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Desodorante causa câncer de mama? Bicarbonato evita o cheiro ruim de suor?

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Não há comprovação de que as substâncias presentes nos desodorantes geram câncer ou outros problemas de saúde Imagem: iStock

Marcia Di Domenico

Colaboração para o UOL VivaBem

2018-12-12T04:00:00

12/12/2018 04h00

A onda sustentável trouxe de volta uma antiga polêmica, sobretudo entre as mulheres: usar desodorante aumenta o risco de desenvolver câncer de mama? A dúvida surgiu há mais de uma década, baseada em dados sobre a localização mais frequente de tumores cancerosos --no quadrante superior próximo da axila, onde passamos o produto -- e na possível influência do hábito feminino de depilar embaixo do braço, que aumentaria a absorção dos ativos nocivos do desodorante, levando a mutações celulares que resultariam em câncer

O Inca (Instituto Nacional de Câncer), a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e a American Cancer  Society (EUA) descartam a associação direta entre uso de desodorante e câncer, justificando que não há evidências consistentes que a comprovem. Mas sustentam que, apesar de seguros, é importante estudar possíveis efeitos de alguns ingredientes desses produtos no organismo. 

O alumínio é prejudicial?

Das substâncias presentes nos desodorantes (que agem apenas no odor) e nos antitranspirantes (que controlam a liberação do suor), a que mais preocupa as pessoas é o alumínio, que pode aparecer no rótulo como cloridrato, cloreto ou cloridróxido de alumínio. Na forma de um pó finíssimo, ele tem a função de obstruir os ductos sudoríparos, impedindo a excreção do suor pela pele.

Quando você compra uma versão de cosmético que promete 24 ou 48 horas de proteção, o que determina isso é a concentração de sais de alumínio na fórmula --quanto mais substância, maior o tempo sem transpirar. Apesar de alguns cientistas sugerirem que o alumínio altera os receptores de estrogênio (hormônio feminino) nas células, a American Cancer  Society explica que a quantidade de alumínio absorvida pela pele a cada "passada" de desodorante é muito pequena (apenas 0,012%), menor até do que a presente em alguns alimentos. Portanto, não deve haver preocupação.

Um estudo publicado este ano no Journal of Molecular Biochemistry confirma que não há evidências conclusivas da relação entre câncer de mama e exposição ao alumínio, mas confirma que o potencial do metal como disruptor hormonal e ressalta a importância de novas pesquisas para identificar até que ponto o uso da substância é seguro. 

Outro ingrediente que costuma gerar preocupação é o triclosan, ativo antibacteriano sintético comum em sabonetes antissépticos e pastas de dente, além de desodorantes --em que é empregado para amenizar o cheiro ruim da transpiração, resultante da interação das bactérias e fungos presentes na pele com o suor.

No ano passado, a substância foi banida pelo FDA (Food and Drug Administration, órgão de saúde norte-americano) em produtos de higiene pessoal de venda livre (que não precisam de receita). Segundo a instituição, a exposição prolongada ao ingrediente pode gerar alterações hormonais e resistência bacteriana --pois desregula o sistema de defesa do corpo e tende a favorecer o surgimento de micro-organismos cada vez mais fortes. Baseada em trabalhos científicos, a Anvisa entende que é seguro e permite uma concentração de até 0,3% de triclosan em produtos de higiene pessoal vendidos no Brasil,.

Os parabenos, usados como conservantes em vários tipos de itens de higiene, e as fragrâncias são outro foco de vigilância, por provocar alergias de pele em algumas pessoas. Porém, também não há comprovação de que essas substâncias geram problemas de saúde, incluindo câncer de pele.   

Vale usar bicarbonato e outras fórmulas caseiras?

Mesmo sem comprovação de que os desodorantes "convencionais" são inseguros, algumas pessoas preferem se proteger do mau odor com produtos livres de ingredientes sintéticos e de origem mineral --em que se encaixam os parabenos, o triclosan e o alumínio. Uma solução encontrada para isso é fabricar em casa o próprio desodorante, com ingredientes tirados da despensa. 

Para os dermatologistas, bicarbonato de sódio e leite de magnésia são eficientes para neutralizar o cheiro ruim da transpiração, pois elevam o pH da pele --quanto está mais alcalino, ele impede a proliferação de fungos e bactérias que reagem com o suor.

Óleo de coco e manteiga de karitê são boas opções para dar consistência ao desodorante e, ainda, hidratar a pele. Já algumas gotinhas de óleo essencial deixam a receita mais agradável e até funcional --alecrim, copaíba, cravo e calêndula, por exemplo, têm ação bactericida; lavanda e gerânio são relaxantes; rosa mosqueta, limão e bergamota podem ajudar a clarear axilas escurecidas. 

A desvantagem dos desodorantes caseiros é que a proteção é menos duradoura, mas não há contraindicação em aplicar o produto mais de uma vez por dia, o que pode ser necessário dependendo da intensidade de sua transpiração. 

Receita de desodorante caseiro  

  • 2 colheres (sopa) de bicarbonato de sódio;
  • 2 colheres (sopa) de óleo de coco;
  • 3 colheres (sopa) de amido de milho (se necessário, para dar liga);
  • 3 ou 4 gotas de óleo essencial (o que preferir).

Misture tudo até formar uma pasta uniforme e aplique com os dedos. 

Fontes: Roberto Antunes, ginecologista e diretor da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA); Claudio Basbaum, ginecologista, doutor pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e médico do Hospital e Maternidade São Luiz; Marcio  Accordi, biólogo especialista em cosmetologia clínica; Juliana Zimbres e Jardis  Volpe, dermatologistas membros da Sociedade Brasileira de Dermatologia. 

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