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Quedas podem ser fatais para idosos; saiba como minimizar o risco

Gracia Lam/The New York Times
Uma em cada cinco quedas entre os adultos mais velhos resulta em uma lesão grave, e os idosos são menos capazes de se recuperar do trauma física e emocionalmente Imagem: Gracia Lam/The New York Times

Jane E. Brody

Do New York Times

2019-02-28T10:47:19

28/02/2019 10h47

Todos os dias, verifico a sessão de obituários para ver por que, ou como, as pessoas morrem. Você pode considerar isso como uma fascinação mórbida, mas atribuo a atitude à influência da minha idade (77 anos) combinada com minha profissão (jornalismo de saúde). Os obituários me dão ideias para as colunas de Saúde Pessoal como esta, que podem ajudar outras pessoas - e a mim - a evitar e prevenir males, acidentes e morte prematura.

Uma das causas mais frequentes de morte entre pessoas da minha idade, e também entre algumas mais jovens e muitas mais velhas, são as "complicações causadas por uma queda", a explicação dada no mês passado para a morte de Russell Baker, de 93 anos, humorista ganhador do Prêmio Pulitzer e colunista do "The New York Times".

As quedas são a primeira causa de lesões fatais e não fatais entre os idosos. A cada 19 minutos aqui nos EUA, um idoso morre em decorrência de uma delas.

Logicamente, todo mundo cai de vez em quando, e alguns tombos são inevitáveis. Mas cair não é uma consequência inevitável da idade. A maioria das quedas entre os idosos pode ser prevenida caso saibamos os motivos e tomemos atitudes para minimizar o risco para nós e para parentes e amigos cuja idade e/ou estado de saúde os deixem vulneráveis.

Anualmente, mais de um quarto das pessoas com mais de 65 anos sofre uma queda, e uma única ocorrência dobra a chance de ela ocorrer novamente, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças. Um tombo corriqueiro para um jovem pode ser muito perigoso para um idoso.

Uma em cada cinco quedas para os mais velhos resulta em ferimentos graves, e eles não conseguem se recuperar tão bem de um trauma, física ou emocionalmente.

As fraturas são normalmente vistas como a consequência séria mais comum das quedas, mas, mesmo que não ocorram, cair pode acarretar um mal irreversível à saúde, às interações sociais e ao bem-estar psicológico dos idosos.

Uma consequência frequente desse tipo de ocorrência é o aumento do medo de cair; isso leva os idosos a limitar suas atividades, acarretando um maior declínio físico, depressão e isolamento social, o que, por sua vez, pode acelerar a morte.

Muitos fatores comuns entre os idosos podem aumentar o risco de queda: problemas médicos e ortopédicos e os medicamentos usados nesses tratamentos; mudanças físicas que afetam o equilíbrio, o caminhar e a força muscular; declínio da visão, da audição e da noção de espaço; e dores que alteram os movimentos.

Ao mesmo tempo, há maneiras de minimizar as chances de uma queda perigosa, começando com exercícios regulares para manter a força das pernas, o equilíbrio e a coordenação, que podem ajudar no reflexo para evitar cair em caso de um tropeço. O Tai Chi é uma maneira excelente e de baixo impacto de melhorar o equilíbrio. Além disso, procure ficar em um pé só quando for escovar os dentes, lavar a louça ou cozinhar. Você pode também adquirir o novo livro de Carol Clements, "Better Balance for Life", que detalha um plano de dez semanas para melhorar a estabilidade.

Vá ao oftalmologista pelo menos uma vez por ano ou com mais frequência caso tenha uma condição que piora com o tempo, como catarata ou degeneração macular. Não adie a cirurgia de catarata - a visão embaçada pode acabar propiciando tropeços. Tenha sempre a prescrição de óculos atualizada. Os idosos geralmente se dão melhor com lentes monofocais, o que pode gerar a necessidade de ter dois pares, um para longe e outro para leitura, em vez de um único par bifocal.

Além disso, faça check-ups auditivos regulares e considere o uso de aparelhos em caso de necessidade. Você não quer cair ao se assustar com alguém que se aproximou sem ser percebido.

Peça que o médico avalie todos os seus medicamentos, mesmo os que não necessitam de prescrição, para confirmar que não causam tontura. Sempre que possível, elimine ou diminua a dose daqueles que são potencialmente complicados.

A dra. Leslie Kernisan, geriatra na Área da Baía, lista os remédios que têm maior probabilidade de aumentar o risco de quedas: drogas psicoativas como benzodiazepínicos (Xanax e Valium) e remédios para dormir, como Ambien e Lunesta, que afetam o cérebro; antidepressivos como Prozac, Zoloft e Elavil; medicamentos que baixam a pressão sanguínea, inclusive o Flomax e diuréticos relacionados; remédios para diminuir o nível de açúcar no sangue, incluindo a metformina; e drogas anticolinérgicas como o Benadryl, a versão de analgésicos que exige prescrição, o relaxante muscular Flexeril e os relaxantes de bexiga Ditropan e Detrol.

Por último, mas não menos importante, faça uma avaliação minuciosa dos riscos de queda em sua casa, dentro e fora. Livre-se de tralhas - não deixe livros, papéis, roupas ou brinquedinhos de pets no chão e verifique se há móveis obstruindo a passagem para o banheiro, o quarto, a cozinha ou a porta da frente. Instale grades e corrimãos - e os use sempre -, além de barras no chuveiro ou banheira e ao lado do vaso sanitário.

Avalie a segurança do piso, inclusive os tapetes (extremamente contraindicados), carpetes soltos e pequenos desníveis entre os cômodos. Use um tapete de borracha antiderrapante de boa qualidade no chuveiro. Conserte escadas e pisos irregulares. Não deixe cabos elétricos no chão. Seque qualquer líquido derramado imediatamente.

Invista na melhor iluminação que puder. Deixo várias luzes acessas ininterruptamente em locais que podem ser perigosos no escuro; substituí as lâmpadas por fortes LEDs de longa duração. No mínimo, mantenha uma luz suave acesa entre o banheiro e o quarto, ou deixe uma lanterna ao lado da cama, caso seja preciso se levantar durante a noite.

Faça uma avaliação honesta de seus sapatos. Eles devem calçar bem e ser confortáveis, além de oferecer um bom suporte. Saltos baixos e solas com boa aderência são essenciais. Jogue fora ou doe qualquer par que possa fazê-lo tropeçar. Recentemente, doei um par novinho de botas UGG exatamente por essa razão.

Nunca ande só de meias. Use chinelos antiderrapantes. Os meus são a última coisa que tiro ao deitar e a primeira que ponho antes de meus pés sequer tocarem o chão, de manhã ou à noite. Ir ao banheiro descalço ou de meias é uma péssima ideia. Dois amigos meus quebraram os dedos assim.

Para sair, use calçados apropriados ao clima e às condições da superfície. E olhe sempre por onde anda - não para o celular ou qualquer outra coisa do outro lado da rua. Meu princípio: ando olhando cerca de três metros à frente, para antecipar possíveis perigos de queda. Sempre que sua estabilidade estiver comprometida, use muletas, bengalas ou andadores.

Você acha que isso é embaraçoso? Pense que uma queda pode ser mais humilhante e dolorosa.

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