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Manganês eleva risco de Parkinson; descoberta facilita diagnóstico precoce

Getty Images
Imagem: Getty Images

Do UOL VivaBem, em São Paulo

2019-03-15T15:04:07

15/03/2019 15h04

Resumo da notícia

  • Um novo estudo detalha o mecanismo por trás da relação entre a exposição ao manganês e o mal de Parkinson
  • O manganês pareceu acelerar a transmissão célula a célula da alfa-sinucleína, o que, por sua vez, levou à neurotoxicidade
  • As descobertas podem levar a uma detecção precoce da doença e melhores resultados de tratamento para os pacientes

Uma nova pesquisa detalhou o mecanismo por trás da relação entre a exposição excessiva ao manganês e o risco elevado de ter Parkinson. A descoberta pode permitir, no futuro, o diagnóstico precoce da doença. Segundo os autores, as ligações entre o manganês e os distúrbios neurológicos foram notadas desde os anos 50, devido à tendência do manganês se acumular nos tecidos cerebrais, mas essa foi a primeira vez que os cientistas explicaram como isso funciona.

Publicado no periódico Science Signaling, o estudo mostrou que quantidades de manganês, presente em leguminosas, abacaxis, feijão, nozes e grãos, são necessárias para o bom funcionamento do corpo humano, já que ajuda na regulação do açúcar no sangue, na formação óssea e na imunidade.

O problema é que, quando essa exposição é excessiva, o metal combina com uma proteína no cérebro chamada alfa-sinucleína, facilitando sua disseminação. Isso induziu sintomas semelhantes aos de Parkinson nos camundongos estudados. De acordo com os especialistas, o manganês pareceu acelerar a "transmissão célula-célula" da alfa-sinucleína, o que, por sua vez, levou à neurotoxicidade.

Já é sabido que a doença de Parkinson é caracterizada por aglomerados formados pela proteína alfa-sinucleína que são tóxicos para os neurônios.

Os resultados podem ajudar os cientistas a criar um novo teste de diagnóstico para o mal de Parkinson que possa detectar a doença muito antes. Além disso, a descoberta abre um caminho para que os pesquisadores testem a eficácia das novas drogas para a doença.

"À medida que a doença avança, é mais difícil retardá-la com tratamentos", diz Anumantha Kanthasamy, um dos autores do estudo. "A detecção precoce, por meio de testes de excessos de alfa-sinucleína, pode levar a melhores resultados para os pacientes e indicar se alguém está em risco antes do início da doença".

No entanto, os autores do estudo também alertam que seus resultados ainda são experimentais, e que tal teste diagnóstico pode não estar disponível por anos.

Como o estudo foi feito

  • O estudo se baseou em dados coletados de camundongos, bem como amostras de sangue de oito soldadores fornecidos por médicos da Penn State University. A pesquisa também examinou um grupo de controle de 10 pessoas.
  • O estudo concluiu que os soldadores expostos ao manganês tinham mais alfa-sinucleína e consequentemente maior risco de desenvolver os sintomas de Parkinson.
  • Os cérebros de camundongos que foram expostos ao manganês revelaram que o metal acelerou a transmissão célula-célula da alfa-sinucleína, levando à neurotoxicidade. Isso induziu sintomas semelhantes aos de Parkinson nos animais.

Café pode prevenir

Apesar de haver um tratamento sintomático, não existe ainda uma cura para o Parkinson. "Por isso é importante agir antes e ficar de olho nos fatores neuroprotetores que estão sendo estudados", diz a médica geriatra Maira Tonidandel Barbosa*, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A geriatra afirma que a cafeína (de 80 mg a 200 mg por dia) tem efeito neuroprotetor e pode diminuir os riscos de doença de Parkinson. "A nicotina também, mas obviamente não a recomendamos. Alguns ainda sugerem ácidos graxos e vitaminas em doses maiores, mas por enquanto nada é muito certo. A única coisa que temos certeza é que a atividade física e bons hábitos de vida são ótimos meios de se proteger dessas doenças neurodegenerativas."

Além disso, Barbosa sugere procurar um médico assim que perceber algum sintoma de transtorno comportamental do sono REM. "Entre todas as doenças neurodegenerativas que existem, talvez esse seja o fator de risco mais forte, então procure um médico e peça uma investigação mais apurada do sono." Um estudo mostrou que muitos indivíduos com esse distúrbio durante o sono terão alguma doença neurodegenerativa em cerca de 18 anos, como demência ou Parkinson.

*Fonte consultada em matéria do dia 22/06/18.

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