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O que pode ser?

A partir do sintoma, as possíveis doenças


O que pode ser?

Você ronca e já acorda cansado? Pode ser apneia do sono: veja como tratar

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Síndrome da apneia obstrutiva do sono traz consequências à saúde e bem-estar da pessoa Imagem: iStock

Tatiana Pronin

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-04-02T04:00:00

02/04/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Apneia noturna ocorre quando as vias aéreas ficam obstruídas
  • Com isso, a passagem de ar é dificultada, provocando paradas respiratórias
  • Estudos indicam que a condição afeta de 33% a 35% da população brasileira
  • Doença aumenta o risco de hipertensão, diabetes, depressão e derrame
  • A prevalência é maior em adultos, especialmente após os 65 anos de idade
  • Obesidade também é um dos fatores de risco que causam esse distúrbio do sono

Quase todo mundo deixa de respirar por alguns segundos durante o sono, sem sofrer qualquer dano. Na maior parte das vezes, isso ocorre porque as vias aéreas ficam obstruídas e a passagem de ar é dificultada. Já se essas paradas respiratórias ocorrerem várias vezes enquanto a pessoa dorme, é possível que ela sofra da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), um problema que pode ter consequências negativas não só para o bem-estar ao longo do dia como também à saúde no geral.

Prevalência

O problema é bem mais frequente do que se imagina: estudos indicam que a condição afeta de 33 a 35% da população brasileira, sendo que muita gente nem desconfia que tem. Segundo especialistas, isso acontece porque a anatomia do ser humano facilita o problema --temos uma garganta estreita e um queixo mais projetado para trás em relação a outros animais. A obesidade e o envelhecimento são fatores que aumentam o risco.

A prevalência é maior em adultos, especialmente após os 65 anos de idade. É mais comum entre os homens, mas após a menopausa as mulheres passam a ter o mesmo risco. Entre as crianças, acomete de 3 a 15% da população, independente do sexo. Entre indivíduos obesos, 60% têm a síndrome.

Complicações

Além de prejudicar a oxigenação, as interrupções respiratórias levam a pessoa a despertar sem perceber diversas vezes durante a noite. Resultado? Cansaço e sonolência durante o dia, falta de produtividade e até de libido.

Mas as consequências a longo prazo são a maior preocupação dos especialistas em sono: a apneia obstrutiva do sono aumenta muito o risco de hipertensão, diabetes, depressão, doença arterial coronariana e de morte por infarto ou derrame. Ainda existem estudos que associam a falta de sono reparador à dificuldade para perder peso e até maior risco de demências.

Relação entre ronco e apneia

O ronco é a vibração dos tecidos das vias aéreas (ou mais especificamente do palato mole) diante da passagem do ar. Quanto maior o esforço para respirar e a flacidez desses tecidos, mais barulhento será o ronco. A obstrução pode causar uma apneia completa ou apenas parcial (hipopneia). Por isso, o ronco pode ser um sinal da síndrome da apneia obstrutiva do sono, mas nem sempre está relacionado a ela. Ou seja: nem todo mundo que ronca tem apneia, mas muita gente com apneia ronca.

Aqui vale um alerta: quem ronca alto ou sofre de cansaço e sonolência diurnos sem razão aparente deve consultar um profissional de saúde. A medicina do sono é uma área de atuação que envolve diferentes especialistas, como neurologistas, otorrinolaringologistas e pneumologistas, entre outros.

Sinais e sintomas

Os mais comuns são:

  • Ronco alto e frequente;
  • Ronco irregular (porque há paradas respiratórias);
  • Engasgos durante o sono (que fazem a pessoa acordar ou não);
  • Sonolência e cansaço durante o dia.

Também pode haver:

  • Dor de cabeça ao acordar;
  • Sono agitado;
  • Aumento da vontade de urinar durante a noite;
  • Boca seca ou sede ao acordar;
  • Perda de produtividade.

Condições que podem ser causadas ou agravadas pela apneia do sono:

  • Irritabilidade;
  • Depressão;
  • Ansiedade;
  • Problemas de libido;
  • Dificuldade de aprendizado;
  • Problemas de memória ou concentração;
  • Agravamento da asma;
  • Síndrome metabólica;
  • Diabetes;
  • Hipertensão;
  • Problemas no coração (como arritmias);
  • Doença cardiovascular, como infarto ou derrame.

Causas e fatores de risco

A apneia do sono pode ser causada pela estrutura física ou por condições que afetam a saúde da pessoa. Com frequência, há mais de um fator de risco em jogo, como os seguintes:

  • Obesidade: quando a pessoa engorda, também há depósitos de gordura nas estruturas que envolvem a faringe e a língua, reduzindo o espaço para a passagem de ar. O ganho de peso é considerado um dos principais fatores de risco para a síndrome;
  • Alterações anatômicas: o aumento da amídala e das adenoides é a causa mais comum de apneia entre as crianças. Retrognatismo (mandíbula inferior diminuída, ou queixo para trás), aumento da circunferência do pescoço, desvio do septo nasal, pólipos nasais ou hipertrofia dos cornetos (estruturas do nariz) também podem provocar obstruções;
  • Congestão nasal: quadros infecciosos ou crônicos, como a rinite alérgica, podem facilitar a apneia;
  • Idade: com o envelhecimento, os tecidos da orofaringe tendem a ficar mais flácidos, facilitando as obstruções, por isso o risco aumenta entre indivíduos com mais de 65 anos;
  • Uso de álcool: a bebida alcoólica aumenta o relaxamento dos músculos da boca e da garganta e também pode interferir no controle do cérebro sobre os músculos envolvidos na respiração;
  • Fumo: o hábito causa a inflamação das vias aéreas superiores e também pode interferir nos mecanismos cerebrais envolvidos na respiração;
  • Uso de calmantes, relaxantes musculares ou opioides: esses remédios relaxam os músculos da boca e da garganta, bem como o controle do cérebro sobre os músculos da respiração;
  • Genética: algumas pessoas podem ter uma predisposição familiar à apneia. Também há certos genes envolvidos no risco mais alto de obesidade e inflamação.

Diagnóstico

Para avaliar uma suspeita de apneia do sono, é comum o médico questionar sobre a qualidade do sono, queixas sobre ronco e cansaço diurno, além de examinar a circunferência do pescoço, o interior do nariz e as mandíbulas.

A condição só pode ser confirmada com a realização da polissonografia, um exame em que a pessoa dorme com vários sensores ligados ao corpo para registro do fluxo respiratório, da atividade elétrica cerebral, da frequência cardíaca, da oxigenação do sangue e dos movimentos do corpo.

Em geral, é necessário que o paciente durma no laboratório, embora hoje existam versões simplificadas que permitem uma triagem inicial em casa.

Dependendo do resultado do exame, a síndrome pode ser classificada como:

  • Leve: de cinco a 14 apneias por hora;
  • Moderada: de 15 a 29 apneias por hora;
  • Grave: 30 ou mais apneias por hora.

Outros exames podem ser solicitados para investigar as causas ou complicações do problema, como radiografias, avaliação com dentista ou exames de sangue.

Tratamento da apneia do sono

O tratamento deste distúrbio do sono depende da causa e da gravidade do quadro, e costuma ser multidisciplinar. Muitas vezes, medidas como perda de peso, orientações para dormir de lado ou exercícios fonoaudiológicos são suficientes para evitar a apneia nos casos mais leves.

Em outros, são necessárias medidas como o uso de aparelhos na boca ou de máscaras que facilitam a respiração durante o sono. Alguns pacientes ainda podem precisar de cirurgia, o que é mais comum entre as crianças com problemas nas amídalas ou adenoides.

Principais abordagens utilizadas para controlar a síndrome

  • Mudanças no estilo de vida: exercícios físicos e dietas são medidas essenciais para quem está acima do peso e sofre de apneia. Parar de fumar, evitar o uso de álcool à noite e de certos medicamentos para dormir, além de se policiar para dormir sempre de lado (e não de barriga para cima) também são orientações importantes;
  • Terapia com fonoaudiólogo: exercícios específicos para fortalecer os músculos que envolvem a língua, a faringe e a face pode trazer bons resultados para alguns casos de ronco e apneia;
  • Controle de certas doenças: o tratamento de problemas hormonais ou crônicos, como a rinite alérgica, bem como a substituição de medicamentos, como aqueles utilizados contra insônia, podem ser necessários para evitar a apneia;
  • Aparelhos intraorais: eles ajudam a reposicionar a mandíbula inferior, a fim de manter as vias aéreas desobstruídas durante a noite. Existem várias modalidades no mercado, mas os mais eficazes são aqueles moldados para cada paciente e tituláveis. Ou seja, por meio de uma engrenagem posicionada no aparelho, o posicionamento é ajustado aos poucos até que não haja mais ronco e apneias. O tratamento ainda não é coberto por planos de saúde ou SUS (Sistema Único de Saúde);
  • Aparelhos de pressão positiva: o CPAP (Aparelho de Pressão Positiva Contínua) é considerado o tratamento padrão para a síndrome de apneia obstrutiva do sono moderada a grave. O equipamento mantém a via aérea desobstruída por meio da passagem constante de ar a uma certa pressão, com uma máscara (geralmente nasal) que deve ser adaptada ao formato do rosto do paciente. É importante que o paciente realize testes para determinar a pressão e a máscara mais indicadas para o seu caso. Existem diferentes opções de aparelhos no mercado, com diversos tamanhos e materiais, e nem todas são cobertas pelo SUS ou pelos planos de saúde. Embora pareça desagradável dormir toda noite com uma máscara, em geral os pacientes sentem uma melhora tão grande na qualidade de vida que aderem bem ao tratamento.
  • Cirurgia: a retirada da amídala e/ou adenoides pode solucionar boa parte dos casos de apneia do sono em crianças. Já em adultos as cirurgias são indicadas em casos mais específicos, como desvios de septo nasal ou presença de pólipos. Para pacientes com determinadas doenças graves, o último recurso é a traqueostomia (procedimento cirúrgico que abre um orifício e leva o ar diretamente à traqueia por meio de uma cânula).

Como ajudar quem sofre de apneia

Familiares têm um papel importante para o diagnóstico e tratamento da apneia, já que muitas vezes a própria pessoa não percebe que ronca ou que tem paradas respiratórias. Muitas vezes, o tratamento requer mudanças de hábitos, o que não é fácil.

Fazer dieta e exercícios é sempre mais fácil quando a família toda participa. O tratamento também pode envolver rotinas que exigem adaptação, principalmente no início, como dormir no laboratório algumas vezes, usar os aparelhos toda noite e cuidar da manutenção deles é mais fácil quando há o apoio de alguém.

Dicas de prevenção da apneia do sono

  • Mantenha o peso sob controle;
  • Pratique exercícios físicos com regularidade;
  • Evite o consumo de álcool à noite;
  • Pare de fumar;
  • Evite dormir de barriga para cima;
  • Se estiver roncando muito, procure um especialista.

Fontes: Geraldo Lorenzi Filho, pneumologista especialista em medicina do sono e ex-presidente da Associação Brasileira do Sono; Lucila Bizari Fernandes do Prado, pediatra e especialista em medicina do sono e de tráfego do Setor Neuro-Sono da Disciplina de Neurologia da EPM/Unifesp (Escola Paulista de Medicina/Universidade Federal de São Paulo); Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH); Ministério da Saúde.

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