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Suor, mãos inquietas e branco na memória: aprenda a disfarçar o nervosismo

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Imagem: iStock

Amanda Massarana

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-05-17T04:00:00

17/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • O nervosismo pode causar sintomas como suor, gesticulação em excesso e até gagueira, o que pode atrapalhar bastante a comunicação
  • Existem formas simples de lidar com isso, como usar camisetas por baixo da camisa, segurar uma caneta ou mesmo ensaiar muito o que precisa ser dito
  • O ensaio, inclusive, ajuda a pessoa a ter uma sensação de controle, agindo diretamente no nervosismo dela e ajudando no problema

O nervosismo pode surgir nas mais variadas situações e o que causa essa sensação em você pode ser diferente para o outro. Também pode ser variável a forma com que esse sentimento acaba transparecendo, fazendo com que algumas pessoas movimentem muito as mãos, outras transpirem em excesso e algumas até comecem a gaguejar, por exemplo.

Quando o problema chega a causar suor, tremores, taquicardia e confusão ao se expressar está relacionado com a ansiedade, que pode ser vista como um conjunto de respostas do nosso organismo para situações que são consideradas ameaçadoras para nós. Essas reações foram desenvolvidas ainda na época dos primatas, em busca da sobrevivência.

Em certos níveis e em determinadas situações, é possível controlar alguns sinais de nervosismo. Abaixo, algumas dicas para praticar e disfarçar a tensão:

1. Suor excessivo

Se você transpira demais em situações de tensão, a recomendação é usar uma camiseta de algodão por baixo da camisa social, se for possível na situação. Outra alternativa é usar uma roupa de cor e tecido que não apareça a mancha de suor. Nesse caso, logo pensamos em uma roupa preta, mas vale analisar se essa é uma cor que deixa você à vontade e confortável, ok?

2. Mãos inquietas

Para pessoas que mexem muito as mãos, a dica é segurar uma caneta, mas atenção: fuja das canetas de apertar na ponta, caso contrário, há uma grande chance de você descarregar sua tensão nesse mecanismo, e a outra pessoa é que vai ficar nervosa com o "tec, tec, tec".

3. Ter "branco" e esquecimento

Nesse caso, o melhor é carregar com você um papel que contenha as principais informações que precisa falar ou até, se a situação permitir, um bloco de notas.

4. Boca seca e tensão

Tenha um copo ou uma garrafinha de água com você nessas situações que sabe que ficará nervoso. Vai falar com o chefe? Diga bom dia, beba um gole de água para controlar a emoção, e fale o que planejou.

5. Gaguejar

Para essas inseguranças que surgem na fala quando ficamos nervosos, a solução é treinar e ensaiar para a situação em questão.

Como se preparar para momentos de tensão

Existem algumas estratégias para chegar mais preparado em uma conversa ou apresentação importante. Uma dessas formas é pensar em tudo o que você não pode deixar de falar. Se for preciso, escreva e leve com você as anotações. Da mesma forma, a fonoaudióloga Juliana Algodoal, doutora em Análise do Discurso em Situação de Trabalho pela PUC-SP (Potifícia Universidade Católica de São Paulo), destaca que é importante antes de algum momento de nervosismo em que você possa se preparar, pensar no que você espera que tenha acontecido ao final da situação, da conversa ou da apresentação. "Com essas duas perguntas, a pessoa vai refletir e manter o controle emocional", ela explica.

Se você falar com o seu chefe ou alguma figura de autoridade, logo ao agendar a conversa, avise sobre o que quer falar. Quando você faz isso, acaba tendo mais controle da situação. Você consegue planejar o início da reunião, por exemplo, e terá mais segurança. O contrário também funciona: se o seu chefe avisa que precisa conversar com você, pergunte qual o tema da reunião, se o ambiente de trabalho permitir. Assim, você também aproveita para chegar mais preparado.

Além disso, para conversas complicadas, reuniões, apresentações e discussões, quanto mais você puder chegar preparado e com as ideias organizadas, melhor. Então, vale planejar o que quer falar, pensar em frases que poderia usar e, dependendo do caso, até montar um texto completo.

"Tudo isso serve para a pessoa se sentir segura e controlar o nervosismo. Ela pode treinar em frente ao espelho, se gravar falando, treinar com o cachorro", brinca Algodoal. Em casos um pouco mais fora de controle, nos quais não é possível treinar, uma saída praticar a calma meditando e fazendo exercícios de respiração para se concentrar.

Tratamento especializado

Em alguns casos, esse nervosismo pode sair do controle e, assim, se faz necessário o acompanhamento de um especialista. O tratamento consiste em delimitar e mapear quais são os estímulos que geram essas situações de tensão demasiada. Com a ajuda de um psicólogo ou psiquiatra, essa pessoa é retirada parcialmente desse ambiente estressor para depois ser reinserida aos poucos.

Assim, se a pessoa não consegue falar com o chefe por ser muito desgastante, ela pode tentar começar a falar com um coordenador, testar formas de discutir com essa pessoa, maneiras de pedir mais prazo ou de dizer "não". Ela será guiada, de acordo com o psicólogo Alceu Martins Filho, a aprender a lidar com aquele mundo até conseguir ficar mais próxima do maior agente aversivo para ela, mas não a ponto de perder o controle.

"Se você vê uma ameaça muito grande naquele contexto, e acaba tendo contato com esse estímulo na hora errada, é o que basta pra isso virar uma ameaça, que pode se desdobrar em uma crise de pânico até", ele ressalta. Por isso, é importante passar por esse processo acompanhado por um profissional capacitado.

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