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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


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Muito tempo sentado pode sabotar os benefícios do exercício

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Imagem: iStock

Gretchen Reynolds

Do New York Times

2019-05-05T04:00:00

05/05/2019 04h00

Passar a maior parte do dia na posição sentada pode nos tornar resistentes aos benefícios metabólicos usuais do exercício, de acordo com um novo estudo pequeno, mas preocupante. As descobertas, publicadas no periódico "Journal of Applied Physiology", sugerem que a inatividade pode alterar nosso corpo não só de um modo não saudável, mas também diminuindo os benefícios do exercício.

Sabemos, é claro, que a atividade física faz bem e que ser sedentário, em geral, não.

O exercício regular reduz o risco de doenças cardíacas, diabetes tipo 2 e muitas outras condições crônicas. Mesmo uma única sessão de atividade física pode melhorar nosso metabolismo, mostram estudos, para que queimemos gordura de forma mais eficiente após as refeições e mantenhamos nossos níveis de insulina e de açúcar no sangue estáveis.

A inatividade, no entanto, tem quase os efeitos fisiológicos opostos. As pessoas que passam a maior parte do dia sentadas enfrentam riscos elevados de muitas doenças crônicas. Elas muitas vezes também experimentam problemas metabólicos que aumentam o risco de diabetes e de doenças cardíacas, incluindo a resistência à insulina, o mau controle do açúcar no sangue e os altos níveis de triglicérides, os ácidos graxos vindos de alimentos que permanecem no sangue caso não sejam metabolizados.

Mas a relação biológica entre inatividade e exercício sempre foi intrigante. Ficar sentado é prejudicial porque não estamos nos exercitando quando nos encontramos nessa posição? Ou será que o estar sentado tem seus próprios efeitos em nosso corpo e, em caso afirmativo, estes poderiam de algum modo alterar ou mesmo eliminar as contribuições positivas do exercício?

Essas questões recentemente fizeram os cientistas da Universidade do Texas, em Austin, perguntarem a um grupo de dez estudantes de pós-graduação, saudáveis e fisicamente ativos, se poderiam passar um longo tempo no sofá ou na cadeira, sem se mover, por dias a fio.

Com esse experimento, os pesquisadores esperavam descobrir mais sobre os efeitos separados e conjuntos da inatividade e do exercício sobre o metabolismo de pessoas saudáveis, e se um poderia ofuscar os efeitos do outro.

Eles começaram verificando a saúde e a aptidão aeróbica dos dez jovens, homens e mulheres, que se voluntariaram e que usaram monitores de atividade para medir quanto normalmente se mexiam.

Em seguida, pediram aos voluntários que parassem de se movimentar tanto e se limitassem a menos de quatro mil passos por dia e pelo menos 13 horas imóveis.

Os voluntários assim o fizeram, sentados, quase ininterruptamente, por quatro dias seguidos.

Eles também mudaram sua dieta levemente, consumindo menos calorias, de modo que não ganhassem peso, o que poderia ter mudado seu metabolismo.

Em seguida, na manhã do quinto dia, os voluntários visitaram o laboratório de desempenho humano da universidade. Lá, receberam um grande milk-shake como café da manhã.

A ideia, diz Edward Coyle, professor de cinesiologia na UT-Austin e autor do novo estudo, era ver como o metabolismo deles responderia a essa refeição cheia de gordura e açúcar após dias da ociosidade forçada.

Assim, os pesquisadores monitoraram triglicérides, insulina e açúcar no sangue nas seis horas seguintes.

Finalmente, pediram que os voluntários repetissem o experimento de quatro dias sentados, solicitando mais uma vez que ficassem quase completamente sedentários.

Mas, dessa vez, na noite do quarto dia, os voluntários se exercitaram, correndo por uma hora em esteiras no laboratório.

Na manhã seguinte, voltaram e tomaram o mesmo milk-shake de antes. Os pesquisadores examinaram outra vez os níveis de ácidos graxos e de açúcar no sangue. Em seguida, compararam os resultados metabólicos após cada sessão de sedentarismo prolongado.

Descobriu-se, sem surpresa, que quatro dias de exercício praticamente zero tinham deixado os alunos com um metabolismo um pouco lento e sobrecarregado. Mesmo horas após o café da manhã, eles apresentaram altos níveis de triglicérides e açúcar no sangue e baixa sensibilidade à insulina.

E o mais desencorajador: o exercício não pareceu ajudar. O nível de triglicérides e de açúcar no sangue dos alunos não estava melhor na parte da manhã depois da corrida.

Esses resultados sugerem que ser sedentário por longos períodos de tempo pode criar condições no nosso corpo "que nos tornam resistentes às melhorias metabólicas habituais após o exercício agudo", diz Coyle.

Em outras palavras: se passamos muito tempo sentados, nosso exercício pode perder seus benefícios esperados.

Porém esse estudo foi pequeno, de curto prazo e estreitamente focado. Ele não pode nos dizer se diferentes quantidades de tempo na posição sentada - digamos, 10 horas por dia, ou cinco, ou 15 - ou de exercício podem afetar nosso metabolismo de forma diferente. Também envolveu apenas voluntários saudáveis, jovens e ativos.

E não explica como a inatividade pode estar minando os benefícios do exercício, embora Coyle suspeite que o longo período de sedentarismo aumenta a produção de certas substâncias bioquímicas indesejáveis no corpo e dificulta a liberação de outras substâncias benéficas que normalmente seriam produzidas durante o exercício.

Ele e seus colegas esperam explorar algumas dessas questões em estudos futuros. Mas, mesmo agora, diz ele, os dados indicam que "é uma boa ideia não passar o dia inteiro sentado".

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