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Aprenda a guardar e descartar remédios do jeito certo

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Locais livres de calor e umidade são os melhores para estocar medicamentos Imagem: iStock

Sibele Oliveira

Colaboração para o UOL VivaBem

2018-12-17T04:00:00

17/12/2018 04h00

Todo mundo tem em casa uma caixa ou armário para guardar remédios. É dali que sai a solução para aliviar uma dor de cabeça repentina, baixar a febre do filho no meio da noite, resolver uma dor muscular e fazer um curativo após um acidente na cozinha. E é para lá que voltam comprimidos, cápsulas, pomadas, soluções orais e outros tipos de medicamentos até precisarem ser usados novamente. Afinal, prestando atenção à data de validade, tudo bem colocá-los em qualquer lugar, não é? Não. Se forem estocados do jeito errado, esses itens podem fazer mais mal do que bem.

"Quando armazenados fora das recomendações, os medicamentos podem não trazer os benefícios esperados (porque tiveram a eficácia perdida ou reduzida) e até desencadear reações de toxicidade por causa de alterações na estabilidade da fórmula", avisa André Bigal, farmacêutico do Hospital Universitário de São Carlos (UFScar/Ebserh).

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Os piores lugares

Fatores externos como luz, temperatura e umidade podem provocar reações químicas que estragam os remédios antes do vencimento. E como nem sempre eles apresentam mudança de cor, cheiro, sabor, textura ou outras modificações visíveis, é bom seguir todas as orientações do fabricante para mantê-los em casa com segurança.

Um dos erros mais comuns é guardar os remédios na cozinha, que é o lugar mais quente da casa, ou no banheiro, que é úmido. Deixá-los expostos ao sol, perto de lâmpadas que emanam calor ou em cômodos onde há infiltrações também pode comprometer a qualidade. "O ambiente adequado é, por exemplo, o guarda-roupa do quarto ou um armário da sala, que costumam ser secos, sem oscilação de temperatura e protegidos da luminosidade", indica Maria Aparecida Nicoletti, farmacêutica bioquímica e doutora em fármacos e medicamentos pela Universidade de São Paulo (USP).

Outra recomendação básica, mas muitas vezes negligenciada, é escolher um local fora do alcance das crianças. De acordo com um levantamento feito em 2016 pelo Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (Sinitox), das mais de 20 mil pessoas intoxicadas por medicamentos naquele ano, mais de 30% foram crianças abaixo de cinco anos.

Organizando a farmacinha

- O primeiro passo é adotar um hábito que nem todo mundo tem: ler bulas, rótulos e embalagens. Conhecendo as informações contidas ali, é possível saber exatamente como cada medicamento deve ser acondicionado.

- Conservar caixas e frascos originais, assim como manter comprimidos e cápsulas nas cartelas (em vez de transferi-los para recipientes tipo porta-remédios) é importante para proteger os medicamentos e facilitar a identificação.

- Remédios diferentes podem ser guardados juntos, desde que as descrições de armazenamento sejam iguais. Nicoletti aconselha a distribui-los em prateleiras: os sólidos na parte de cima e os líquidos e semissólidos em baixo. Dessa forma, se houver vazamento de soluções líquidas, pomadas ou cremes, os sólidos não serão atingidos.

- Outra dica é separar os remédios por categorias e deixar os que estão mais próximos do vencimento em lugar de destaque. Assim, na hora da pressa você encontra com facilidade o que precisa. Vale lembrar que alguns medicamentos, como a insulina, precisam ser guardados na geladeira.

- Depois de abertos, o ideal é manter potes, frascos e bisnagas vedados e só manipulá-los quando for usar, a fim de evitar contaminação. Encostar um colírio na mucosa do olho, por exemplo, pode facilitar a entrada de microrganismos. Do mesmo jeito que expor comprimidos à umidade e ao oxigênio pode acelerar a degradação.

- A maioria dos medicamentos se mantém própria para uso enquanto estiver dentro da validade. As exceções são os que trazem informações explícitas nos rótulos, como antibióticos dispensados na forma de pó e utilizados com adição de água ou diluente próprio. Esses têm validade por determinado período após o preparo. Depois, caso haja sobras, devem ser descartadas.

- Se for transportar medicamentos na bolsa ou na mala de viagem, é aconselhável reservar um compartimento específico para eles. No caso de levá-los de carro, avião ou outro meio de transporte, é preciso tomar cuidados especiais. "Escolha um local ventilado, ao abrigo da luz, isento de umidade e calor. Se o produto exigir armazenamento em geladeira, providencie um recipiente que assegure a temperatura indicada pelo fabricante, como uma caixa de isopor", recomenda Nicoletti. 

Venceu o prazo de validade. E agora?

É comum o tratamento com antibióticos ou analgésicos, por exemplo, terminar antes do fim da cartela dos remédios. Aí, geralmente as sobras voltam para a caixa de primeiros socorros. Ao encontrar medicamentos vencidos, o que fazer com eles? Em primeiro lugar, conserve-os na própria caixa para que seja identificado antes do descarte. Em seguida, procure um ponto de coleta próprio para esse tipo de resíduo.

Essa não é uma tarefa fácil, afinal, há poucos pontos de coleta no país. Segundo um estudo realizado pela Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e Universidade de Campinas (Unicamp), até 13,8 toneladas de resíduos de remédios são produzidas por ano no Brasil.

O problema é que ainda não foi implantado o sistema de logística reversa de medicamentos (devolução dos resíduos às indústrias farmacêuticas para reaproveitamento ou destinação apropriada), previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos. Um acordo setorial com essa finalidade está sendo construído pelo Ministério do Meio Ambiente.

Por enquanto, o jeito é procurar farmácias, postos de saúde e empresas que oferecem o serviço. Ou programas como o Descarte Consciente, que mantém 1100 pontos de coleta de medicamentos em 19 estados brasileiros. Parecidas com um caixa eletrônico, as estações são equipadas com um leitor de código de barras que identifica o princípio ativo dos remédios e transmite os dados para uma central. Depois, os resíduos coletados e encaminhados para a incineração. Cada ponto recolhe cerca de oito quilos de remédios vencidos por mês.

As caixas e bulas que não foram contaminadas são rasgadas para que possam ser recicladas. "Esse material representa de 30% a 40% do volume que tem um fim econômico positivo", diz José Francisco Agostini Roxo, autor do programa. Ele orienta que o usuário verifique sua farmácia doméstica uma vez por mês, coloque os remédios vencidos em uma caixa separada, leve ao ponto de coleta e deposite dentro do coletor.

Não misturar os resíduos é fundamental para que ninguém se machuque. Materiais perfurantes ou cortantes como seringas, agulhas para insulina e lancetas (perfuradores de pele), devem ser depositados em uma caixa rígida, pote de vidro, lata de alumínio ou garrafa pet. Não podem ser deixados dentro de casa. "O erro mais comum é a pessoa não procurar um local para descartar e acabar virando uma acumuladora de medicamentos", alerta José Francisco.

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