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Berço refrigerado preserva corpo de bebê natimorto para confortar pais

Gracia Lam/The New York Times
O CuddleCot ajuda a preservar o corpo de bebê natimorto por dias, dando aos pais de luto mais tempo para aceitar sua perda Imagem: Gracia Lam/The New York Times

Jane E. Brody

Do New York Times

19/01/2019 04h00

A morte de uma criança é quase sempre um acontecimento devastador, tipicamente seguido por uma enxurrada de apoio aos pais que choram. Mas, quando um bebê morre antes ou logo depois do nascimento, os pais frequentemente estão sozinhos em um hospital com uma fonte limitada de conforto e pouca, ou nenhuma, oportunidade de dizer adeus ao bebê --ou aos bebês.

Eis que chega o CuddleCot, uma espécie de berço refrigerado que ajuda a preservar o corpo de um natimorto por dias. O dispositivo dá aos pais uma chance de vínculo com seus bebês --amá-los e segurá-los, tirar fotos, até mesmo levá-los para casa e para passear, criando memórias que vão durar a vida toda.

Chris e Emily Fricker, de Pingree Grove, Illinois, cujos gêmeos, Sylas e Sybil, nasceram prematuramente e não conseguiram sobreviver mais de 90 minutos, foram ajudados por um CuddleCot e, no mês passado, o casal doou um ao Hospital Centegra Northwestern, em McHenry, Illinois, para beneficiar outros pais em situação semelhante.

Mary Kay Horney, enfermeira de obstetrícia no hospital, disse que a experiência de sua família reforçou o valor dessa doação. "O primeiro filho da minha mãe morreu ao nascer. Ela nunca conseguiu ver o bebê, e sua tristeza intensa se transformou em depressão e alcoolismo", contou ela.

Um estudo de 2016 em Michigan com 377 mulheres cujos bebês nasceram mortos ou morreram logo depois do nascimento mostrou que elas tinham quatro vezes mais chances de ter depressão e uma probabilidade sete vezes maior de experimentar sintomas de estresse pós-traumático do que as 232 mães de bebês vivos. Os níveis elevados de sofrimento psicológico persistiram por pelo menos nove meses entre as mulheres cujos bebês haviam morrido.

No estudo, dirigido por Katherine J. Gold e colegas da Universidade de Michigan, 18 mulheres cujos bebês morreram disseram que não conseguiram vê-los, 36 não conseguiram segurá-los e 34 afirmaram que não lhes foi permitido segurá-los.

Em uma entrevista, Chris Fricker disse que, graças ao CuddleCot, "Brittany, nossa enfermeira, nos disse que poderíamos passar o tempo que quiséssemos com nossos bebês", que nasceram com pouco menos de 23 semanas de gestação, pesando cerca de meio quilo cada. "Nós os seguramos, dissemos a eles quanto os amávamos e os batizamos. Fomos nós que escolhemos quando dizer adeus a eles, cerca de 12 horas depois."

Ao decidir sobre a doação do CuddleCot, Fricker disse: "Tentamos pensar em um modo de homenagear nossos bebês. Que melhor maneira do que fornecendo a outros pais a dádiva de passar um pouco de tempo com os filhos que perderam?"

Os Frickers já levantaram dinheiro para fazer a segunda e, possivelmente, a terceira doação de um CuddleCot, dessa vez para "um hospital em uma comunidade carente, onde poderá atender a um grande grupo de pessoas que não teria acesso a algo como isso", disse Chris Fricker. "Uma perda é uma perda, independentemente de quem a experimenta."

As doações do CuddleCot fornecem "uma maneira de as famílias tirarem algo de bom da tragédia", afirmou Tracy Arghavani, ginecologista e obstetra do Hospital Northwestern Medicine Huntley.

Emily Fricker disse que cerca de 400 a 500 hospitais nos EUA têm CuddleCots disponíveis, "a maioria doada por famílias como a nossa". E, em agosto passado, o Hospital St. Peter's, em Albany, Nova York, recebeu um berço doado por Kristin McVeigh-Parente, presidente, e David Parente, vice-presidente, da Casa Funerária McVeigh, em Albany, depois que ficaram sabendo da necessidade por intermédio da March of Dimes (organização sem fins lucrativos que trabalha para melhorar a saúde de mães e bebês).

O CuddleCot foi inventado no Reino Unido, onde 10 bebês nascem mortos todos os dias. De acordo com o fabricante, a Flexmort, 92 por cento dos hospitais locais têm pelo menos um deles. O dispositivo de quase 4 quilos é basicamente um pequeno berço ou uma cesta com uma unidade refrigerada sob o colchão. O frio retarda a deterioração dos tecidos do corpo para preservar os bebês falecidos e mantê-los com uma boa aparência.

Sem essa unidade, logo após o parto os natimortos são imediatamente levados ao necrotério do hospital, dando um acesso limitado aos pais enlutados. Muitas vezes, os pais dizem que não gostariam de ver os bebês, criando a impressão de que os filhos têm um aspecto monstruoso ou horrível. Mas, quando são mantidos em um CuddleCot, eles parecem estar dormindo.

Além de criar memórias de seus filhos, mesmo que limitadas, o berço refrigerado pode dar aos pais de luto mais tempo para aceitar sua perda.

"Quando as mulheres descobrem que estão grávidas, começam imediatamente a fazer planos. Quando perdem o bebê, é como se alguém tivesse roubado seus sonhos. Perder um feto é tão doloroso quanto perder uma criança que nasceu bem", disse Arghavani. 

Mesmo quando um bebê morre antes do nascimento, a mulher tem de passar pelo trabalho de parto. Nesses casos, disse Arghavani, "elas em geral têm medo - não têm certeza de que querem segurar o bebê. O CuddleCot permite que o bebê fique no quarto, dando-lhes o tempo de que necessitam para tomar uma decisão".

No passado, disse Horney, a maioria de mulheres nem mesmo teve a opção de ver seu bebê, resultando frequentemente em "um tipo diferente de sofrimento" que pode se tornar um peso mesmo em gestações futuras.

"Mas, nos meus 30 anos como enfermeira, só tive uma mãe que não quis ver seu bebê falecido", disse Horney. A maioria quer ver a criança e segurá-la. O CuddleCot oferece aos pais uma oportunidade para passar um tempo e se conectar com o bebê que perderam, disse ela.

O CuddleCot "é um equipamento novo nos Estados Unidos", disse Emily Fricker. "Eu nem posso imaginar não ter um, pois ele nos ajudou muito. Gostaria que estivesse disponível em todos os hospitais, e que não houvesse a dependência de doações." Ela acredita que a maioria dos hospitais poderia facilmente comprar um deles. Ela pagou US$ 2.764 por uma unidade.

Os Frickers disseram que a doação os ajudou no processo de superação. Emily Fricker descobriu que tem o que é chamado de insuficiência cervical, que ocorre quando a saída do útero se dilata prematuramente com a pressão da gravidez. O problema foi reparado cirurgicamente e ela pode agora tentar engravidar novamente.

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