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Sintomas e tratamentos da doença


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Quer prevenir o câncer de mama amanhã? Olhe para seus hábitos de hoje

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Hábitos saudáveis fazem uma grande diferença para prevenir a doença e na vida de pacientes que já foram diagnosticadas Imagem: iStock

Giulia Granchi

Do UOL VivaBem, em Chicago (EUA)*

2019-06-02T10:12:57

02/06/2019 10h12

Resumo da notícia

  • Fatores de risco para o câncer são bastante conhecidos, mas ainda assim as pessoas têm dificuldade em estabelecer hábitos importantes para combatê-los
  • Um desses fatores é a relação entre altas taxas de gordura corporal e o câncer de mama, que pode ser combatida com mudanças alimentares e exercícios
  • Mesmo pessoas já diagnosticadas podem ser beneficiar com essas medidas, mas relutam em adotá-las
  • Por isso, médicos buscam formas de tornar essa adesão mais simples para as pacientes

Centenas de novos medicamentos, tecnologias e tratamentos para o combate ao câncer estão sendo apresentados e discutidos durante a edição de 2019 do ASCO, congresso da American Society of Clinical Oncology (Sociedade Americana de Oncologia Clínica). Mas apesar dos avanços promissores, ainda se ouve falar muito sobre fatores de risco bem conhecidos: estilo de vida, sedentarismo e obesidade.

O câncer de mama e o excesso de peso, muitas vezes causado pela má alimentação e falta de exercício, têm uma relação próxima: o tecido adiposo produz hormônios e mediadores químicos que podem favorecer o aparecimento da doença se estiverem presentes em excesso.

Diversos estudos demonstram que ter uma rotina saudável não só ajuda a prevenir o câncer, mas beneficiam as pacientes durante os tratamentos e influenciam nos resultados. "É algo que não deve ser considerado só para quem está em risco, mas adotado por todas mulheres --desde as jovens até suas avós", apontou Jennifer W. Bea, pesquisadora da University of Arizona, nos Estados Unidos, durante apresentação no ASCO.

É algo conhecido, mas ainda há resistência

No entanto, em alguns casos, nem mesmo as evidências científicas claras parecem convencer as pacientes. A oncologista Marina Sahade, do Hospital Sírio Libanês, aponta que muitas mulheres são resistentes às mudanças.

Nenhuma vez eu disse à uma paciente que ela precisaria fazer quimioterapia, que perderia cabelo por isso e ela se opôs. Elas entendem que é o preço. Mas quando digo que precisam fazer atividade física e mudar de estilo de vida, elas têm muita dificuldade em adotar as recomendações Marina Sahade, oncologista

O quadro pode ser ainda mais difícil para mulheres que já são obesas quando descobrem o câncer. "Além de uma probabilidade pior de desfecho, ela provavelmente já fez tratamentos, dietas... Lutou contra o excesso de peso no decorrer do tempo. E além de ser diagnosticada com a doença, ela também ouvirá do médico que precisa emagrecer, o que afeta o emocional de muitas", explica Sahade.

Pequenos passos

Sahade esclarece que não é necessário fazer mudanças radicais, como por exemplo, cortar definitivamente o açúcar ou reduzir drasticamente a quantidade de carboidrato do prato.

Tanto para alterações no cardápio quanto para iniciar um treino físico, o melhor consultar seu oncologista, que conhece os detalhes de seu caso e saberá exatamente até onde seu esforço deve chegar.

Papel da família

O apoio da família para fazer as mudanças na despensa de casa é essencial. "Muitas se queixam de ter que comer alimentos diferentes do que os familiares e acabam consumindo industrializados por que alguém de casa comprou", indica a médica do Hospital Sírio Libanês.

A mesma ideia de apoio, de acordo com a especialista, serve para a atividade física --para muitas, fica mais fácil caminhar no parque, dançar na aula de zumba ou praticar qualquer outra modalidade com a companhia de alguém querido.

Especialistas pensam em alternativas para o futuro

Atualmente, a comunidade médica discute maneiras práticas de ajudar a mudar a rotina das pacientes e, sobretudo, tornar a atividade física parte integral da vida das pacientes.

Entre elas, a possibilidade de criar academias nos mesmos locais onde são realizados os tratamentos, a possível disponibilidade de profissionais especializados para ir até as mulheres e até o uso de tecnologias como pulseiras inteligentes e aplicativos que ajudem no dia a dia.

"É uma implementação que esperamos ver em um futuro próximo, por que além de beneficiar os resultados dos quadros, as mulheres relatam menos dor durante alguns tratamentos, se sentem mais empoderadas, motivadas e dispostas, o que beneficia na luta contra a doença", complementa Sahade.

*A jornalista viajou a convite da Pfizer

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