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'Virei vegana e me sinto melhor física e mentalmente', diz atleta do vôlei

Arquivo Pessoal
A jogadora de vôlei deixou de consumir produtos de origem animal e se recupera melhor de lesões Imagem: Arquivo Pessoal

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL VivaBem

05/02/2019 04h00

A jogadora de vôlei Macris Carneiro estava no auge da carreira quando decidiu virar vegana, ou seja, cortar completamente os itens de origem animal de seu cardápio. Era o final de 2016, ela já havia ganhado quatro vezes o título de melhor levantadora da Superliga Brasileira e começou a procurar informações sobre como adotar uma dieta mais saudável

"Nessa época, eu descobri que era possível não consumir nada de origem animal, eu nunca tinha parado para pensar nisso. Vi que já tinha alguns atletas veganos, que não seria um risco para a minha carreira e isso se juntou ao meu amor pelos animais", conta a jogadora, que hoje atua no Minas Tênis Clube. "Eu não era nem vegetariana, não fiz transição, fui direto para o veganismo".

Entre suas principais inspirações estava a também levantadora Fernandinha (que fez parte da seleção campeã nos Jogos Olímpicos de Londres em 2012), a quem Macris recorreu para tirar dúvidas e pegar dicas nos primeiros meses sem carnes e demais alimentos de origem animal (como leite, ovos, queijos, manteiga, etc.). 

"No início, algumas pessoas da equipe técnica ficaram receosas, mas a partir do momento em que continuei rendendo como atleta, eles viram que não havia nenhum prejuízo para o desempenho", diz. "Hoje sou uma das que pega mais pesado na academia, que menos têm lesão, que se recupera mais rápido", conta a jogadora eleita a melhor levantadora do Campeonato Mundial de Clubes em 2018.

Para Macris, os resultados positivos surgiram já nos primeiros meses da dieta sem carne, com a melhora do bem-estar do corpo e da mente. "A curto prazo eu já senti inúmeros benefícios: percebi que a sensação de fadiga era muito menor, que eu me recuperava melhor depois de treinos longos e pesados, diminuíram as dores articulares e as alergias, além de melhorar o meu trânsito intestinal", afirma a levantadora.

Para ela, isso aconteceu não só por conta da retirada de alimentos "de difícil digestão", como se refere às carnes, mas também ao fato de ter incluído mais frutas e vegetais à sua dieta. "Antes eu não gostava de nada que era verde. Se um prato tivesse duas ervilhas, uma cebolinha, eu tirava. Não comia tanta variedade, tanta riqueza como agora", diz. 

Não tem milagre

Mas não tem problema para uma atleta tirar completamente a carne e outros itens de origem animal do cardápio? De acordo com os especialistas consultados pelo UOL VivaBem, é possível repor as proteínas em fontes vegetais, mas é preciso ter um acompanhamento de perto de especialistas em nutrição.

Em 2009, a ADA (Associação Dietética Americana) publicou um posicionamento em que afirma que dietas vegetarianas e veganas, desde que bem planejadas, são nutricionalmente adequadas e podem trazer benefícios para a saúde, porque ajudam na prevenção e no tratamento de certas doenças.

Essa foi a conclusão da Associação depois de revisar mais de 200 estudos, que mostraram que uma alimentação sem carne reduz o risco de morte por doença cardíaca isquêmica e está associada a menores taxas de hipertensão e diabetes tipo 2. Além disso, os vegetarianos tendem a ter IMC (índice de massa corporal) menor e taxas de câncer mais baixas.

O nutrólogo Carlos Alberto Nogueira, membro da diretoria da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia), atribui esses resultados a uma mudança de comportamento. "A minha experiência mostra que as pessoas adotam dietas vegetarianas como parte de um estilo de vida mais saudável. Além disso, é muito difícil que um vegetariano consuma muitas calorias, porque ele muda a relação com a comida, por isso ficam com aspecto mais saudável". A alimentação de origem vegetal é mais natural, mais ricas em antioxidantes e pobre em gordura saturada. 

Segundo a ADA, os bons resultados da dieta vegetariana são reflexo de menor ingestão de gordura saturada e colesterol, por um lado, e aumento do consumo de frutas, legumes, grãos integrais, nozes, produtos de soja, fibras e fitoquímicos. 

Foi o caso de Macris. "Eu já queria ter uma alimentação saudável, e ao virar vegana comecei a introduzir mais vegetais, aprendi a temperar tudo de uma forma mais apetitosa, tomei gosto por comer legumes que eu não comia antes", afirma a esportista. 

Ou seja, não vale virar vegetariano ou vegano e se empanturrar de batata frita. "Quando uma pessoa substitui a carne por carboidrato acaba acumulando gordura abdominal. Não adianta nada", diz o médico. 

Fontes: Carlos Alberto Nogueira, nutrólogo e membro da diretoria da Abran (Associação Brasileira de Nutrologia); Alessandra Luglio, nutricionista e coordenadora do departamento de saúde e nutrição da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB); Natalia Utikava, nutricionista.

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