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Saúde

Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor


Esse tipo de analfabetismo pode fazer mal à saúde

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Imagem: iStock

Paula Span

Do New York Times

01/01/2019 15h45

Cada vez que os pais de Duyen Pham-Madden pegam novos remédios em uma farmácia em Houston, eles seguem suas instruções: usam o iPad que ela comprou para eles, conectam-se ao FaceTime (ligação de vídeo) e mostram os frascos dos remédios para que ela os veja.

Sua mãe, de 79 anos, e o pai, de 77, necessitam de inúmeros medicamentos, mas têm dificuldade de entender quando e como tomá-los.

O rótulo pode indicar que se tome um comprimido três vezes por dia, mas "meu pai talvez tome um por dia", disse Pham-Madden, 56 anos, que trabalha com seguros em Blue Springs, Missouri. "Ou toma três de uma vez."

Então ela traduz as orientações para eles, também fazendo a mãe lembrar-se de tomar a megadose prescrita de vitamina D, para a osteoporose, apenas semanalmente, não diariamente.

Parte do problema, acredita Pham-Madden, vem de barreiras linguísticas. A família emigrou do Vietnã em 1975, e, mesmo que seus pais falem e leiam inglês, não têm a fluência de falantes nativos.

Mas recentemente, disse ela, seu pai fez uma pergunta que qualquer um que tenta entender a cobertura de remédios do Medicare poderia fazer: "O que é o furo do donut?"

Os pesquisadores se referem a esse tipo de conhecimento como "alfabetização de saúde", que significa a capacidade de uma pessoa de obter e compreender as informações básicas necessárias para tomar decisões de saúde apropriadas.

Alguém pode ler um panfleto e então determinar a frequência de um determinado exame médico? Olhar para um gráfico e reconhecer a faixa de peso normal para sua altura? Verificar se seu seguro cobre certo procedimento?

A maioria dos adultos americanos – 53 por cento – tem uma alfabetização em saúde intermediária, mostrou uma pesquisa nacional em 2006; eles podem realizar atividades "moderadamente desafiadoras", como ler textos mais densos e lidar com aritmética.

Apenas 12 por cento são tidos como "proficientes", a categoria mais elevada. Cerca de um quinto tem alfabetização de saúde "básica", o que poderia causar problemas, e 14 por cento estão "abaixo do básico". A alfabetização em saúde difere em nível de escolaridade, raça, nível econômico e outros fatores.

E varia drasticamente de acordo com a idade. Embora a proporção de adultos com alfabetização intermediária varie de 53 a 58 por cento em outras faixas etárias, ela cai para 38 por cento entre os com 65 anos ou mais. A porcentagem de idosos com alfabetização básica ou inferior é superior à de qualquer outra faixa etária; apenas três por cento se qualificam como proficientes.

Por que isso? Comparada com grupos mais jovens, a geração atual de "adultos mais velhos era menos propensa a ir além do ensino médio", disse Jennifer Wolff, pesquisadora de serviços de saúde da Universidade Johns Hopkins.

Além disso, "quando as pessoas envelhecem, têm maior probabilidade de experimentar comprometimento cognitivo", apontou ela, além de perda de audição e de visão, que podem afetar a compreensão.

Considere a experiência recente de uma professora aposentada de 84 anos de idade. Durante toda a vida, "ela foi muito detalhista" e competente, disse sua filha, Deborah Johnson, que vive em Lansing, Michigan.

Mas um neurologista diagnosticou comprometimento cognitivo leve em meados deste ano e prescreveu uma droga destinada a amenizar seus sintomas. O remédio causou uma reação assustadora – mudanças de personalidade, letargia, tonturas, pressão altíssima.

Johnson acha que sua mãe pode ter exagerado na dose. "Ela me disse que pensava: isso vai me consertar, e vou ficar bem. Então, se eu tomar mais pílulas, vou ficar melhor mais rápido."

No entanto, a alfabetização em saúde pode ser particularmente crucial para idosos. Eles geralmente estão lidando com problemas médicos mais complicados, incluindo várias doenças crônicas, uma variedade de drogas, uma série de especialistas. Têm mais instruções para decifrar, mais exames para agendar, mais decisões a ponderar.

A baixa alfabetização de saúde deixa essas tarefas mais difíceis, com resultados preocupantes. Estudos indicam que pessoas com baixa alfabetização têm a saúde piorada a um custo maior. Elas são menos propensas a tirar proveito de testes preventivos e imunizações, e têm maior probabilidade de ser hospitalizadas.

Pode não ajudar muito o fato de que os futuros grupos de adultos serão mais educados. "As exigências para a utilização do sistema de saúde estão aumentando. Pergunte a qualquer filho adulto de um pai que foi hospitalizado. O sistema ficou cada vez mais complexo", disse Wolff.

Isso não significa que os pacientes merecem toda a culpa pelos mal-entendidos. Rima Rudd, pesquisadora de longa data de alfabetização em saúde na Universidade de Harvard, há muito critica as habilidades de comunicação das instituições e dos profissionais de saúde.

"Mostramos descobertas às pessoas e lhes falamos sobre os riscos, esperando que tomem decisões com base nesses conceitos, mas não os explicamos muito bem. Os nossos formulários são legíveis? As orientações após a cirurgia são escritas de modo coerente? Se estiver escrito em jargão, com palavras e números confusos, você não vai captar as informações importantes."

Alguns anos atrás, Steven Rosen, 64 anos, passou mais de dois meses em um hospital de Chicago depois de várias cirurgias. Então, uma assistente social entrou em seu quarto e disse à sua esposa, Dorothy: "A senhora precisa levá-lo amanhã para um LTAC."

"Não sei do que você está falando", Dorothy Rosen se lembra de ter dito. "O que é um LTAC?"

Pergunta: ela demonstrou uma alfabetização inadequada de saúde, ou a assistente social deveria ter esclarecido que um LTAC – hospital de cuidados agudos de longo prazo (na sigla em inglês) – é uma instituição que presta mais cuidados que os lares de idosos para pacientes muito doentes?

Conscientes de tais questões, as organizações de cuidados de saúde estão lutando para tentar tornar a informação mais acessível e inteligível, e para ajudar os pacientes de todas as idades a entender um ambiente muitas vezes desconcertante.

Estão contratando esquadrões de coordenadores de cuidados (às vezes até demais), e redesenhando e reescrevendo panfletos e formulários. Estão ensinando os estudantes de Medicina a se comunicar mais claramente, incentivando as perguntas dos pacientes.

Estão utilizando a tecnologia, como sites seguros, onde pacientes e familiares podem ver os resultados dos testes ou fazer perguntas.

"Não é a panaceia que esperávamos", disse Amy Chesser, pesquisadora de comunicação de saúde da Universidade Estadual de Wichita, apontando que muitos pacientes ainda relutam em recorrer a sites. Mas o potencial permanece.

Porém, por enquanto, muitas vezes os provedores de alfabetização de saúde primária para os idosos são seus filhos adultos, mais comumente filhas e noras.

"No melhor de todos os mundos, seria apenas a filha", disse Chesser. "Mas ela tem outros papéis – ser a cuidadora, fazer um monte de perguntas, buscar informações, falar sobre segundas opiniões."

O atual grupo de pessoas com mais de 70 anos cresceu em um sistema médico mais patriarcal, fazendo menos perguntas, afirmou Wolff. Sua pesquisa mostra que, enquanto a maioria dos idosos gerencia seus próprios cuidados de saúde, cerca de um terço prefere uma gestão compartilhada com a família ou os amigos íntimos, ou delega questões de saúde para a família ou os médicos.

Duyen Pham-Madden desempenha o papel de cogestão a centenas de quilômetros de distância, mantendo planilhas dos medicamentos de seus pais, compilando listas de perguntas para consultas médicas e enviando mensagens de texto aos farmacêuticos quando os comprimidos em uma receita parecem diferentes do último lote.

Ela provavelmente pontuaria bem na alfabetização em saúde, mas "às vezes até eu me confundo", disse ela.

O que é o buraco do donut do Medicare? "Eu tive de pesquisar", disse. Depois da pesquisa, ela ponderou: "Como eles esperam que os idosos entendam isso?"

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