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Quando os viajantes trazem infecções de pele de lembrança

Gracia Lam/The New York Times
Imagem: Gracia Lam/The New York Times

Do New York Times

2019-05-20T04:00:00

20/05/2019 04h00

Uma menina de cinco anos foi trazida ao pronto-socorro do Hospital Infantil Evelina, em Londres, com feridas que coçavam em ambos os pés. Ela havia voltado recentemente de uma viagem de uma semana a Serra Leoa, e as lesões, que apareceram nas três semanas de sua estada lá, haviam crescido e ulcerado.

Diagnóstico: difteria cutânea, uma doença raramente observada em muitos países industrializados, incluindo o Reino Unido e os Estados Unidos, onde a maioria das crianças está protegida pelas vacinas DTPa e DTP.

Ainda assim, como cada vez mais americanos de todas as idades viajam para o exterior, muitas vezes para áreas menos desenvolvidas, os viajantes e os médicos daqui precisam estar atentos a infecções cutâneas incomuns e muitas vezes estranhas. Embora a difteria cutânea não seja uma doença notificável aqui, de setembro de 2015 a março de 2018 quatro casos foram relatados ao Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC).

Os pacientes, dois de Minnesota, um de Washington e outro do Novo México, haviam retornado recentemente da Somália, da Etiópia e das Filipinas.

O CDC mencionou em um relatório semanal, em março, que os casos relatados dessa infecção altamente contagiosa haviam decuplicado recentemente, de uma média de somente três por ano durante o período de 1998 a 2011, para 33 anuais entre 2012 e 2017. Mesmo assim, disse a agência, esses números subestimam a verdadeira incidência de tais infecções. Embora os quatro novos casos estivessem restritos à pele, as lesões podem ser uma fonte de uma infecção respiratória perigosa para as pessoas não imunizadas adequadamente contra a difteria.

Assim, aqueles que possivelmente tiveram contato próximo com os pacientes precisavam ser examinados, talvez tratados com antibióticos, e, se não tivessem imunidade à difteria, imunizados com a vacina.

Antes de viajarem para países em desenvolvimento, muitas vezes as pessoas consultam o CDC ou uma clínica de saúde de viagem para determinar que imunizações precisam atualizar e que precauções são recomendadas - como beber apenas água engarrafada.

Mas, tendo visitado algumas áreas selvagens nas últimas cinco décadas, sei que muitas pessoas acabam não consultando especialistas em saúde de viagem com antecedência e são negligentes quanto à atualização das vacinas necessárias. Ao voltarem para casa com uma queixa da saúde, consultam frequentemente médicos que podem nunca ter visto a doença antes, ou mesmo que só tenham ouvido falar dela na escola de medicina, se tanto.

Novas doenças como Sars e ebola conquistaram com justiça a atenção generalizada, mas o dr. Jay S. Keystone, da Clínica de Saúde de Viagem Toronto Medisys, observou que "os problemas de pele estão entre os quadros médicos mais frequentes em viajantes". Entre os vários problemas de pele relacionados a viagens analisados pela GeoSentinel Surveillance Network, Keystone relatou que, entre os viajantes doentes que procuraram cuidados médicos, larvas cutâneas, picadas de insetos e infecções bacterianas foram os casos mais comuns, 30 por cento do total de 4.742. Ele acrescentou que os casos relatados não incluíram aqueles que foram facilmente tratados durante a viagem ou que desapareceram por conta própria - provavelmente muitos mais.

É bem provável que você, quando vai para terras menos desenvolvidas, esteja mais preocupado em evitar a diarreia do viajante (mastigue duas pastilhas de subsalicilato de bismuto - Pepto-Bismol ou versões genéricas - em cada refeição). Mas, para ajudar a garantir uma viagem tranquila, é bom permanecer alerta para evitar várias infecções bacterianas, parasitárias, virais e fúngicas que entram pela pele e raramente são encontradas nos Estados Unidos.

A larva cutânea, uma infecção extremamente pruriginosa, é geralmente contraída por meio das fezes de cães ou gatos depositadas em praias do Caribe e do Sudeste Asiático, disse Keystone. A melhor proteção: não ande descalço na praia; use sapatos de água, não sandálias. A infecção, se ocorrer, é hoje facilmente tratada com drogas antiparasitárias orais, como albendazol ou ivermectina.

Algumas infecções são transmitidas pela picada de mosquitos, como a malária, a dengue e a filariose, cujo risco muitas vezes pode ser reduzido pelo uso diligente de repelentes de insetos, que podem proteger contra vários transmissores de doenças.

Em uma entrevista, Keystone, que escreveu o capítulo sobre infecções de pele e tecidos moles em viajantes no guia de saúde de viagem do CDC, indica o uso da icaridina (picaridina) ou Diethyl Toluamide a 50 por cento, que podem fornecer até 10 horas de proteção. Ele disse que a icaridina é mais bem tolerada, cheira melhor e não é gordurosa.

O mais importante, afirmou ele, é usar o repelente regularmente, em especial durante as horas em que os mosquitos estão mais ativos, e aplicá-lo após o uso de protetor solar, não antes. Esses repelentes podem igualmente proteger contra mordidas de carrapatos, que aqui nos EUA e em outras partes podem carregar a doença de Lyme, entre outras.

Também é útil aplicar a permetrina em roupas e acessórios, incluindo calças, meias, botas e barraca, no caso de acampamento. Ou compre roupas pré-tratadas. A proteção vai durar várias lavagens.

Uma vez, voltei de um safári no Quênia com picadas de ácaros nas pernas, que coçavam muito e que foram adquiridas quando eu fotografava flamingos na beira de um lago tomada por altas ervas daninhas. Essas pequenas larvas, que ficam em folhas e galhos, também podem conter bactérias infecciosas que deixam as pessoas muito doentes, disse Keystone.

Amantes de praia que frequentam o Caribe e outras áreas arenosas (incluindo costas americanas) podem ser picados por pulgas da areia, tão minúsculas que raramente são vistas. Embora essas pulgas geralmente não causem mais do que uma coceira extrema, elas às vezes carregam um parasita que provoca a leishmaniose, que pode infectar órgãos internos, além da pele. O Diethyl Toluamide é um repelente eficaz contra pulgas de areia, mas também é bom evitar as praias logo após uma chuva.

Outras dicas úteis para evitar infecções relacionadas a viagens: não toque, manipule ou alimente animais, incluindo os selvagens, vira-latas e os de estimação de outras pessoas. Se possível, durma em um quarto com ar-condicionado ou com tela nas janelas e cubra a cama com um véu se for dormir em uma área ao ar livre.

Mesmo os viajantes mais conscientes não têm proteção total garantida contra a miríade de criaturas que os aguarda. Se seu destino de férias inclui áreas de malária, o repelente de insetos não é suficiente. Tomar um medicamento antimalárico é fundamental, o que deve ser iniciado antes de sua viagem. Para os viajantes de última hora, o Malarone pode ser uma boa escolha.

Por fim, bem antes de viajar, certifique-se de que suas vacinas estejam atualizadas. E, no caso de algum bicho mordê-lo ou infectá-lo, leve alguns itens de primeiros socorros, como lenços antissépticos, pomada antimicrobiana, creme anticoceira com pelo menos um por cento de hidrocortisona e talvez um produto antifúngico, especialmente se você for para áreas remotas.

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