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Equilíbrio

Cuidar da mente para uma vida mais harmônica


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Por que é importante deixar seus ressentimentos irem embora?

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Imagem: Istock

Diego Garcia

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-06-05T04:00:00

05/06/2019 04h00

Sentimentos como mágoa, rancor, ódio e angústia quando não resolvidos geram ressentimentos, que por sua vez podem causar depressão, tristeza, transtorno de ansiedade e até dificuldade para se relacionar com outras pessoas.

O ressentimento pode ser causado por expectativas erradas a respeito de uma resposta esperada de outra pessoa; quando as coisas não saem da maneira esperada; uma brincadeira de mau gosto ou qualquer coisa no outro que te desagrade.

É importante compreender que a percepção do que o outro fez ou falou e que gerou um sentimento de mágoa faz parte do seu universo, como explica a psiquiatra Lívia Beraldo de Lima Basseres, assistente da enfermaria de controle de impulsos do IPq HC-FMUSP (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo).

"A outra pessoa às vezes pode não saber que magoou. Como é uma percepção de quem sofre, é uma forma de enxergar a situação e muitas vezes a outra pessoa nem sabe que gerou esse sentimento", analisa.

Por que guardamos ressentimentos?

Porque é difícil a gente falar sobre sentimentos. A forma mais eficaz de resolver um ressentimento é falar sobre ele, mas, por mais que nos incomodem, temos mais dificuldade de lidar com sentimentos ruins do que com os bons. "Sentimentos bons nos trazem alegria e são efêmeros, já os ruins ficam guardados como uma impressão digital nas nossas emoções, nos nossos pensamentos, de forma que muitas vezes a gente não consegue se livrar deles, porque eles voltam" explica a psicóloga Karine Lacerda Pereira.

Um ressentimento pode gerar várias consequências, dependendo do nível em que esse sentimento atinge o campo emocional de quem se ressente. Pode trazer uma tristeza profunda, algum tipo de memória que não se apaga, uma raiva ligada a emoção que esse sentimento traz. "Emoções ligadas ao ressentimento são sempre negativas, por isso a importância de conseguirmos nos livrar do ressentimento o mais rápido possível", completa Karine.

Como se livrar deste peso?

O jornalista Tim Herrera do The New York Times, editor do boletim informativo semanal Smarter Living (Vida Mais Inteligente), dedicou uma de suas edições a falar sobre até onde pode nos levar quando seguramos os ressentimentos. Ele publicou em seu Twitter a seguinte pergunta: "Você já desistiu de um ressentimento de longa data? Como você se sentiu depois?". As respostas foram surpreendentes: sensação de leveza, bem-estar, neutralidade, liberdade e maturidade.

Mas como se libertar dos ressentimentos que carregamos ao longo da vida? A reanálise daquilo que gerou o ressentimento pode ser um começo. Ao fazer isso você consegue ver a situação com maior clareza e separar o que é seu e o que é do outro. "Quando você analisa novamente os fatos que o ressentiram, fica mais fácil de você não generalizar aquele momento e a partir daí você consegue ressignificar e aceitar que os atos das outras pessoas não dependem de você" explica Lívia.

Karine ressalta que nesta reanálise levar em conta outros fatores te ajudam a ponderar, como por exemplo, considerar a questão cultural, os ensinamentos, quais foram os valores e os princípios que a outra pessoa recebeu. "Às vezes chegamos à conclusão de que a forma com que a pessoa agiu e que nos fez ficar ressentidos era a única forma possível que aquela pessoa tinha para agir naquele momento", analisa a psicóloga. Tudo é relativo ao repertório das duas pessoas, que geralmente são completamente diferentes.

Contextualizar a situação no presente, também pode ajudar. Será que essa situação que aconteceu lá atrás, ainda tem o mesmo peso hoje? Vale a pena carregar o peso desses sentimentos negativos para algo que não pode ser modificado? "A gente tem que levar em conta que o ressentimento só vai causar mau e gerar impacto para quem se ressente e nunca para quem ressentiu", contemporiza Karine.

Perdoar não é esquecer

Não há outra maneira de deixar de lado os ressentimentos se não perdoar. Há anos a psicologia vem estudando o impacto positivo do perdão na vida das pessoas. Pesquisadores da Universidade de Stanford realizaram um estudo em grupo sobre o perdão, em 2006, e concluíram que exercitar o perdão, como um treino, ajuda na redução do estresse, melhorando o sistema imunológico e cardiovascular, assim como na redução da raiva.

Outros dois estudos mais recentes, afirmam que a raiva reduz a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro e que envelhecer levando a raiva como companhia aumenta a possibilidade de inflamações crônicas e outras doenças. "Perdoar é uma atitude muito nobre. Muitas vezes é difícil, demorarmos a perceber o tanto que é libertador", diz Karine.

Você não precisa falar com a pessoa que te ressentiu, caso não se sinta bem ou não seja realmente possível. "Perdoar não é esquecer. Não é fingir que nada aconteceu. Perdoar é ressignificar os fatos", afirma Lívia. Ressignificar é desapegar dessas situações do passado que nos deixam tristes e magoados e seguir em frente. Não existe um tempo para isso, é uma decisão pessoal e que cada um deve saber a medida que esses sentimentos começam a sufocar. E se não conseguir superar isso sozinho, a ajuda profissional é sempre válida.

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