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Brasileiros criam método que desinfeta órgãos e pode aumentar transplantes

Cristina Kurachi/Agência Fapesp
Pulmão de porco recebe banho de radiação vermelha para inativação de vírus Imagem: Cristina Kurachi/Agência Fapesp

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-04-11T04:00:00

11/04/2019 04h00

Pesquisadores do Brasil e Canadá desenvolveram uma nova técnica que usa a radiação ultravioleta para descontaminar órgãos infectados com vírus e bactérias, para que eles possam ser usados em transplantes. O método, recentemente publicado na revista científica Nature, já elevou em 100% o número de transplantes no Canadá.

Em entrevista exclusiva ao UOL VivaBem, o médico gaúcho Marcelo Cypel, diretor cirúrgico do maior programa de transplantes de órgãos da América do Norte, situado na University Health Network, em Toronto (Canadá), explicou que os pulmões de pacientes enfermos, portadores de hepatite C, por exemplo, eram descartados porque havia uma grande chance de transmissão do vírus para o receptor.

No novo método, feixes de luz ultravioleta são usados para "matar" o vírus da hepatite C, o que permite transplantar os pulmões de doadores infectados. A técnica foi desenvolvida em 2018, primeiramente para tratar pulmões. No entanto, já está sendo adaptada para outros órgãos, como fígado e rins, eliminando vários tipos de vírus e bactérias.

"Um doador de órgãos que testa positivo para hepatite C hoje em dia pode ser um doador de pulmão, o que não era possível no passado. Isso pode minimizar um dos grandes problemas para o transplante, que é haver muito mais pessoas que precisam de órgãos do que doadores disponíveis", comentou o médico brasileiro que vive no Canadá há 15 anos.

Como é o procedimento

  • O pulmão "doente", infectado com o vírus da hepatite C, é colocado em uma máquina de perfusão antes de ser transplantado;
  • Dentro de um incubador, o órgão recebe antibióticos, anti-inflamatórios e anticoagulantes;
  • Após algumas horas, o pulmão que seria descartado está recuperado.
  • Antes do transplante ainda é necessário aplicar a técnica de esterilização por irradiação ultravioleta, ou seja, esta luz emitida consegue quebrar o genoma dos vírus, desativando-os e tornando o pulmão "utilizável".

"Esta técnica é revolucionária, pois ajuda a evitar a transmissão de doenças durante os transplantes. O órgão não é agredido, não há substâncias que irão prejudicá-lo", comentou Vanderlei Bagnato, diretor do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) e parceiro na criação do método por meio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Método deve ser usado no Brasil em breve

Por enquanto, a técnica biofotônica está sendo usada apenas para transplante de pulmão em Toronto. "Aqui no Brasil, tão logo estaremos realizando o mesmo procedimento em rins e fígado", disse Bagnato.

Segundo a ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos), 32.716 pacientes aguardam um transplante de rim, fígado, coração, pulmão pâncreas ou córnea no país. A lista de espera para receber um rim é a maior de todas, com quase 22 mil pessoas na fila.

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