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É preciso mesmo suplementar vitamina D? Entenda tudo sobre ela

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A vitamina D vem sendo amplamente ligada a diversas doenças, entenda quando suplementar Imagem: iStock

Cristina Almeida

Colaboração para o UOL VivaBem

30/01/2019 04h00

Muito tem sido dito sobre os benefícios da vitamina D para diversas doenças. Tanto que há uma preocupação muito grande em se suplementar esse nutriente. Não confunda alhos com bugalhos. Cientistas da Universidade de Alberta (Canadá) trabalharam como caçadores de mitos para descobrir os reais benefícios da suplementação de vitamina D. A conclusão a que chegaram é que a grave deficiência dela pode, realmente, levar a doenças como o raquitismo. Além disso, eles confirmaram que as baixas taxas estão, sim, associadas a vários problemas de saúde

Contudo, os pesquisadores foram taxativos: é preciso saber que "associação com doença" não é a mesma coisa que "causa de enfermidade" e, na opinião deles, isso justificaria a redução não só de exames, mas também da indicação do uso de suplementos. A pesquisa foi publicada no Jornal de Medicina Interna Geral, em 2016.

Para entender melhor a importância da vitamina D no seu organismo, as polêmicas por trás dela, bem como esclarecer todas as suas dúvidas, falamos com especialistas em endocrinologia, nutrologia e nutrição. Confira a seguir tudo sobre ela:

Índice

O que é vitamina D?

Ela é considerada um micronutriente essencial lipossolúvel, isto é, pode se dissolver em gordura e é armazenada em grande quantidade, especialmente no seu fígado. De acordo com os manuais de nutrição, a vitamina possui duas formas:

  • Vitamina D2: também conhecida como ergocalciferol, cuja origem é vegetal e é obtida por meio da ingestão de alimentos.
  • Vitamina D3: chamada de colecalficerol, é sintetizada na pele após a exposição solar. Produzida em nosso organismo, ela é também encontrada em todos os suplementos vitamínicos disponíveis no Brasil. 

Para que a vitamina D serve?

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O nutriente tem como principal função permitir que o cálcio dos alimentos seja absorvido no intestino, além do fósforo, e em quantidades capazes de manter o regular funcionamento celular, neuromuscular, assim como a saúde dos ossos, garantindo-lhes poder de crescimento e reparação. Quando a vitamina D age no seu corpo ela se transforma em um "poderoso hormônio" chamado calcitriol.

A substância também está envolvida nos seguintes processos orgânicos: 

  • Equilíbrio das defesas do corpo (sistema imunológico);
  • Controle da pressão arterial;
  • Proteção contra a formação de tumores;
  • Inibição de processos inflamatórios;
  • Metabolismo dos carboidratos (diminuindo o risco de diabetes e doenças metabólicas).

Quais são as suas principais fontes de vitamina D?

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A falta ou o excesso de algum nutriente é a porta de entrada para distúrbios nutricionais. No caso da vitamina D, entretanto, só 10 a 20% da sua necessidade é obtida por meio da dieta. Os demais 80% a 90% necessários para a boa saúde originam-se da exposição à luz dos raios ultravioletas (UV) do sol.

Mas se quiser garantir um cardápio rico nessa vitamina, habitue-se a ler a ficha nutricional que acompanha os alimentos que você compra no supermercado --já que muitos alimentos são enriquecidos com ela --, e invista nos itens abaixo, fontes naturais do nutriente. A quantidade ideal é 2 ou 3 porções deles ao dia.

  • Peixes gordurosos como salmão (selvagem), atum, sardinha;
  • Cogumelos irradiados, ou seja, que foram cultivados sob a luz do sol;
  • Leite enriquecido e seus derivados (iogurte, manteiga, queijo);
  • Cereais enriquecidos;
  • Óleo de fígado de peixe;
  • Gema de ovo.
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Quanto de vitamina D precisamos?

A seguinte recomendação de consumo diário de vitamina D, representado por Unidades Internacionais (UI), é a sugestão do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH, na sigla em inglês):

  • De 0 a 12 meses: 400 UI ou 10 mcg;
  • De 1 a 69 anos: 600 UI ou 15 mcg;
  • Acima de 70 anos: 800 Ui ou 20 mcg.

Afinal, é para tomar sol, ou não?

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Atualmente existe uma política de proteção solar em todo o mundo e especialmente no Brasil, onde há maior disponibilidade de luz. Por outro lado, a população urbana, sobretudo nas regiões sul e sudeste do país, tem acesso limitado ao sol

As razões para isso são bem conhecidas: há maior conscientização do risco para o câncer de pele, horas seguidas de trabalho em locais fechados e uso excessivo de protetores solares para prevenção de doenças ou por questões estéticas.

A saída é apostar no equilíbrio. Por isso, os especialistas indicam expor pernas e braços ao sol, diariamente, no período das 10 às 15 horas, mas somente por 10 a 15 minutos, sem proteção solar. Este momento do dia é o mais apropriado para obter os benefícios dos raios UV para a produção de vitamina D. 

Caso a sua rotina dificulte essa prática, aproveite o horário do almoço para uma pequena caminhada e exposição de braços e pernas (tirando o paletó e arregaçando a camisa ou indo trabalhar de saia), por 10 minutos, pelo menos 3 vezes por semana. E não esqueça da proteção solar no rosto. 

E tem mais: não adianta esturricar no sol para compensar os dias em que fica longe dele. A pigmentação, ou seja, o escurecimento da pele, funciona como uma barreira natural contra a ação dos raios UV. Quanto mais bronzeada a pele estiver, maior será a dificuldade de produção de vitamina D. A receita é tomar sol, mas na quantidade e jeito certos.

Como saber se você tem alguma deficiência

Algumas pessoas podem mesmo apresentar insuficiência ou deficiência da vitamina. Quando há suspeita disso, um médico pode avaliar seu estado geral de saúde e solicitar a dosagem de um metabólito dela chamado 25-hidroxivitamina D, cujos valores de referência seguem as orientações de duas entidades: o IOM (Institute of Medicine) e a ES (Endocrine Society). 

Aqui, no Brasil, um grupo de especialistas da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) está preparando um documento para justificar quais os melhores níveis para a população em geral e a de risco (idosos, gestantes, pessoas que tenham osteoporose etc.). Para os primeiros, o limite de "normalidade" será a dosagem sanguínea de 20 ng/ml; para os segundos, 30 ng/ml. 

Compare a qualificação da IOM:

  • Adequado: acima de 20 ng/ml
  • Inadequado: abaixo de 20 ng/ml 

Parâmetros sugeridos pela ES:

  • Suficiente: acima de 30 ng/ml
  • Insuficiente: entre 20-30 ng/ml
  • Deficiente: abaixo de 20 ng/ml

Todo mundo é carente de vitamina D?

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Imagem: IStock
Não. Por isso um artigo publicado em 2016 pelo respeitado The New England Journal of Medicine apontou que a interpretação dessas taxas tem sido equivocada. E esta seria a razão da principal polêmica da vitamina D: as pessoas estariam sendo excessivamente "medicadas". 

Entre os autores desse artigo estão alguns epidemiologistas e endocrinologistas que participaram do comitê do IOM que estabeleceu as taxas de referência. Para eles, o limite mínimo de 20 ng/ml jamais foi definido como indicador de deficiência.

Após examinarem dados de uma pesquisa denominada National Health and Nutrition Examination Survey, de 2007 até 2010, os pesquisadores descobriram que menos de 6% dos participantes (americanos) tinham taxas abaixo de 12.5 ng/ml --valor que indica a carência vitamínica.

"A vitamina D é um nutriente importante, mas esses níveis de deficiência não constituem uma pandemia", esclareceram os autores do artigo. A proposta deles, então, é que os parâmetros de corte para um diagnóstico de deficiência seja 12,5 ng/ml e não 20 ng/ml, como é hoje

Como o nutriente está relacionado a doenças musculoesqueléticas como a osteoporose, no mesmo ano em que o NEJM publicou estas declarações, o diretor do Centro de Densidade Óssea do Hospital Geral de Massachussets (Boston-EUA), Joel Finkelstein, não só concordou com esse ponto de vista como levantou uma tese evolucionista em uma entrevista concedida ao Harvard Health Blog:

"Na verdade, a vitamina D é difícil de ser encontrada em fontes alimentares. [...] Sim, podemos obtê-la a partir do sol, mas nossos corpos evoluíram de modo a escurecer a pele em partes do mundo mais ensolaradas. Se ela é tão crítica para humanos, por que teríamos evoluído dessa forma? Por que exigir algo que é difícil de ser encontrado, e depois evoluir de forma a dificultar a absorção?", ponderou o endocrinologista.

Segundo a SBEM, tais conclusões são ainda polêmicas, porque seria arriscado basear-se na média da população para definir a carência. Afinal, o limite encontrado pelos autores do artigo já pode ser mais baixo devido às mudanças culturais.

Quem precisa ficar mais atento?

Indivíduos jovens, que tenham uma vida ativa e pratiquem atividades ao ar livre geralmente não apresentam carência de vitamina D. Os grupos que merecem maior atenção são os seguintes:

  • Idosos em geral;
  • Pessoas institucionalizadas ou acamados (que têm pouco acesso ao sol);
  • Gestantes e lactantes. No primeiro caso, há risco de parto prematuro e atraso no crescimento do feto;
  • Obesos (a vitamina D, nessas pessoas, é "sequestrada" pelo excesso de gordura);
  • Indivíduos com doenças musculoesqueléticas como osteopenia, osteoporose, raquitismo, osteomalácia;
  • Pessoas com síndromes de má absorção, como a doença de Crohn e doença celíaca;
  • Pacientes submetidos a cirurgia bariátrica;
  • Pessoas com anorexia nervosa;
  • Pessoas de pele escura;
  • Pessoas com fibrose cística;
  • Pacientes com doença renal crônica (tanto os que fazem diálise quanto os que não fazem);
  • Indivíduos com insuficiência hepática (incluindo os alcoólatras);
  • Mulheres em idade próxima à menopausa.

Sinais de deficiência de vitamina D

Inicialmente a falta de vitamina D não causa sinais no organismo. Após longo prazo de deficiência ou insuficiência, ou em casos em que os pacientes estão em estado grave, podem surgir os seguintes sintomas:

  • Espasmos musculares;
  • Raquitismo: crescimento ósseo prejudicado em crianças de 1 a 4 anos (desvios na curvatura da coluna, pernas arqueadas, joelho juntos, retardo no caminhar;
  • Dor ao caminhar (crianças e adolescentes);
  • Alteração dos ósseos pélvicos (em adolescentes) e estreitamento do canal do parto;
  • Osteomalácia em adultos: mineralização defeituosa do osso, com dores locais, fraqueza muscular e fraturas;
  • Osteoporose em adultos, especialmente na coluna vertebral, pelve e pernas. Os locais afetados são dolorosos e suscetíveis a fraturas. Há maior risco de quedas;
  • Atraso no crescimento de fetos em gestantes.

Quando é preciso suplementar

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Uma vez comprovada a deficiência ou insuficiência de vitamina D, ou nos casos em que haja impedimento para exposição ao sol para prevenir ou tratar outras doenças (câncer de pele, lúpus, transplantados, por exemplo), a suplementação é necessária e recomendada

Porém os mais atuais guias de medicina são claros: embora não haja restrições do uso de suplementos para crianças, adultos, idosos e gestantes, a dosagem dependerá de várias outras condições como o estado geral de saúde, peso, idade, local de residência, dieta e até hábitos culturais de cada pessoa. Por isso, evite se automedicar e procure orientação especializada

Doses de reposição e riscos do excesso 

A dosagem da suplementação de vitamina D deve ser personalizada, a depender dos achados dos exames que comprovam a sua necessidade. As doses seguras são 400 UI/dia para crianças/jovens, 800 UI para adultos e 1.000 a 2000 UI para idosos. 

Doses elevadas de vitamina D, por longo período de tempo, podem ser tóxicas e levar à hipercalcemia ou hipercalciúria (níveis altos de cálcio no sangue e na urina, respectivamente), ou seja, altas taxas de cálcio no sangue e urina, respectivamente. 

Este efeito colateral pode levar a lesões nos rins e danos em ossos e músculos. Embora esse quadro seja considerado raro, se isso vier a ocorrer os sintomas que você pode sentir são:

  • Perda de apetite;
  • Náuseas e vômitos, seguidos de sede excessiva;
  • Fraqueza;
  • Aumento do volume urinário (poliúria), desidratação intensa, sonolência e pode levar ao coma.

O uso do suplemento com outros remédios

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Se você faz uso contínuo de algum medicamento e seu médico ou nutricionista aconselhar o consumo de vitamina D, é preciso dizer-lhe quais são esses remédios. 

Essa atitude se deve ao fato de que o nutriente pode interagir com alguns medicamentos e prejudicar os efeitos benéficos que eles produziriam no seu corpo. Alguns deles podem aumentar o catabolismo da Vitamina D. Isso significa que eles aumentam a quebra da vitamina, levando à necessidade do aumento das doses; outros reduzem seu efeito ou contribuem para a elevação dos níveis de cálcio. 
E cuidado: se você toma outros suplementos vitamínicos, pode ser que eles também contenham vitamina D. Por isso, converse com um especialista para saber se não está ingerindo quantidades maiores do que deveria.

Fique atento a esses fármacos:

  • Corticoides
  • Anticonvulsionantes (fenitoina e carbamazepina)
  • Rifampicina e isoniazida

Como tomar a vitamina D?

As apresentações mais comuns são cápsulas gelatinosas ou comprimidos, gotas (mais indicados para crianças e idosos) e injeções, em casos excepcionais.

Essas alternativas são todas consideradas seguras e efetivas, mas as cápsulas oleosas são unanimidade entre os especialistas, porque elas seriam melhor absorvidas, já que a vitamina D é lipossolúvel. A ingestão diária também é considerada a forma mais eficaz de consumo, evitando o esquecimento. 

Vitamina D e outras doenças

Nos últimos anos a literatura médica tem registrado que a vitamina D está envolvida no tratamento ou na prevenção de várias doenças ou condições. Entretanto, até a data da publicação dessa reportagem, mais estudos ainda são necessários para confirmar seus benefícios nas seguintes situações:

  • Redução de infecções respiratórias;
  • Depressão e bem-estar mental;
  • Artrite reumatoide;
  • Doenças do coração;
  • Perda óssea decorrente de doença renal e hiperparatireoidismo;
  • Esclerose múltipla;
  • Câncer;
  • Diabetes;
  • Fibromialgia;
  • Redução de mortalidade em geral.

Efeitos benéficos efetivos

Entidades como a Cochrane, voltada para a investigação e divulgação de informações científicas de saúde de alta qualidade, após análise de vários estudos, concluiu que o consumo de medicamentos concomitante à vitamina D pode, de fato, ser benéfico para:  

  • Fraturas e quedas em idosos;
  • Asma.

Dicas para prevenir a falta de vitamina D

  • Aproveite toda oportunidade de se expor ao sol, mas não exagere;
  • Evite ficar muito tempo em locais fechados. Em vez de ir ao shopping, vá a um parque;
  • Faça uso racional da proteção solar. Tomar um pouco de sol faz bem;
  • Colabore com a suplementação aderindo a ela, especialmente se você se encaixa no grupo de risco;
  • Capriche na alimentação não deixando faltar alimentos que sejam fonte de vitamina D.

Fontes: Eline de Almeida Soriano, médica nutróloga, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia  (ABRAN);  Isabela Gouveia, nutricionista do departamento científico da VP Centro de Nutrição Funcional (SP); Marise Lazaretti Castro, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP); Renato Zilli, endocrinologista do Hospital Sírio Libanês (SP). Revisão técnica: Eline de Almeida Soriano e Marise Lazaretti Castro.

Referências:

  • Mark J.  Bolland; Andrew Grey, Alison Avenell. Effects of vitamin D supplementation on musculoskeletal health: a systematic review, meta-analysis, and trial sequential analysis. The Lancet Diabetes&Endocronology 2018.
  • Pludowski P, Holick MF, Grant WB, et al. Vitamina D supplementation guidelines. J Steroid Biochem Mol Biol. 2018.
  • Mariana Vendramin Mateussi, Carolina de Oliveira Cruz Latorrac et. Al. What do Cochrane systematic reviews say about interventions for vitamin D supplementation? São Paulo Med. J. 2017.
  • JoAnn E. Manson, Patsy M. Brannon, et al. Vitamin D Deficiency - Is There Really a Pandemic? N Engl J Med 2016.
  • G. Michael Allan, MD, Lynda Cranston, et al. Vitamin D: A Narrative Review Examining the Evidence for Ten Beliefs. J Gen Intern Med. 2016.
  • Durval Ribas Filho, Vivian Marques Miguel Suen. Tratado de Nutrologia. 2ª edição revisada e atualizada, Manole. 2019
  • SS, Borba VZ, Camargo MB, Silva DM, Borges JL, Bandeira F, Lazaretti-Castro M; Brazilian Society of Endocrinology and Metabology (SBEM). Recommendations of the Brazilian Society of Endocrinology and Metabology (SBEM) for the diagnosis and treatment of hypovitaminosis D. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2014.

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