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Longevidade

Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável

Mulheres e homens encaram o envelhecimento de formas diferentes

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Imagem: iStock

Bárbara Stefanelli

Colaboração para UOL VivaBem

05/12/2018 04h00

Elas se preocupam com a velhice muito mais cedo, mas também aproveitam mais quando chegam à terceira idade

A antropóloga Mirian Goldenberg realizou a pesquisa "Corpo, Envelhecimento e Felicidade" com 5.000 homens e mulheres brasileiros de 18 a 96 anos. Durante seus estudos, descobriu que ambos os sexos encaram o passar dos anos de maneira bem diferente e que o envelhecimento começa muito mais cedo para as mulheres, logo após os 30 anos.

"Percebo que elas, muito antes dos 40, já entram em pânico de envelhecer. Depois dos 30, pensam que não casaram ou que estão sem filhos. A velhice está introjetada nas mulheres desde muito cedo", afirma Mirian ao UOL VivaBem

Essa preocupação excessiva com a idade existe porque o universo feminino é muito mais cobrado por sua aparência. De acordo com Goldenberg, apesar de muita coisa já ter mudado, nossa cultura sempre representou e valorizou as mulheres pela forma física. Já os homens são mais associados ao trabalho, produtividade, dinheiro e status.

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Mas esse cuidado excessivo da mulher tem seu lado positivo. As mulheres acabam chegando melhor que os homens à terceira idade, pois fazem mais visitas a diferentes tipos de médicos --o que serve como uma forma de prevenção.

Se você comparar um homem e uma mulher de 70 anos, fisicamente ela estará bem melhor que ele, porque se cuidou e investiu muito mais. E ele só vai ao médico quando realmente está com uma coisa mais grave.

A velhice masculina é mais positiva, porque não é tão centrada na aparência do corpo. Os homens podem envelhecer, ter rugas, engordar e ter cabelo branco que não são tão cobrados. Miriam Goldenberg, antrópologa

Preocupações dos homens são diferentes

Eles podem não ter tanto receio com a aparência, mas isso não quer dizer que não temam envelhecer. O medo deles é muito mais relacionado ao papel social, já que querem continuar sendo úteis e ativos. 

De acordo com Valmari Aranha, psicóloga integrante da diretoria da SBGG (Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia), o envelhecimento físico ainda é um desafio para eles, porque a geração masculina que é idosa hoje foi criada para trabalhar. E, quando se veem menos produtivos, acabam se sentindo perdidos.

O homem tem um pouco de vergonha de envelhecer e da mudança de papéis, de deixar de ser provedor para ser alguém que precisa de cuidados. Esse é um dos motivos que fazem com que os homens fiquem mais reservados que as mulheres na velhice. Muitos ficam com vergonha de ir ao cinema ou à academia à tarde sozinhos, pois temem o que os outros vão pensar, que vão julgar que ele não está trabalhando.

Terceira idade: hora de aproveitar

Se durante grande parte da vida as mulheres se esforçam para se encaixar nos padrões estéticos, é depois dos 60 que elas se libertam destas amarras e se sentem mais felizes. "Na velhice, elas assumem a própria identidade. Deixam de querer ter um corpo jovem e de se preocupar com o que os outros estão pensando", afirma Aranha.

Isso porque elas não puderam ser livres quando eram mais jovens, porque estavam cuidando da casa, dos filhos, do marido e trabalhando. Então, elas valorizam muito o tempo que têm, seja estudando, viajando ou indo ao cinema e saindo com as amigas.

Já para os homens, a liberdade não é uma questão, pois sempre puderam ser mais livres. O que eles querem é ter mais tempo com o mundo do afeto, com a casa, a mulher, os filhos e os netos. Eles dizem que não tiveram tempo de curtir isso quando eram mais jovens, acreditam as especialistas.

E por mais que homens e mulheres queiram aproveitar essa fase da vida de maneiras distintas, ambas especialistas consultadas são enfáticas que o importante é que tanto um quanto o outro se mantenha ativo. É fundamental conviver com outras pessoas e sair da zona de conforto

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