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Inspiração pra fazer da atividade física um hábito


Como o tamanho dos seios afeta a prática de atividades físicas

Priscila Barbosa/VivaBem
Desconfortos envolvendo os seios são a razão de várias mulheres evitarem atividades físicas Imagem: Priscila Barbosa/VivaBem

Gretchen Reynolds

Do New York Tims

2019-03-13T12:18:13

13/03/2019 12h18

O tamanho dos seios pode afetar a maneira como as mulheres se exercitam e a decisão de começar a treinar, é o que afirma um novo estudo de grande escala sobre os hábitos de exercício de mulheres de todas as idades. A investigação sugere que preocupações físicas, incluindo o tamanho dos seios e o conforto ou o desconforto causado pelo sutiã, deveriam ser aberta e francamente discutidas nas indagações sobre o que impede as pessoas de serem ativas.

Hoje em dia, ninguém duvida que exercícios podem melhorar a saúde, a felicidade e a longevidade. No entanto, uma expressiva porcentagem de adultos ao redor do globo raramente, isso se alguma vez, se mexe. As razões para que tantas pessoas permaneçam sedentárias são numerosas e complexas, mostram pesquisas, desde uma agenda lotada até bairros que não favorecem caminhadas. Mas outro obstáculo comum, segundo as respostas obtidas, é o desconforto durante o exercício.

Para muitas mulheres, esse desconforto envolve o peito. O tecido da mama feminina é pesado e não tem sustentação, possuindo pouco tecido conjuntivo capaz de oferecer estabilidade. Ou seja, os seios se movem quando as mulheres se exercitam, mesmo usando sutiã. Estudos biomecânicos anteriores mostram que, quando as mulheres correm sem sutiã, os seios balançam 17 centímetros, ou mais, para cima e para baixo, além de oscilar para os lados. Tops esportivos podem atenuar esses efeitos, mas raramente os evitam, mesmo em mulheres com seios pequenos.

Como consequência, os seios geralmente ficam doloridos durante e após os treinos. Um questionário entregue em 2013 a mulheres que correram a Maratona de Londres revelou que mais de um terço delas, incluindo corredoras com seios pequenos, contou aos pesquisadores que, normalmente, os seios costumam ficar doloridos.

Mas poucas pesquisas anteriores investigaram se o tamanho das mamas e a possível dor afetam a decisão da mulher de praticar exercícios ou se influenciam os tipos de exercício que elas podem - ou não - realizar.

Então, para o novo estudo, publicado este mês no "Journal of Science and Medicine in Sports", pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Biomecânica da Universidade de Wollongong, na Austrália, fizeram um anúncio que convidava mulheres dispostas a ter os seios medidos e discutidos. Os cientistas recrutaram apenas mulheres porque, evidentemente, elas possuem seios femininos. (Os homens enfrentam os próprios desafios morfológicos relacionados ao exercício, como uma genitália que fica vulnerável aos assentos de bicicleta e bolas de futebol errantes. Mas essas questões não parecem limitar a disposição dos homens de realizar atividades.)

Por fim, os investigadores acabaram conseguindo um grupo de 355 mulheres com bom estado geral de saúde e idades entre 18 e 75 anos. O índice de massa corporal das candidatas variava de normal a obeso. Eles pediram que as voluntárias completassem diversos questionários, um dos quais pedia que lembrassem se e como tinham se exercitado na semana anterior. Se elas, por exemplo, foram caminhar, por quanto tempo e com que intensidade? A respiração ficou acelerada? Elas suaram? Da mesma forma, elas correram, nadaram, pedalaram, fizeram tarefas domésticas, aulas de dança ou se envolveram em outras atividades? Um questionário separado inquiria se as mulheres sentiam que o tamanho das mamas influenciava a maneira como se exercitavam.

Em seguida, os estudiosos usaram escaneamento tridimensional para medir de forma precisa o volume dos seios de cada mulher e categorizá-los como pequenos, médios, grandes ou muito grandes. (Os cientistas não confiaram na medida do sutiã, porque é um número notoriamente inconsistente.) Depois, compararam os hábitos de exercício entre os grupos.

Os resultados foram consistentes, porém preocupantes. À medida que o tamanho do sutiã aumenta, a participação dessas mulheres em atividades físicas cai, especialmente se o exercício for intenso. Pouquíssimas mulheres com seios grandes corriam, por exemplo. As mulheres nesse grupo também relataram que o tamanho das mamas as impedia de se exercitar com facilidade, mesmo em atividades de baixo impacto, como andar ou nadar.

Esses resultados se repetiram quando os cientistas levaram em consideração o fator idade, que afeta a prática de exercícios, e o índice de massa corporal, que, da mesma forma, afeta a frequência com que nos exercitamos. No geral, mulheres mais magras tendem a ter seios menores e vice-versa. Mas, mesmo entre mulheres acima do peso com seios pequenos e aquelas com peso normal e seios grandes, a relação com o exercício não mudou.

As mulheres com seios maiores, independentemente do IMC, em média se exercitaram menos do que aquelas com mamas menores e eram mais propensas a sentir que o tamanho do peito interferia nos movimentos.

A conclusão é que as mulheres devem ser encorajadas a aprender como encontrar um top apropriado e de qualidade para práticas esportivas ou um maiô que ofereça suporte adequado para os seios, afirmou Celeste Coltman, atualmente professora-assistente na Universidade de Camberra, na Austrália, que liderou o estudo como parte de sua tese de doutorado.

Coltman e as colaboradoras, Julie Steele e Deirdre McGhee, professoras da Universidade de Wollongong e que também dirigem a Breast Research Australia (BRA), uma linha de pesquisa na universidade que examina como o tamanho das mamas pode afetar o estilo de vida, desenvolveram um aplicativo gratuito para ajudar mulheres ativas a avaliar o tamanho dos seios e o sutiã necessário para eles. Ele está disponível em bra.edu.au/sportsbra. (O sistema de tamanhos é o australiano, mas as dicas são universais.)

Algumas mulheres com seios volumosos podem precisar vestir dois sutiãs simultaneamente, para obter um apoio que ofereça conforto ao correr e realizar atividades de alto impacto, esclareceram Coltman e suas colaboradoras.

Além disso, Coltman sugeriu às mulheres com seios grandes e que não praticam exercícios que considerem tentar atividades de baixo impacto, como caminhadas e, talvez ainda melhor, natação, se conseguirem encontrar um maiô confortável com sutiã embutido. "Natação e outras atividades aquáticas, como ginástica na água, podem ser o ideal", complementou, "porque as forças flutuantes da água diminuem o movimento descendente dos seios", reduzindo qualquer desconforto relacionado às mamas.

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