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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

"Não foi fácil descobrir aos 15 anos que tinha glaucoma e podia ficar cega"

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Imagem: iStock

Daniel Navas

Colaboração para o VivaBem

10/06/2018 04h00

Tudo começou quando a estudante carioca Joyce Daniele Ferreira da Silva, na época com 15 anos, passou a sentir fortes dores de cabeça. A busca incessante pela causa da enxaqueca passou por diversos especialistas, até chegar ao oftalmologista.

“Ele me disse que eu não tinha miopia ou qualquer coisa relacionada a isso. Porém, quando realizou o exame de fundo de olho (análise que avalia o nervo óptico e a pressão intraocular), verificou que a pressão dos meus olhos estava muito elevada para a minha idade. O especialista questionou se eu tinha familiares com glaucoma e disse que sim, minha avó paterna. Foi então que o médico conversou comigo e minha mãe e explicou que eu poderia estar com glaucoma”, relata.

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A doença, que geralmente se desenvolve em adultos a partir dos 35 anos, também pode surgir em crianças e adolescentes, como foi o caso de Joyce, e deixar a pessoa cega se não tratada corretamente. De acordo com informações da Sociedade Brasileira de Glaucoma (SBG), estima-se que existam dois milhões de portadores diagnosticados com essa doença da visão no Brasil.

O glaucoma é uma enfermidade caracterizada por três fatores: aumento da pressão intraocular, em que o normal é abaixo de 20 mmhg, lesão do nervo óptico, devido à pressão intraocular aumentada e perda de campo visual, por conta da lesão do nervo óptico”, esclarece Maurício Eliezer Neto, oftalmologista da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, em São Paulo.

Doença silenciosa

Joyce teve sorte, pois, normalmente, o glaucoma não possui sintomas no estágio inicial. Os sinais da doença na forma aguda são fortes dores de cabeça --como aconteceu com a estudante --, dor ocular, sensibilidade à luz e enjoo. “Já na forma crônica, o glaucoma se manifesta por diminuição da visão periférica. No começo, a perda é discreta, e pode não ser percebida pelo paciente até apresentar a ‘visão tubular’, ou seja, apenas a visão central é preservada. O paciente começa a esbarrar em objetos, porque a percepção periférica é ausente”, afirma Gustavo Bonfadini, doutor em oftalmologia e ciências visuais pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), médico do Instituto de Oftalmologia do Rio de Janeiro (IORJ) e diretor médico do banco de olhos do estado do Rio de Janeiro.

Anos sem diagnóstico

Para ter totalmente certeza de que a estudante estava com glaucoma, o oftalmologista pediu alguns exames mais específicos, como o de campo visual, a retinografia, entre outros, que só foram realizados dois anos mais tarde, quando Joyce estava com 17 anos. “Eu não pude realizar as análises antes por serem caras e não estarem disponíveis no SUS”, conta.

Por sorte, esse período não causou nenhuma lesão permanente na visão da carioca, que de fato foi diagnosticada com glaucoma primário de ângulo aberto, o mais comum entre os diversos tipos da doença, representando 90% dos casos, principalmente entre os idosos.

“A SBG aponta que em 2010 cerca de 76 milhões de pessoas terão desenvolvido glaucoma no mundo. No ano de 2040, esse número subirá para mais de 111 milhões de indivíduos”, diz Cristiano Caixeta, oftalmologista e membro da Diretoria do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO).

As causas

São diversos os fatores de risco para o desenvolvimento da doença. De acordo com Daniel Brainer, oftalmologista do Hospital 9 de Julho, em São Paulo, os principais indicativos são: pressão ocular elevada, espessura da córnea diminuída, histórico familiar, sensibilidade a medicamentos com corticoides, miopia, hipertensão arterial sistêmica, diabetes, etnia afro-americana e idosos.

É hora de cuidar

A terapia padrão atual para o glaucoma é direcionada quase que exclusivamente à redução da pressão intraocular por meio do uso de colírio. “Segundo o consenso da SBG, iniciamos o tratamento do paciente glaucomatoso por meio da instituição de uma monoterapia, ou seja, uma única droga. Depois de avaliarmos o resultado obtido, podemos decidir se mantemos o medicamento ou se existe a necessidade de substituição dele, e até mesmo de associarmos uma outra droga para potencializar a redução da pressão intraocular”, fala Caixeta.

Quando não é possível conseguir o controle da pressão com medicamentos, é indicada a utilização de laser para alguns casos e até mesmo cirurgia, que tem o intuito de manter a pressão intraocular dentro dos limites desejáveis para cada caso.

O perigo da falta de visão

Por meio do tratamento com colírio, Joyce, hoje com 20 anos, conseguiu estabilizar o glaucoma, isso porque a doença não tem cura. “Por isso, é muito importante fazer a prevenção com consultas oftalmológicas anuais, para medir a pressão intraocular e avaliar o nervo óptico”, alerta Maurício Neto.

Além disso, com o diagnóstico inicial, também pode-se evitar a perda total da visão, já que o glaucoma é a maior causa de cegueira irreversível no mundo. “O nervo óptico é responsável por fazer a ligação entre o olho e o cérebro. Se essa via está danificada, as informações visuais que chegam aos olhos não podem ser transmitidas para o processamento cerebral”, explica Daniel Brainer. 

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