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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Parar de tomar sucos e refrigerantes reduz gordura no fígado de crianças

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O consumo excessivo de sucos industrializados e outras bebidas açucaradas pode levar à doença hepática não gordurosa Imagem: iStock

Anahad O'Connor

New York Times News

02/02/2019 12h19

Crianças acima do peso que apresentavam fígado gorduroso conseguiram reduzir drasticamente os níveis de gordura e inflamação do órgão tirando da dieta refrigerantes, sucos de frutas e alimentos com açúcar adicionado, foi o que descobriu um recente estudo aprofundado sobre o tema.

A nova pesquisa, publicada no JAMA: The Journal of the American Medical Association, semana passada, sugere que limitar a ingestão de comidas e bebidas adocicadas pode ser uma promissora estratégia de estilo de vida para aliviar uma condição devastadora relacionada ao surto de obesidade que está se espalhando rapidamente entre adultos e crianças. Estima-se que entre 80 e 100 milhões de americanos tenham doença hepática gordurosa não alcoólica, que leva à inflamação do fígado devido a níveis perigosamente altos de gordura. Cerca de sete milhões são crianças e adolescentes.

Geralmente, a doença do fígado gorduroso apresenta poucos sintomas, e muitas pessoas que a têm não sabem disso. Entretanto, a doença aumenta o risco de desenvolvimento da diabetes tipo 2 e de doenças do coração, além de poder progredir para uma condição mais séria chamada esteato-hepatite não alcoólica, que é a principal causa de câncer do fígado, cirrose e da necessidade de transplantes de fígado.

Recomenda-se atualmente que as crianças com fígado gorduroso mantenham uma rotina de exercícios e alimentação saudável, embora não haja especificação de alimentos. Alguns especialistas, porém, já aconselham seus pacientes a evitar o açúcar adicionado, normalmente encontrado em alimentos muito processados e que é diferente dos açúcares encontrados naturalmente nas frutas, por exemplo. O açúcar adicionado é tipicamente rico em frutose, que pode potencializar a produção de novas gorduras quando metabolizado pelo fígado.

"O padrão de tratamento atual é muito semelhante ao que recomendaríamos a qualquer criança acima do peso. Infelizmente, essa recomendação mais genérica não tem surtido o efeito esperado sobre a doença, e não existem testes aleatórios relevantes que estejam buscando entender qual dieta é a melhor para o fígado gorduroso", comentou a dra. Miriam Vos, autora do novo estudo e professora assistente de pediatria na Escola de Medicina da Universidade Emory.

Para a nova investigação, Vos e seus parceiros de trabalho recrutaram 40 crianças de 13 anos, em média, que tinham a doença do fígado gorduroso. A maioria era hispânica, um grupo particularmente afetado pelo problema, com uma média de 21 a 25 por cento, mais de quatro vezes o limite normal.

Os pesquisadores, de forma aleatória, distribuíram as crianças em dois grupos de dieta, durante o período de oito semanas. Um grupo teve de limitar os açúcares adicionados; o segundo, que serviu de grupo controle, manteve a dieta a que estava acostumado, ou seja, não recebeu nenhuma instrução especial para evitar ou reduzir o açúcar. 

Para facilitar que as crianças do grupo que precisava limitar o açúcar seguissem a dieta, os pesquisadores pediram que seus familiares também a fizessem. Eles adaptaram o regime às necessidades de cada família, examinando os alimentos consumidos tipicamente em uma semana e substituindo-os por alternativas pobres em açúcar. Se uma família costumava comer iogurtes, temperos, molhos de salada e pães que continham açúcar adicionado, por exemplo, os cientistas forneciam versões dos mesmos alimentos, mas sem o ingrediente. Sucos de frutas, refrigerantes e outras bebidas adocicadas foram proibidas e substituídas por chá gelado sem açúcar, leite, água e outras bebidas não adocicadas. Dietistas preparavam e entregavam as refeições para as famílias duas vezes por semana, o que as ajudou a seguir o programa. 

Em realidade, a dieta com baixo nível de açúcar não era tão terrivelmente restritiva. Não limitava carboidratos nem calorias. As crianças podiam comer frutas, amido e macarrão, por exemplo, e sem restrições de quantidade. Mas o objetivo era reduzir a ingestão do açúcar adicionado para menos de três por cento das calorias diárias - menos do que o limite de 5 a 10 por cento, para adultos e crianças respectivamente, recomendado pela Organização Mundial da Saúde.

Após oito semanas, o grupo com baixo consumo de açúcar conseguiu reduzir a ingestão de açúcar adicionado para apenas 1% das calorias diárias, em comparação aos nove por cento do grupo de controle. Eles também apresentaram uma mudança significativa na saúde do fígado: reduziram em 31% a gordura do órgão, em comparação ao grupo de controle, e em 40% os níveis de alanina aminotransferase, ou ALT, uma enzima hepática cujo índice aumenta quando as células do fígado estão danificadas ou inflamadas.

"Como hepatologista clínica, vejo semanalmente crianças com fígado gorduroso e eu adoraria ver esse tipo de melhora nos meus pacientes. A melhor parte não foi apenas a redução da gordura, mas o fato de a saúde das enzimas hepáticas ter melhorado, o que sugere que a inflamação deles também diminuiu", celebrou Vos. 

O novo estudo foi patrocinado, em parte, pela Nutrition Science Initiative, um grupo de pesquisa sem fins lucrativos cofundado pelo jornalista especializado em saúde e ciência Gary Taubes, um entusiasta das dietas de baixo consumo de carboidrato. Os National Institutes of Health, a Universidade da Califórnia (EUA), o Children's Healthcare, de Atlanta (EUA), e a Universidade Emory (EUA) também ajudaram no financiamento.

O dr. Joel E. Lavine, um especialista que não estava envolvido no estudo, declarou que este foi desenvolvido de forma muito inteligente e esclareceu "alguns pontos importantes sobre como um elemento massivamente presente na dieta contribui para o problema de gordura e inflamação no fígado e para o dano celular". Ele completou dizendo que a onipresença de alimentos não saudáveis torna difícil seguir esse tipo de dieta, mas, como regra geral, os médicos deveriam aconselhar seus pacientes e famílias a verificar o quadro de informações nutricionais das embalagens para saber se há açúcar adicionado e evitar ou eliminar sucos

"De forma bem simplificada, a melhor dieta é comprar os alimentos que ficam expostos nos corredores laterais dos supermercados e ficar longe dos corredores do meio, que guardam os alimentos processados que vêm em caixas, latas e embalagens", ensinou Lavine, chefe de gastroenterologia, hepatologia e nutrição do Centro Médico Irving, da Universidade Columbia, e do Hospital Infantil Morgan Stanley, pertencente ao Hospital New York-Presbyterian.

Os integrantes do grupo de baixo consumo de açúcar perderam pouco mais de 1 kg durante o estudo, o que também pode ter contribuído para a melhora na saúde do fígado. No entanto, Jeffrey B. Schwimmer, um dos autores, negou que o fato tenha sido responsável pelas grandes mudanças. "As crianças submetidas ao regime de baixa ingestão de açúcar perderam alguns quilos em média, mas esse dado nunca foi associado a esse nível de melhora", argumentou Schwimmer, que é professor de pediatria na Universidade da Califórnia e diretor da Clínica de Fígado Gorduroso do Hospital Infantil Rady. 

Ele e seus coautores estão realizando análises de acompanhamento para descobrir mais sobre o responsável pelas mudanças na saúde do fígado. "Isso foi um passo, não a palavra final, mas, usando esses achados como base, poderemos vislumbrar estudos que investiguem se essa terapia pode realmente tratar a doença de forma satisfatória a ponto de prevenir cirrose, doenças hepáticas em estágios finais e câncer no fígado", concluiu Schwimmer. 

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