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Por que algumas pessoas não têm empatia? Veja como desenvolvê-la

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Imagem: iStock

Priscila Carvalho

Do UOL VivaBem, em Brasília*

2019-06-06T19:15:44

06/06/2019 19h15

Em algum momento da vida você já ouviu que é necessário se colocar no lugar do outro para entender determinada situação? Isso é o que chamamos de empatia. No entanto, nem sempre é possível desenvolver o sentimento e, para isso, é necessário descobrir os mecanismos para praticar esse exercício.

"Muitas vezes, indivíduos não reproduzem a empatia, justamente por nunca terem tido um olhar ou acolhimento por parte de outras pessoas" disse Elias Abdalla, psiquiatra e pós-doutor em psiquiatria forense pela Universidade de Londres e pesquisador da Cátedra Unesco de Biotética da UnB (Universidade de Brasília), nesta quinta (6), durante o Congress on Brain, Behavior and Emotions, em Brasília. Segundo o especialista, entender e desenvolver a empatia pode ajudar na redução de comportamentos violentos e arredios.

Para compreender como funcionava esse mecanismo, Abdalla revisou diversos estudos que investigavam tipos de personalidade e dividiu os indivíduos didaticamente em dois grupos: o primeiro era composto de participantes que tinham histórico violento que era decorrente de privações sociais e fatores externo, mas não possuíam fatores orgânicos cerebrais. Já no segundo, as pessoas também eram violentas, mas possuíam um comprometimento cerebral que favorecia atitudes agressivas.

Nos estudos selecionados, os indivíduos que não apresentavam nenhuma alteração neurológica, a empatia podia, sim, ser trabalhada. Já os indivíduos estudados que possuíam um comprometimento neurológico tinham mais dificuldade neste desenvolvimento. Isso porque, eles apresentavam uma predisposição genética a ser violento e alguns possuíam lesão no córtex pré-frontal --o que está diretamente associado a conduta agressiva.

O mesmo foi percebido pelo especialista Augusto Buchweitz, que liderou uma pesquisa do InsCer (Instituto do Cérebro), da PUC-RS (Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), na qual investigou a relação de emoções alheias e testes e falhas em testes em alunos de escolas estaduais de Porto Alegre.

Na pesquisa, os jovens foram submetidos a exames de ressonância magnética funcional, que é capaz de fazer um "filme" do cérebro. Os resultados mostram que os adolescentes que estavam mais expostos a situações de violência ou vulnerabilidade tinham alterações na área do cérebro, que é importante para a empatia.

Mas como conseguir ser mais empático?

O caminho parece ser longo, mas segundo Abdalla não é impossível. Para ele, praticar é fundamental. Por mais que pareça quase uma tarefa complicada, ele ressalta que é possível produzir exercícios que possibilitam esse mecanismo.

Tente, de fato, olhar para o outro, sobretudo em situações de divergência e adversidade. "Experimente sentimentos. Quando você se compadece diante das dores alheia, que de certa forma é o outro que está sentindo, você consegue desenvolver melhor a empatia", reforça.

Além disso, pratique ao máximo relações de afetividade, preocupação, carinho e práticas sociais que fazem com que alguém que nunca sentiu-se olhado possa enxergar que é possível reproduzir atitudes positivas em relação ao outro. "Mesmo que aos poucos, ela consegue perceber que pode ter o mesmo sentimento de preocupação por alguém e começar a externar isso", conclui.

* Repórter viajou a convite do Congress on Brain, Behavior and Emotions

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