menu
Topo

Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Sexo de paciente pode afetar eficácia de tratamento para o câncer

iStock
Imagem: iStock

Do VivaBem

17/05/2018 13h13

Diferenças biológicas entre homens e mulheres podem ter um impacto entre alguns tipos e tratamentos. Enquanto um estudo anterior sugeriu que a depressão deve ser tratada de acordo com o sexo do paciente, uma pesquisa publicada na quarta (16) no periódico The Lancet Oncology mostrou que até o tratamento para o câncer pode ser mais eficaz se administrado diferentemente para homens e para mulheres.

“O sistema imunológico de homens e mulheres tem características específicas do sexo que não foram devidamente consideradas por especialistas que investigam a eficácia da imunoterapia”, diz Fabio Conforti, principal autor do estudo. "Tanto o sexo quanto o gênero podem afetar potencialmente a força da resposta imunológica do corpo.” A imunoterapia é um tipo de tratamento que visa impulsionar os mecanismos de defesa do próprio organismo contra doenças e tem sido considerada uma estratégia mais eficaz contra vários tipos de cânceres.

Veja também:

iStock
Parece haver certas diferenças específicas de sexo em como funciona o sistema imunológico Imagem: iStock

Estudos incluem mais homens

Para relacionarem a eficácia do tratamento ao sexo dos pacientes, os pesquisadores analisaram 20 estudos randomizados, avaliando 11.351 pacientes --entre os quais 7.646 eram homens e 3.705 eram mulheres-- com várias formas de cânceres avançados ou metastáticos. Todos os participantes do estudo receberam tratamento com drogas que ajudam a impulsionar a resposta imune. Os tipos de doenças incluíram câncer de pele, câncer de rim, câncer da bexiga, câncer de cabeça e pescoço e câncer de pulmão.

Apenas observando a proporção entre homens e mulheres nos ensaios clínicos analisados, os cientistas apontam que há um desequilíbrio óbvio; os estudos, em geral, tendiam a incluir um número muito maior de pacientes do sexo masculino. A sub-representação de mulheres pode se tornar problemática quando se trata de aprovar e liberar drogas para a população em geral.

Outra observação feita pelos autores é que parece haver certas diferenças específicas de sexo em como funciona o sistema imunológico. Essas diferenças ocorrem a nível celular e podem ser impulsionadas em parte pela atividade hormonal distinta. "Em média, as mulheres montam respostas imunológicas mais fortes do que os homens. Por outro lado, as mulheres representam cerca de 80% de todos os pacientes com doenças autoimunes sistêmicas em todo o mundo", diz Conforti.

Portanto, de acordo com o autor do estudo, é possível que as diferenças no sistema imunológico de mulheres e homens possam ser relevantes para o curso natural das condições inflamatórias crônicas, como o câncer, e, potencialmente, como elas reagem às drogas.

iStock
O tratamento, no entanto, não deve ser alterado com base nessas descobertas Imagem: iStock

Tratamento diferente ainda não é recomendado

Embora os pesquisadores tenham notado algumas discrepâncias nos benefícios proporcionados pela imunoterapia para homens versus mulheres, eles são cautelosos em recomendar a aplicação de tratamentos diferenciais. Isso porque, ao compararem a imunoterapia a outras terapias de controle, Conforti e sua equipe observaram que o tratamento focado no sistema imune se mostrou mais eficaz em ambos os sexos. Mas, em média, as taxas de sobrevivência foram maiores entre os homens, em comparação com as mulheres.

"O tratamento para as mulheres não deve ser alterado com base nessas descobertas, mas precisamos entender mais sobre os mecanismos para garantir que esses novos tratamentos possam ser otimizados para ambos os sexos", conclui Conforti.

VIVABEM NAS REDES SOCIAIS
Facebook • Instagram • YouTube