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Sexo é exercício? Entenda se transar antes do treino atrapalha o desempenho

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Sexo não é uma atividade tão puxada assim e por isso transar não afeta seu desempenho em outros exercícios Imagem: iStock

Maria Júlia Marques

Do UOL VivaBem, em São Paulo

21/12/2018 04h00

Existe uma lenda que transar antes de praticar esportes pode afetar o desempenho no treino. Falando assim parece que o sexo é uma atividade tão poderosa que nos deixa acabados, mas, por mais que muita gente fosse gostar do fato de transar ser um exercício superpotente, que conta como uma ida até a academia, a verdade não é bem assim. 

"A duração do sexo é curta e a frequência não é tão intensa, por isso, honestamente, transar vai influenciar pouquíssimo no corpo pensando em resposta muscular ou performance em outras atividades", diz Bianca Vilela, fisiologista do exercício. 

Todo exercício pode ser classificado em três níveis: leve, como uma caminhada ou movimento rápido; moderado, como correr e ficar ofegante por mais de 15 minutos; ou forte, que exigem mais energia e resistência, variando de tiros a maratonas. "Pensando nessa escala, o sexo é leve, não desgasta fisicamente e tem gasto energético baixo", explica Karina Hatano, médica do esporte do Instituto Cohen e preceptora da residência médica de Medicina Esportiva da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). 

Para ter uma ideia, um estudo feito na Universidade de Utrecht, na Holanda, mostrou que uma relação sexual dura apenas 5,4 minutos em média. Assim, fica confirmado que quem acabou transar não pode dizer "tá pago". "Sou médica do esporte e nutróloga, e nunca dei pré-treino para transar. As condições mostram que sexo não é um treino", completa Hatano. 

Transar prejudica a malhação?

Por não ser uma atividade tão longa e intensa, o sexo não prejudica o treino.

"Existem dados que mostram que se você usar 80% da sua capacidade em um treino ultraintenso, em cinco minutos você consegue uma reposição total de glicogênio muscular. Então, não vai ser o sexo antes da academia que vai afetar seu potencial", afirma Vilela. 

Em uma revisão de estudos sobre o tema, cientistas concluíram que não há evidências científicas robustas indicando que a atividade sexual tem um efeito negativo sobre os resultados atléticos. A análise, publicada no jornal científico Frontiers in Physiology, mostrou que a força de ex-atletas do sexo feminino não mudou quando fizeram sexo na noite anterior ao treino, e que maratonistas tiveram efeitos benéficos ao correr depois de transar.

Outra pesquisa, divulgada no The Journal of Sexual Medicine, demonstrou que a relação sexual não afeta significativamente a força dos músculos das pernas, e restringir o ato antes de um treino ou competição não é necessário

Não é só uma questão física, também é psicológica

Pensando na fisiologia, transar não induz piora em atividade alguma, mas existem reações do organismo muito particulares. Alguns indivíduos, por exemplo, respondem com sono e preguiça ao sexo, pela queda hormonal gerada após o orgasmo. Nestes casos, o sexo antes da academia pode não fazer sentido. 

Por outro lado, há quem fique felizão depois de transar, devido aos níveis de hormônios relacionamos ao prazer, como endorfina. Essa pessoa vai treinar com mais gás, menos ansiedade e menos distrações, o que pode deixar o exercício ainda mais produtivo. 

"Também existe um condicionamento do sistema de recompensa. Quando transamos, liberamos 'hormônios do prazer', nosso corpo gosta da sensação que eles trazem e quer tê-la de novo. Sabe onde ele consegue isso além do sexo? No treino", explica Diego de Barros, fisiologista do esporte do HCor (Hospital do Coração). Neste caso, o sexo como pré-treino é uma ótima ideia e vai impulsionar a vontade de ir para a academia.

A maior vilã nesse debate é a cabeça. "Se o atleta acredita que não pode transar antes de um jogo, que isso o enfraquece de alguma forma, ele pode ficar com essa pulga atrás da orelha caso transe, achando que aquilo vai desestabilizá-lo e fica nervoso, desconcentrado. É preciso se conhecer para saber como você lida com a questão", diz Hatano.

Mas não é um sentimento geral, também existem esportistas que aliviam suas tensões no sexo e conseguem competir ou se preparar com maior foco e sem nervosismo

"Não existe uma regra clara. Sabemos que o sexo não interfere e sugerimos que o paciente tenha bom senso. Acha que ajuda? Faça. Sente que atrapalha? Não faça", aconselha Barros. "Mas é bacana ter em mente que não há evidências que a privação de sexo melhora o foco ou guarde energias para uma competição, é só  uma escolha", completa o fisiologista

E atletas profissionais?

Antigamente, a abstinência sexual era mais comum entre os profissionais, mas este quadro está mudando de figura. Nas Olimpíadas do Rio, em 2016, 450 mil preservativos foram distribuídos ao redor da vila dos atletas durante os jogos, um recorde. 

Mas novamente depende muito de como cada um lida com a pressão, qual a importância da competição e o perfil do competidor. De qualquer modo, o sexo em concentração está deixando de ser tabu.

"O atleta fica confinado, só treina, sente a pressão, o estresse, a ansiedade...Os técnicos mais modernos tendem a enxergar o jogador como um ser humano que precisa de distração, da quebra do nervosismo, que precisam aliviar a tensão, e assim liberam o sexo", comenta Hatano.

Ainda podem existir comissões técnicas que acreditam que qualquer atividade do profissional é significativa e preferem evitar intervenções sexuais. Em outros casos, como no de lutadores, é comum usar a abstinência sexual como uma estratégia para garantir certa revolta e agressividade que podem ajudar no combate

Resumindo, se quiser transar a ciência assegura que o desempenho nos treinos não será comprometido, mas é importante conhecer os seus limites e gatilhos emocionais para que a transa não se transforme em um empecilho para você se sentir disposto e despreocupado. 

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