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Longevidade

Práticas e atitudes para uma vida longa e saudável

Cinco formas como o estresse reduz a expectativa de vida (e você nem nota!)

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Estresse impacta o corpo de diversas formas negativas Imagem: iStock

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL VivaBem

03/12/2018 04h00

O estresse é aquele momento entendido pelo nosso corpo como uma ameaça. Pode estar associado a algo muito bom, como o nascimento de um filho, ou ruim, como um acidente. Mas não só eventos extraordinários são caracterizados desse modo. No dia a dia, um relatório com prazo apertado, a bronca do chefe ou esquecer o filho na escola, por exemplo, podem desencadear uma série de mecanismos fisiológicos que alteram a respiração, o balanço hormonal, os batimentos cardíacos e até a sua imunidade

Seu corpo até se adapta bem a isso vez ou outra, o problema é que, a longo prazo, estudos mostram que viver tenso pode reduzir uns bons anos da sua vida. Não é que o estresse vá matar a pessoa imediatamente, mas ele causa uma série de reações físicas e emocionais que desencadeiam problemas que podem levar ou acelerar a morte, ou antecipar o envelhecimento.

Para entender melhor como cada mecanismo desse funciona, o UOL VivaBem listou a seguir as formas que o estresse tem para abreviar a sua vida. Confira: 

1. Induz a hábitos não-saudáveis 

Você já percebeu que após um dia muito estressante é comum surgir aquela vontade comer algo gostoso --e normalmente bem calórico? Em alguns casos, a necessidade de relaxar pode ainda significar excesso de álcool, cigarro, medicamentos de uso controlado ou drogas ilícitas

Isso acontece como uma forma de compensação para o cérebro, uma espécie de anestesia pelo esforço causado ao corpo durante um episódio de estresse. Uma pessoa mais ansiosa costuma ter a necessidade de uma gratificação oral, então ela pode ficar, por exemplo, beliscando comidas com muito sódio, açúcar e gordura, que são pouco nutritivas. 

Outra explicação possível é que o estresse altera os níveis de cortisol, responsável, entre outras ações, pelo nosso apetite. Com esse mecanismo desequilibrado, fica mais fácil comer em excesso, o que a longo prazo pode resultar em quilos a mais na balança. 

O que os estudos mostram é que a obesidade, por sua vez, aumenta as chances de ter hipertensão e diabetes tipo 2, e pode significar uma redução de 10 anos na expectativa de vida. Já quem costuma beber muitos drinques na happy hour pode viver de quatro a cinco anos a menos do que aqueles que preferem pegar leve no bar. 

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2. Afeta do sistema imunológico

Um estudo publicado em 2012 na PNAS (sigla em inglês para Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos) mostrou que o organismo de um indivíduo estressado tem uma resposta inflamatória maior dos que os demais. Na prática, isso significa que há mais chances de um resfriado, por exemplo. 

Isso acontece porque entre os hormônios liberados por conta do estresse estão a adrenalina, que coloca o nosso corpo em alerta, e o cortisol, responsável por equilibrar certas funções do organismo, como as ações anti-inflamatórias, o metabolismo da glicose e o apetite, como já dissemos. 

O problema é que, em excesso, o cortisol suprime as respostas do sistema imunológico, tornando o organismo mais suscetível a doenças. Pesquisas mostram que há relação entre um grande episódio de estresse e o diagnóstico de câncer em um intervalo médio de 24 meses. Isso não ocorre por coincidência, já que o estresse afeta o sistema imunológico, que não atuará tão bem contra células cancerosas, vírus, bactérias e outras ameaças à saúde. 

3. Prejudica o seu sono e afeta a memória

Como já dissemos, o estresse crônico altera os níveis de cortisol, que entre outras coisas, é responsável por regular a qualidade do nosso sono. O problema é que, segundo pesquisa coordenada pela bioestatística Laurel Finn, da Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, a mortalidade é três vezes maior entre pessoas que têm insônia

Alguns estudos mostram que durante o sono o cérebro realiza alguns processos de limpeza, elimina detritos que se acumulam. Quando a pessoa não alcança todas as fases do sono, eles podem se acumular e facilitar o surgimento de doenças neurodegenerativas.

Os episódios também reduzem a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de se adaptar e fazer novas conexões, prejudicando a memória. Exemplo disso é um estudo divulgado no periódico Nature em 1998, que mostrou que depois de 30 minutos estressados por um choque elétrico, ratos eram incapazes de se lembrar a saída de um labirinto. 

4. Prejudica a saúde mental

Uma pesquisa publicada na revista científica Biological Psychiatry em 2012 mostrou que o estresse faz o cérebro encolher, reduzindo a capacidade do indivíduo de lidar com adversidades --mais um efeito da redução da neuroplasticidade. 

Além disso, o estresse diminui os níveis de serotonina (hormônio associado às sensações de bem-estar), aumenta as chances de ter depressão e de transtornos associados à ansiedade, como fobias e crises de pânico. 

Essa alteração hormonal modifica a regulação do humor, então é muito comum que essas pessoas não consigam relaxar e sentir prazer. A consequência pode ser a solidão e o isolamento, mas também dependência química, distúrbios alimentares e suicídio, entre outros comportamentos autodestrutivos. 

5. Aumenta as chances de doenças do coração 

Quando você tem um episódio de estresse, há um aumento da frequência cardíaca e da pressão sanguínea. Com o tempo, o corpo entende que o pior já passou e começa a restabelecer seus níveis normais. Só que quando essas situações se tornam frequentes, o organismo vai perdendo aos poucos a capacidade de adaptação arterial e o resultado pode ser uma hipertensão. 

Outro complicador é que o estresse aumenta os riscos de problemas cardiovasculares. Segundo um estudo publicado em 2013 no periódico European Heart Journal, a chance de um indivíduo estressado morrer de infarto é quase duas vezes maior do que alguém que não sofre esse tipo de tensão no cotidiano.

Soma-se a isso o fato de que pessoas estressadas, como já dissemos, costumam adotar hábitos não saudáveis, com uso frequente de drogas, álcool e ingestão de alimentos ricos em sódio, açúcar e gorduras saturadas -inimigos da saúde do coração.

Fontes: Fabio Porto, neurologista do HC-FMUSP (Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo; Ana Maria Rossi, psicóloga e presidente da ISMA-BR (organização internacional para pesquisa, prevenção e tratamento de estresse).

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