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Estudo de Harvard mostra que adoçante não emagrece nem melhora a saúde

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Usar ou não adoçante? Estudo mostra não haver diferenças entre quem os consome ou não Imagem: iStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

2019-01-08T10:47:14

2019-01-08T16:42:29

08/01/2019 10h47Atualizada em 08/01/2019 16h42

Uma nova pesquisa realizada por cientistas da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e publicada no periódico BMJ analisou mais de 50 estudos sobre adoçantes e revelou que esses produtos na verdade não ajudam a emagrecer e não trazem benefícios da saúde.

A equipe de pesquisadores investigou uma série de parâmetros, incluindo saúde bucal, doenças renais e cardiovasculares, câncer, níveis de açúcar no sangue, comportamento, humor, peso e índice de massa corporal (IMC) em adultos e crianças que consumiam ou não adoçantes.

A conclusão é que não há diferenças significativas entre pessoas que consumiram adoçantes sem açúcar e aqueles que não consumiram, tanto em benefícios quanto em malefícios. Há uma crescente preocupação na comunidade médica de que os adoçantes poderiam causar malefícios como o surgimento de cáries, e pré-diabetes.

Porém, os cientistas destacam que os adoçantes precisam ser analisados com mais profundidade. "Estudos de longo prazo são necessários para avaliar os efeitos sobre o sobrepeso e a obesidade, o risco de diabetes, doenças cardiovasculares e doenças renais", escrevem os autores.

Conclusões

Em alguns estudos menores, eles encontraram evidências fracas de que o uso de adoçantes sem açúcar ajudou a reduzir os níveis de IMC e de açúcar no sangue, mas não foi convincente. 

Nas crianças, os adoçantes artificiais reduziram ligeiramente o ganho de peso, mas não afetaram o IMC. Já em obesos e pessoas com sobrepeso, não havia boas evidências de benefícios de adoçantes sem açúcar.

Os pesquisadores também procuraram por qualquer evidência de efeitos colaterais ou eventos adversos. Os dados foram igualmente inconclusivos.

O endocrinologista Márcio Mancini, da diretoria nacional da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, alerta que a maioria dos estudos analisados era com pessoas saudáveis ou com sobrepeso. "Grupos de alto risco, como diabéticos ou pessoas com histórico com diabetes, podem se beneficiar com o uso de adoçantes". Para ele, o estudo nos leva a questionar: será que todas as pessoas que estão consumindo adoçante realmente precisam?

De acordo com Vasanti S. Malik, da Escola de Saúde Pública de Harvard, embora meta-análises como essa sejam importantes e úteis, ainda precisamos ser cautelosos quanto às conclusões e as descobertas de estudos de alta qualidade não devem ser negligenciadas. "Por exemplo, ensaios maiores e mais rigorosos realizados até agora fornecem fortes evidências de que a substituição de bebidas açucaradas por alternativas reduz o ganho de peso em crianças e adolescentes após um ano de acompanhamento", diz ela.

Andressa Heimbecher, colaboradora do Grupo de Obesidade e Síndrome Metabólica do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), ressalta que mesmo sendo semelhante ao açúcar em efeitos, o adoçante ainda pode ser usado como uma ponte para a retirada do açúcar da alimentação. "Nesse caso ele seria usado em quantidades menores, apenas o suficiente para quebrar o amargor e se adaptar ao sabor natural do alimento", explica.

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