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Namorada de ator morto está com estresse pós-traumático; saiba o que é

Reprodução/Instagram
Isabela Tibcherani e o ator Rafael Miguel Imagem: Reprodução/Instagram

Gabriela Ingrid

Do UOL VivaBem, em São Paulo

2019-06-18T11:33:45

18/06/2019 11h33

Namorada do ator Rafael Miguel, assassinado junto com seus pais no domingo (9), Isabela Tibcherani foi diagnosticada com transtorno do estresse pós-traumático, de acordo com seu advogado, Eliton Lima dos Santos.

O pai da jovem, o comerciante Paulo Cupertino Matias, é o único suspeito do crime e é considerado foragido pela polícia, que decretou sua prisão temporária na semana passada. Segundo o advogado, Isabela não voltou para casa desde o crime e está morando na casa de uma amiga. Santos ainda disse que ela apresenta sintoma de oscilação de humor: "Uma hora está triste, depois fica alegre e chora. Ela ainda não caiu na realidade porque ainda aguarda uma ligação do Rafael".

O advogado conta que conseguiu um psiquiatra para Isabela e que o especialista realizou exames. "Ela foi diagnosticada com estresse pós-traumático e ainda não tem condições de sair sozinha. Tento evitar que ela assista a televisão para não ficar se influenciando. Ela só vai voltar à vida normal quando o pai dela for preso", disse Santos ao UOL.

O que é o TEPT?

Algumas pessoas que vivem uma tragédia como essa desenvolvem o chamado TEPT, ou transtorno do estresse pós-traumático. Para elas, é como se o evento nunca ficasse definitivamente no passado. Crises de pânico e flashbacks reatualizam o trauma criando um drama que muitas vezes parece infinito.

No caso de Isabela, seu advogado informou que ela ficou "chocada" após a divulgação do laudo necroscópico. De acordo com o documento, foram disparados 13 tiros contra as vítimas, sete dos quais foram em Rafael.

"A quantidade de tiros que ele tomou é muito elevada. Os dois tiros no braço indicam que tanto ele quanto o pai tentaram se defender. Já os tiros nas costas [do Rafael Miguel] indicam que houve um índice de crueldade muito grande. Você percebe o quanto ele [o suspeito, Paulo Cupertino] estava com raiva e sem motivação [para cometer o crime]", afirmou Santos.

É como quando comemos algo pesado e nosso estômago não consegue digerir, só que, nesse caso, é nossa psique que não consegue digerir o acontecimento"
Gabriela Malzyner*, mestre em psicologia clínica pela PUC-SP.

Seguindo a analogia da digestão, o TEPT faz com que os "alimentos" fiquem voltando, como um refluxo. Entre os sintomas estão pesadelos ou lembranças repentinas, fuga de situações que relembrem o trauma, reações exageradas a estímulos, ansiedade e humor deprimido.

Quais os sintomas

Os sintomas de TEPT podem variar com o tempo ou de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem:
  • Memórias angustiantes recorrentes e indesejadas do evento traumático;
  • Reviver o evento como se estivesse acontecendo novamente (flashbacks);
  • Sonhos ou pesadelos sobre o acontecimento;
  • Grave aflição emocional ou reações físicas a algo que o lembra do evento traumático;
  • Tentar evitar pensar ou falar sobre o episódio, assim como lugares e pessoas que lembrem o ocorrido;
  • Mudanças negativas no pensamento e humor;
  • Falta de interesse;
  • Sentir-se emocionalmente entorpecido;
  • Alterações nas reações físicas e emocionais.

Reprodução/TV Globo
Isabela Tibcherani, namorada do ator Rafael Miguel, fala à Globo Imagem: Reprodução/TV Globo

Tratamento inclui agir normalmente

O tratamento inclui diferentes tipos de psicoterapia ou medicamentos para tratar os sintomas. Entretanto, falar sobre o assunto pode piorar. "Pesquisas mostram que aquelas pessoas que passaram por uma entrevista em que precisaram detalhar o que lhes aconteceu tiveram maior risco de desenvolver TEPT do que aquelas que ficaram em seu canto e tentaram esquecer", diz o psicólogo e blogueiro do VivaBem Dan Josua sobre o transtorno.

E é importante não medicar demais. Segundo Josua, de acordo com diversos estudos, o uso de calmantes, especialmente benzodiazepínicos, atrapalham o processo natural de formação das memórias e isso eleva a ameaça de a pessoa continuar viver como se o trauma ainda estivesse presente. Isto é, o uso de calmantes está associado a uma piora do quadro.

Por pelo menos um mês, respostas extremas e pesadelos são esperados. Mas o silêncio e o esforço de lidar com tudo isso sem entrar em detalhes são as melhores estratégias"
Dan Josua, mestre em Psicologia Clínica pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo)

Do mesmo modo, no papel espectadores de uma tragédia, aceitar o silêncio das vítimas é o melhor que podemos fazer.

Malzyner ainda afirma que, mesmo após o tratamento, e assim como qualquer evento importante, o episódio é lembrado em ciclos, sendo comumente recordado no dia de seu aniversário. Os sintomas não são diferentes aos associados ao TEPT e podem incluir pensamentos ou sonhos sobre o evento. O que fazer nesse momento? Agir normalmente. "A pessoa tem que viver, entender o que aquilo representa para ela", diz a psicóloga.

*Fontes consultadas em matéria do dia 01/11/2017; Mayo Clinic; NIH (National Institute of Mental Health).

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