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Intestino de pacientes com câncer colorretal tem bactérias diferentes

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A identificação das bactérias é uma estratégia diagnóstica e terapêutica para o câncer colorretal, que tem alto índice de cura quando identificado precocemente Imagem: Getty Images

Do UOL VivaBem, em São Paulo

2019-04-01T13:00:00

01/04/2019 13h00

Resumo da notícia

  • O intestino de pacientes com câncer colorretal possui microorganismos diferentes daqueles que colonizam o microbioma de indivíduos saudáveis
  • Os resultados sugerem que a identificação de certos tipos de bactérias poderia funcionar como biomarcador para o câncer, ajudando no diagnostico
  • Mais estudos ainda são necessários para estabelecer se esses biomarcadores podem identificar quem tem risco elevado de câncer e fornecer a prevenção

Um novo estudo mostrou que o intestino de pessoas com câncer colorretal é habitado por bactérias diferentes das que colonizam o órgão de indivíduos saudáveis. A pesquisa foi realizada por pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo), do A.C.Camargo Cancer Center e da Universidade de Trento, na Itália, e publicada no periódico Nature Medicine nesta segunda-feira (1).

Os resultados sugerem que a identificação de certos tipos de bactérias poderia funcionar como biomarcador para o câncer colorretal, ajudando a diagnosticar a doença de formas não invasivas. Os cientistas inclusive desenvolveram modelos de máquinas capazes de distinguir a microbiota de pacientes com tumor. "Os testes atuais de triagem pré-colonoscopia clínica permanecem mais baratos, mas os modelos de predição de câncer baseados em microbioma permitem um potencial diagnóstico muito alto", escrevem os pesquisadores.

"O achado permite alta acurácia no diagnóstico precoce, em combinação com exame de sangue oculto nas fezes, ilumina um caminho seguro para novas investigações", afirma Andrew Thomas, um dos principais autores do estudo.

Entretanto, os cientistas dizem que mais estudos ainda são necessários para estabelecer se esses biomarcadores podem identificar indivíduos com risco elevado de câncer e fornecer a possibilidade de prevenção da doença. De acordo com Nicola Segata, que também atuou no estudo, "é necessário considerar populações geográfica e culturalmente diversas para se obter assinaturas das microbiotas globalmente associadas ao câncer colorretal".

Como o estudo foi feito

  • Os pesquisadores estabeleceram um painel de 16 microorganismos associados ao câncer de colorretal e suas assinaturas metabólicas, que têm um poder preditivo para a doença.
  • A equipe analisou material genético em amostras extraídas das fezes de 969 pessoas identificadas em grupos com e sem câncer. Foram usadas amostras de populações da Alemanha, França, Itália, China, Japão, Canadá e Estados Unidos.
  • Após a análise, eles descobriram que os indivíduos com esse tipo de câncer tinham certos tipos de bactérias no intestino que pessoas saudáveis não tinham. A descoberta os permitiu identificar prováveis biomarcadores para a doença.

Prevenção e detecção precoce

Por ter uma forte associação a hábitos alimentares, o câncer colorretal é um tipo que pode ser prevenido. O próprio exame de colonoscopia, indicado para diagnóstico e rastreamento, também possui um caráter preventivo - quando pólipos são encontrados, eles podem ser removidos antes de evoluir para um tumor maligno. Além disso, a doença costuma evoluir lentamente, o que favorece o tratamento do câncer. Veja abaixo como se prevenir:

  • Tente limitar o consumo de carne vermelha a no máximo duas vezes por semana, ou 300 gramas semanais. Procure evitar carnes processadas, como embutidos
  • Consuma ao menos cinco porções diárias de frutas, verduras e legumes, e dê preferência aos cereais integrais. As fibras desses alimentos favorecem o trânsito intestinal, evitando que a mucosa fique mais tempo exposta a eventuais toxinas, mas não há evidência de que usar suplementos com esse fim tenha papel protetor
  • Pratique atividades físicas regularmente
  • Evite o consumo de álcool
  • Não fume
  • Mantenha o peso sob controle
  • Procure o médico sempre que detectar alterações nas fezes ou no hábito intestinal
  • O exame de colonoscopia deve ser realizado a partir dos 50 anos de idade, ou a partir dos 40 anos em caso de histórico de câncer na família. Os resultados determinam com que regularidade ele deve ser repetido. Lembre-se que o procedimento também funciona como preventivo contra o câncer colorretal

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