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Como lidar quando alguém faz algo que não gosto? Veja dicas e passos

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Imagem: iStock

Silvio Crespo

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-05-15T04:00:00

15/05/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Comunicar-se a alguém que sua atitude não agradou é complicado, no entanto a Comunicação Não Violenta ajuda a lidar com essas situações
  • É muito importante apontar a circunstância específica, dizer o que ela te faz sentir, o que você precisa e então fazer um pedido de ajuda à pessoa
  • Se ela não aceitar, pode ser que ela esteja precisando de mais empatia também

Se você se interessou por esta reportagem, provavelmente existe uma ou mais pessoas na sua vida com quem você acha difícil lidar. Pode ser um colega de trabalho, um parente, uma pessoa com diferenças ideológicas ou mesmo o cônjuge ou um grande amigo?

Como agir quando alguém faz algo que estimula em você sentimentos desconfortáveis, como raiva, ansiedade, tristeza ou decepção? Como fazer com que esses desconfortos não prejudiquem você, as suas amizades ou os seus relacionamentos?

Uma forma possível de lidar com esse tipo de situação é por meio de um processo chamado "comunicação não violenta", ou CNV. Trata-se de um modo específico de encarar os conflitos, de maneira que os envolvidos baixem a guarda em vez de se atacarem ou cortarem laços.

Parece impossível, mas é simples. O processo de aplicação da CNV é composto de quatro passos. Porém, eles não devem ser vistos como uma simples fórmula a ser seguida, explica o alemão Sven Fröhlich, que trabalha com CNV há 20 anos e já treinou cerca de 8.000 pessoas no Brasil.

Segundo ele, para o processo ser efetivo, é preciso ter real intenção de interagir com o outro sem julgá-lo. "O objetivo não pode ser mudar o outro, e sim compreendê-lo", afirma Fröhlich. Conheça abaixo dicas da CNV para te ajudar nessas situações difíceis de comunicação:

1. Observe a situação de forma objetiva

Quando alguém se comporta de uma maneira que você não gosta, é importante que você observe a situação de forma objetiva, e não de modo generalista. Por exemplo, em vez de dizer: "Você nunca ajuda a arrumar a casa" ou "seus relatórios estão sempre atrasados", é preferível ser específico e afirmar: "Tem um par de meias sujas na sala" ou "seus dois últimos relatórios foram entregues com cinco dias de atraso".

A consultora e especialista em CNV Thayna Meirelles, da Konekti, afirma que, quando as pessoas estão incomodadas com alguém, a tendência é que elas não façam observações objetivas.

E quando a gente julga e critica uma pessoa, ela vai se sentir mal, agredida, desvalorizada. "Quando a gente fala 'você nunca me ajuda', a pessoa vai pensar: 'ele não valoriza as vezes em que eu ajudei'", explica Meirelles. Dessa forma a comunicação nos afasta do que queremos.

2. Explique o sentimento que a ação da pessoa causou em você

O segundo passo consiste em entender qual foi o sentimento que a atitude da outra pessoa estimulou em você. Por exemplo: você chega em casa cansado do trabalho e quer relaxar, mas se depara com a louça suja na pia, deixada por uma pessoa que mora com você. Essa situação estimulou qual sentimento em você?

Pode ter estimulado ansiedade, pois você precisa descansar e agora descobriu que vai ter mais trabalho ainda. Nesse caso, segundo os princípios da CNV, quando você tem consciência de qual sentimento foi estimulado com a atitude do outro, e deixa isso claro para a pessoa, as chances de que ela ouça você e se disponha a colaborar aumentam.

Assim, juntando os passos 1 e 2, em vez de falar "Por que você nunca lava a louça?", é possível dizer: "Quando eu cheguei e vi que você não tinha lavado a louça, comecei a ficar ansioso porque eu estou cansado e preciso acordar cedo amanhã".

3. Entenda e explique suas necessidades

O sentimento nada mais é do que um alerta de como as minhas necessidades estão ou não sendo atendidas e é muito importante trazê-las para a discussão.

"Eu posso dizer: 'Estou cansada; será que você pode lavar a louça?'. E a pessoa pode pensar: 'Nossa, e eu não estou cansada?'. Você percebe que ainda não se criou uma conexão?", explica Meirelles. Já se você explica que precisa relaxar porque vai ter um dia difícil e está com medo de não dar conta, aumenta a chance de que a pessoa passe a colaborar com você.

4. Peça o que você precisa

Por fim, a pessoa precisa ter clareza do que você gostaria que ela fizesse. O problema é que muitas vezes a gente acha que está fazendo um pedido, mas está fazendo uma exigência. Essa postura, em vez de ajudar, acaba fazendo com que a pessoa não queira colaborar.

"Em um pedido, se a pessoa disser 'não', eu vou ficar bem com isso. Já se você se irrita com o 'não', então você não está fazendo um pedido, e sim uma exigência", afirma Meirelles.

E quando a pessoa nega o seu pedido?

Se você aplica os quatro passos e mesmo assim o outro nega o seu pedido, não significa que é para desistir daquilo que você precisa nem da relação com a pessoa. Segundo o princípio da CNV, o ideal é procurar entender o lado do outro e o que está por trás do "não".

"Quando a pessoa diz 'não', ela está dizendo: 'Existem outras coisas das quais eu quero cuidar; você quer saber quais são essas coisas?'", explica Meirelles. A partir daí você pode procurar compreender quais são as necessidades do outro.

Além de procurar entender o lado da pessoa, também vale a pena perguntar se ela tem alguma outra sugestão de como cooperar. "Assim a pessoa percebe que você realmente quer ouvi-la, que você não está fazendo uma exigência e sim pedindo uma ajuda e reconhecendo o lado dela. Aí a pessoa tende a amolecer e começa a co-criar uma solução junto com você", afirma a consultora.

Tirando a máscara
Fröhlich nota que para muitas pessoas é difícil praticar a CNV no começo porque elas não têm consciência do que estão sentindo. Reconhecer um sentimento desconfortável implicaria em reconhecer também alguma vulnerabilidade, o que é complicado para alguns.

"Por exemplo, se eu faço uma pergunta e a pessoa não me responde, eu posso ficar inseguro porque eu preciso de aceitação. Mas, para algumas pessoas, assumir que tem uma insegurança não corresponde à sua autoimagem. É mais fácil julgar e atacar a outra, porque assim ela se sente mais forte", afirma o especialista.

Porém, se você for se abrindo aos poucos e mostrando a sua vulnerabilidade, a tendência é que o outro se sinta seguro para também mostrar as vulnerabilidades dele, segundo Fröhlich. "Se eu me mostro vulnerável, os outros não sentem medo de mim e passam a tirar também as suas máscaras. Com isso, eu passo a ter relações mais verdadeiras, de confiança, e mais profundas e ao mesmo tempo mais leves".

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