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Adulto com paladar infantil? 7 dicas simples para melhorar sua alimentação

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Imagem: iStock

Diego Garcia

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-04-23T04:00:00

23/04/2019 04h00

Resumo da notícia

  • A aversão a vegetais e frutas é comum, mas pode levar o desenvolvimento de diversos problemas de saúde, como colesterol alto e anemia
  • A alta seletividade de alimentos pode ser também um distúrbio mais grave e levar a problemas de socialização
  • Pensar em apresentações diferentes para os alimentos e experimentar mais vezes são dicas para reduzir esse problema

Quem não tem um amigo que é chato para comer? É comum encontrar pessoas que têm dificuldade para consumir verduras, legumes ou frutas, o famoso "adulto com paladar de criança". O problema é que essas pessoas acabam, em geral, eliminando do cardápio alimentos importantes para a saúde como frutas e vegetais. Limitar muito ou até mesmo excluir o consumo de certos grupos alimentícios pode predispor a deficiências nutricionais.

Os especialistas entrevistados pelo UOL VivaBem alertam que uma série de problemas podem estar ligados a este quadro alimentar: quadros de anemia, alterações cardiovasculares por aumento de triglicérides e colesterol, entre outros problemas metabólicos. Além disso, a prática pode trazer complicações sociais, quanto o indivíduo começa a se isolar por conta da sua restrição alimentar, recusando convites para comer, confraternizar e socializar ou ainda ter algum outro transtorno envolvido.

Dicas para mudar essa situação

Se o caso não for tão grave a ponto de envolver ajuda psicológica, dá sim para mudar hábitos alimentares. No entanto, isso requer interesse, esforço e paciência. A inserção de alimentos tende a ser lenta e gradativa. Veja abaixo algumas dicas:

1. Aposte nas misturas

Inicialmente você pode misturar o novo alimento junto a outro considerado habitual. Por exemplo, adicionar hortaliças à omelete, ao frango/carne moída, ao arroz.

2. Insista e prove de formas diferentes

Tente ter contato com um alimento pelo menos 10 vezes, provar o alimento repetidamente pode elevar as chances de aceitação. Vale considerar apresentações criativas e distintas de um mesmo alimento a cada prova (seja cru, cozido, assado, liquidificado, em receitas de bolo ou suflê, por exemplo).

3. Vá aos poucos

Introduza gradualmente sabores novos ao repertório. Uma maneira de fazer isso é incluir semanalmente um alimento que nunca foi experimentado.

4. Mude a apresentação

Se há dificuldade em comer frutas, elas podem ser ingeridas como sucos. Além de sais minerais, os sucos contêm vitaminas das frutas e trazem uma série de benefícios para o corpo.

5. Participe de todo o processo

Envolver-se com o processo de escolha e preparo das refeições pode ser bastante interessante: experimente cozinhar em casa, frequente a feira para ver os alimentos, sentir aromas e provar sabores.

6. Não gosta de salada? Vá de frutas!

Quem não come saladas, pode ingerir um copo de suco de frutas, até mesmo misturando vegetais, meia hora antes da refeição. Além dos benefícios do suco, vai ajudar a absorver mais os nutrientes da refeição.

7. Procure ajuda

Entenda que em certos casos, a rejeição a determinados alimentos poder ser proveniente de experiência traumática ou mesmo emoções/vivências negativas anteriores relacionadas ao alimento (ex. intoxicação alimentar). Em casos severos, o auxílio psicológico será extremamente importante.

Qual a dificuldade em provar coisas novas?

Para muitas pessoas com paladar infantil, a questão realmente começa na infância: faltou a formação de um repertório alimentar mais amplo nessa fase. Muitas vezes por inabilidade, os pais ou responsáveis pela alimentação dos filhos, não incluem no cardápio das crianças frutas e vegetais.

É bastante comum também que isso esteja relacionado com a memória afetiva que a pessoa tem com a comida. No caso dos alimentos ricos em carboidratos, elas apresentam memórias e sensações positivas e prazerosas com essa prática alimentar. O mesmo não acontece com os vegetais, por exemplo, o que faz com que haja a rejeição.

Muitas vezes a seletividade alimentar é considerada um distúrbio alimentar, devido aos prejuízos ao dia a dia que ela traz, e existem até estudos buscando entender a explicação do problema. Até o momento, o que se sabe é que alguns possuem uma neofobia alimentar, ou seja, o medo de experimentar novos alimentos. A escolha é baseada pela textura, sabor e em alguns casos também é associada a uma memória afetiva que as pessoas possam com as comidas.

Alguns casos extremos de rejeição alimentar podem lembrar o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC), indivíduos que não comem nada de determinada cor, cheio, textura ou aspecto. Muitas vezes somente um nutricionista ou nutrólogo ajuda na reintegração alimentar, mas em outros casos, a ajuda de um psiquiatra pode ser necessária.

Fontes: Arthur Kaufman, psiquiatra a nutrólogo, professor do Departamento de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo), coordenador do Prato (Programa de Atendimento ao Obeso) do Instituto de Psiquiatria HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP); Lívia Beraldo de Lima, psiquiatra e assistente da enfermaria de controle de impulsos do IPq (Instituto de Psiquiatria da USP); Clarissa Hiwatashi Fujiwara, nutricionista e membro do Departamento de Nutrição da Associação Brasileira do Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (ABESO); Maria Cecília Corsi, nutricionista e culinarista.

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