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Reumatologia avança do laboratório aos leitos de hospitais

Cecília Bastos/USP Imagens
Imagem: Cecília Bastos/USP Imagens

Do Jornal da USP

2019-06-19T10:33:12

19/06/2019 10h33

De acordo com a médica Rosa Maria Rodrigues Pereira, chefe do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), ao longo dos últimos 20 anos, houve um avanço considerável no tratamento de doenças reumatológicas.

A reumatologia trata de enfermidades que afetam o aparelho locomotor, normalmente de origem autoimune. "Não havia medicações biológicas. A evolução da pesquisa básica redirecionou a terapêutica desses quadros. O trabalho de bancada, de laboratório, hoje chega ao atendimento na beira do leito", diz a professora.

"Conseguimos isolar os anticorpos específicos contra a proteína responsável por impedir a osteogênese, a reprodução do tecido ósseo. Isto no caso da osteoporose, que foi um sucesso. O êxito foi repetido com várias outras doenças, como vasculites, artrites reumatoides, condropatias", esclarece a professora. Além disso, ela lembra do avanço dos diagnósticos por imagem, como a densitometria, que permite a medição da densidade óssea. "Não existia há 30 anos", comenta.

Dessa maneira, a medicina atual oferece um tratamento personalizado para cada paciente, a depender das peculiaridades de seu quadro. "A reumatologia trabalha com um espectro de doenças muito grande. Existe desde a artrite idiopática juvenil, que pode acometer crianças com dois anos, até inflamações musculares ligadas à terceira idade", afirma Rosa Maria. Ela argumenta que foi justamente a pesquisa básica, que busca as explicações na origem do conhecimento biológico, que permitiu a identificação e terapêutica dessas diferentes enfermidades.

Fora os tratamentos específicos das doenças reumatológicas, as intervenções médicas buscam controlar a dor e a fadiga crônica. "Além dos avanços funcionais, é fundamental considerar a qualidade de vida e a atividade laboral do paciente", indica a médica.

Médica fará parte do Conselho Consultivo da The Lancet Rheumatology

A reumatologista passa a integrar o Conselho Consultivo Internacional da revista The Lancet Rheumatology e é a única pesquisadora da América Latina a participar do conselho, desenvolve uma série de estudos que resultaram em mais de 270 artigos publicados e 60 prêmios. As pesquisas incluem osteoporose, vasculites sistêmicas e doenças reumáticas juvenis.

"Compor esse grupo é muito importante, uma vez que são apenas 20 pesquisadores de todo o mundo, a maior parte deles da Europa ou dos Estados Unidos", declara a médica ao Jornal da USP no Ar. The Lancet é uma das revistas acadêmicas mais tradicionais de medicina e lançou, neste primeiro semestre de 2019, seu braço de reumatologia, o The Lancet Rheumatology, para a qual colabora Rosa Maria. Mensal, o foco da publicação está nos estudos que avançam a prática clínica e defendem mudanças na política de saúde.

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