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Existem mesmo superalimentos? Entenda por que eles não são tão milagrosos

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Itens classificados como superalimentos, como gojiberry, matchá, nibs de cacau, entre outros Imagem: iStock

Wivian Maranhão

Colaboração para o UOL VivaBem

2019-04-01T04:00:00

01/04/2019 04h00

Resumo da notícia

  • É muito comum ouvir as pessoas falando em superalimentos, mas na ciência não existem ingredientes que sejam assim tão potentes
  • O superalimento é muito mais um conceito de marketing, mas é mais fácil obter benefícios à saúde tendo uma dieta equilibrada e variada
  • Os alimentos funcionais, por outro lado, são classificados pela Anvisa e possuem quantidades interessantes de nutrientes específicos

Açaí, gojiberry, chia, linhaça, suco de romã, mirtilo, água de coco. Esses são apenas alguns exemplos de alimentos que, nos últimos anos alçaram à categoria de superalimentos.

Em outras palavras, itens considerados portadores de superpoderes, capazes de operar verdadeiros milagres quando se fala, sobretudo, em emagrecimento, longevidade, beleza e prevenção de doenças. Mas será que um alimento tem mesmo tanto poder?

De acordo com os especialistas, não é bem assim... Segundo o nutrólogo Durval Ribas Filho, presidente da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), esses produtos não têm propriedades extraordinárias comprovadas, embora tenham sim nutrientes dos quais podemos nos beneficiar. "Alguns podem ser incluídos em uma dieta balanceada, mas a pessoa precisa saber que ele não faz milagre sozinho, isso não existe", frisa.

E não se iluda, de nada adianta bater continência todo dia, diante do menu mais turbinado do mundo e fumar dois maços de cigarro por semana, abusar das bebidas alcoólicas ou mesmo levar uma vida sedentária. Saúde e bem-estar estão atrelados a hábitos saudáveis e à prática de atividades físicas.

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Mas de onde surgiram os superalimentos?

Em linhas gerais, especialistas entendem que essa classificação de superalimentos nada mais é do que o resultado de um somatório de fatores. O primeiro é a preocupação efetiva da sociedade com o que vem sendo colocado no prato. "Não é de hoje que a ciência comprova o papel da nutrição na manutenção da saúde e prevenção de doenças, mas faz pouco tempo que a população passou a se preocupar, de maneira efetiva, com seus hábitos alimentares", reflete Janainna Mazelli, nutricionista da área de oncologia do Hospital Sírio Libanês.

A indústria se aproveita desse movimento a favor da saúde para superestimar o poder de determinados alimentos, utilizá-los em seus produtos alimentícios e, com isso, gerar um maior engajamento nas vendas.

Para fechar esse quebra-cabeça, temos o marketing, a mídia e o boom dos influenciadores digitais que ditam tendências e ajudam a propagar com velocidade tais "soluções rápidas e sedutoras".

São modas e cada vez surge uma nova. E quanto mais se estuda sobre isso mais se sabe que uma alimentação equilibrada e comum, desde que variada, é o que garante todos esses benefíciosErica Fernanda, nutricionista do Hospital 9 de Julho

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Custo-benefício na berlinda

O problema é que todo esse marketing torna a dieta considerada saudável muito cara: itens como goji berry, quinoa e linhaça acabam sendo vendidos por preços bem altos, sobretudo porque alguns deles são importados.

No entanto, vale mais a pena investir naqueles alimentos do nosso dia a dia e variar bastante a dieta. "No dia a dia, no cotidiano, o nosso país tem uma oferta tão diversificada: frutas, verduras e vários outros alimentos em todas as regiões podem oferecer os nutrientes necessários", lembra Fabiana Poltronieri, nutricionista e conselheira do CRN-3 (Conselho Regional de Nutricionistas 3ª região).

Um bom exemplo é o gojiberry: de fato o item possui 19 aminoácidos, 21 minerais, 22 polissacarídeos e triptofano, entre outros nutrientes. No entanto, o açaí tem propriedades semelhantes, é uma fruta brasileira e traz diversos benefícios à saúde também.

Outro investimento interessante são os alimentos funcionais. Eles são classificados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) como "alimentos com alegação de propriedades de saúde ou funcional aprovada" se contarem com ingredientes fontes de:

  • Fibras, como inulina, fruto-oligossacarídeos, polidextrose, dextrina resistente, betaglucana, entre outros;
  • Fitoesteróis;
  • Probióticos (microrganismos que contribuem para o equilíbrio da flora intestinal);
  • Ácidos graxos ômega 3.

Nesses requisitos estão englobados itens naturais como a linhaça, aveia e chia. Entram ainda alimentos que contenham quitosana, psyllium e produtos com proteína de soja.

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