fiscal --impresso em papel térmico. O que você pode não saber é que ele tem bisfenol A (BPA), uma substância química que provoca um desequilíbrio no corpo humano, podendo induzir ou inibir a produção de hormônios no organismo, sendo relacionado --por conta disso -- a problemas como obesidade, diabetes e infertilidade.

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"Usar esse tipo de produto ao longo da vida é o que vai trazer riscos", explica Bruno Alves Rocha, pesquisador do departamento de análises clínicas e toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo).

Um estudo brasileiro de 2015, com a participação de Rocha, avaliou 190 recibos térmicos diferentes, coletados aleatoriamente em diferentes locais no Estado de São Paulo, incluindo recibos de supermercados, restaurantes em geral e fast-food, postos de gasolina, ônibus e avião, além de bilhetes e cartão de crédito e contas bancárias. A substância foi detectada em 98% das amostras, sendo que os valores obtidos foram superiores aos anteriormente reportados em outros países. 

O Bisfenol A funciona como um revelador químico. No caso, o terminal queima o papel com a ajuda das altas temperaturas, fazendo com que as cores sejam reveladas nos lugares certos. "Como não está ligado quimicamente nesse papel, o contato com ele, libera a substância para as mãos das pessoas que o manuseiam", diz.

Grupos de risco

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Bancários e caixas de comércio estão entre os grupos de risco. Imagem: iStock

O pesquisador ressalta, porém, que o grande problema não é o recibo em si, apesar de ser uma das fontes de exposição ao Bisfenol, pois a substância ali não ultrapassaria os valores aceitáveis no organismo humano.

No entanto, o BPA está presente na composição de materiais plásticos empregados usados na indústria automotiva, na construção civil, em eletrodomésticos e em embalagens e utensílios domésticos. 

"Justamente por ser uma substância onipresente, o recibo se torna um perigo no somatório total", explica. Segundo Rocha, inclusive existe um grupo de risco, formado por trabalhadores do varejo e bancários, por exemplo, cujo trabalho envolve manipular esse tipo de papel diariamente.

De acordo com o Centro de Informação e Assistência Tecnológica de Santa Catarina, estudos recentes dizem que aproximadamente 1 mcg de BPA é transferido aos dedos indicador e médio. Mas se estiverem úmidos ou engordurados, a quantidade de BPA transferida é aproximadamente 10 vezes maior.

Além da absorção dérmica, pode haver a ingestão de BPA a partir de resíduos das mãos. Devido às recentes restrições à utilização do BPA em alguns países, ele foi substituído por um novo análogo, Bisfenol S (BPS), ainda mais deletério ao ser humano.

Infelizmente, a contaminação é silenciosa e sem sintomas, o que significa que a pessoa pode ficar o dia inteiro carregando uma bobina desse tipo de papel durante anos que não vai ter nada aparente por muito tempo."Até existem testes para fazer essa medição, mas estão nos Estados Unidos e, além de muito complexos e caros, são usados, basicamente, nas pesquisas clínicas", explica a endocrinologista Juliana Bicca, que é Membro Oficial da International Hormone Sociey (IHS) desde 2013.

Bisfenol Free

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Desde o dia 1º de janeiro de 2012, a venda de mamadeiras ou outros utensílios para bebês que contenham BPA está proibida. A determinação foi da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Quatro anos antes, União Europeia, Canadá e Estado Unidos já haviam feito o mesmo. Por conta disso, a indústria química começou a promover produtos do tipo "BPA Free", ou livres de BPA.

O problema é que estudos recentes demonstraram que a maioria dos substitutos utilizados pela indústria (Bisfenol AF, Bisfenol F, Bisfenol S, Bisfenol B, Dimetilbisfenol A, Tetrabromobisfenol A) tem efeito comparável ao do Bisfenol A, ou até pior no quesito toxicidade. E muitos dos produtos 'free' também possuem a substância em sua composição"

Bruno Alves Rocha, pesquisador do departamento de análises clínicas e toxicológicas da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP (Universidade de São Paulo)

Além disso, segundo ele, a Anvisa não explica de que forma é feita essa fiscalização, deixando claro de de quanto em quanto tempo é feita essa vistoria, quais lotes de produto são avaliados etc.. Questionada pela reportagem via e-mail, a assessoria de imprensa da agência regulamentar respondeu apenas que todos os dados sobre o uso do Bisfenol A podem ser acessadas no site da agência.

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O Bisfenol A não pode mais estar presente na fabricação de mamadeiras. Imagem: iStock

De acordo com as informações, mamadeiras em policarbonato realmente não podem ser comercializadas no Brasil. Os fabricantes, inclusive, devem informar, de forma ostensiva e adequada, a presença de Bisfenol A (BPA) nas embalagens e rótulos de produtos que contenham essa substância em sua composição”.

No entanto, para as demais aplicações, o BPA ainda é permitido, "mas a legislação estabelece limite máximo de migração específica desta substância para o alimento, que foi definido com base nos resultados de estudos toxicológicos."

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