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Estudo mostra regressão de problemas em bebês expostos ao zika na gestação

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Imagem: iStock

Priscila Carvalho

Do UOL VivaBem, em São Paulo

2019-07-11T09:35:55

2019-07-12T11:38:57

11/07/2019 09h35Atualizada em 12/07/2019 11h38

Resumo da notícia

  • Uma pesquisa mostrou que crianças que nasceram com microcefalia durante a epidemia em 2016 tiveram seu quadro reversível
  • O trabalhou acompanhou as mães e bebês durante um período de dois anos
  • Segundo especialistas, as descobertas abrem espaço para um melhor prognóstico da doença

Um estudo feito pela FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz) e publicado na revista Nature Medicine na última segunda-feira (08) mostrou como duas crianças expostas ao zika vírus e que nasceram com microcefalia, durante a epidemia que ocorreu em 2016, tiveram uma melhora no quadro. Não se trata, porém, de uma reversão da microcefalia associada ao zika, já que elas foram expostas ao vírus, mas não necessariamente infectadas. "Esse estudo, infelizmente, não traz alento para as mães das crianças com microcefalia por ação direta do zika", considera a coordenadora do estudo, Maria Elizabeth Moreira

Os médicos observaram que um dos bebês tinha suturas fechadas no cérebro e bastou fazer uma cirurgia craniana para que o órgão da criança crescesse de forma normal. Já o outro bebê, que também nasceu com a doença e uma restrição de crescimento, desenvolveu circunferência no tamanho ideal com o tempo. "Já é conhecido que crianças que nascem após um período de restrição de crescimento, se devidamente alimentadas e estimuladas, são capazes de recuperar a curva de crescimento", explica a coordenadora do estudo, Maria Elizabeth Moreira. Em ambas, o desenvolvimento neurológico, de linguagem e motor eram considerados normais, ou seja, elas não tiveram comprometimento da massa encefálica.

O trabalho acompanhou durante dois anos 216 mães e filhos que foram expostos ao vírus. Entre as crianças havia 8 casos de microcefalia. As crianças que participaram da pesquisa já haviam sido acompanhadas pelo grupo de cientistas para outras avaliações. Nesta etapa, elas passaram por testes neurológicos e pela escala Bayley de desenvolvimento infantil, que mede o coeficiente de desenvolvimento por meio de testes de linguagens, cognição e coordenação motora.

A pesquisa mostrou ainda que 30% das crianças expostas ao vírus podem apresentar atraso no desenvolvimento de estimulações. Moreira ressalta importância de crianças cujas mães tiveram o zika na gravidez terem um acompanhamento regular. "É fundamental passarem por tratamento com fisioterapia e terapia ocupacional desde o nascimento".

Agora, os próximos passos, segundo a pesquisadora, é avaliar as crianças na idade pré-escolar e escolar. "A detecção precoce de distúrbios de aprendizado é fundamental", finaliza.

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