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Cinco marcas de pães de forma têm mais gordura do que o informado

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Imagem: iStock

Do UOL VivaBem, em São Paulo

29/11/2018 16h07Atualizada em 30/11/2018 15h23

Pesquisa realizada pela Proteste (Associação de Defesa do Consumidor) revela que, das 16 marcas de pães de forma testadas, cinco não respeitam a legislação e apresentam uma variação de mais de 20% entre as gorduras totais informadas na tabela nutricional e as presentes no alimento.

Os produtos reprovados no teste foram os tradicionais Wickbold (41,7%), Plus Vita (25,7%), Vai tradicional (111,50%) e o integral Panco (50%). O pão integral Grãolev declara não conter quantidades significativas de gorduras totais (ou seja, até 0,5 g /porção), porém a porção analisada possuía 1,37 g.

A análise levou em conta os rótulos, observando se trazem todas as informações importantes e se estão legíveis, se os produtos contém micro-organismos patogênicos (Salmonela) ou indicadores de conservação inadequada (bolores e leveduras), comparação do teor de fibras dos pães com os prometidos nas embalagens e, por fim, o sabor, o aroma e a textura dos pães, com participação de um painel de consumidores.

De um modo geral, os rótulos foram bem avaliados, pois trazem as informações obrigatórias por lei, incluindo as alegações sobre a ausência de glúten e de alergênicos. Mas alguns problemas foram encontrados. Além da quantidade maior de gordura, não há a data de fabricação em nenhuma das marcas, que, mesmo não sendo obrigatória por lei, é muito importante para o consumidor. Além disso, somente quatro marcas mencionavam a validade do produto após aberto.

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Na análise da qualidade microbiológica dos alimentos, fundamental para saber se um alimento é adequado ao consumo e se apresenta algum risco à saúde dos consumidores, nenhum dos produtos estava contaminado por Salmonela nem apresentaram crescimento de bolores e leveduras.

Em relação à Informação Nutricional Complementar (INC), a maioria dos produtos atendeu aos critérios para sua utilização, exceto o pão de forma integral Grãolev, que indica que o produto é "sem adição de açúcar", mas não traz a frase "Este não é um alimento baixo ou reduzido em valor energético", obrigatória junto à INC no rótulo. O pão integral Grãolev também apresentou em laboratório uma quantidade de fibras inferior à do rótulo: a embalagem diz 2,7g, mas a análise mostrou que há 1,27g de fibras na porção, ou seja, 53% a menos das fibras que promete.

Todos os rótulos traziam as informações corretas sobre o valor calórico, carboidratos, proteínas e no sódio contidos nos produtos. A legislação permite uma variação de até 20% entre o produto e o rótulo.

No Brasil ainda não há uma legislação que defina parâmetros e metodologias para classificar um pão ou qualquer produto como integral ou que obrigue a descrição do percentual de cereais integrais utilizados na sua fabricação.

Por conta da ausência de uma norma que estabeleça padrões para a classificação, a Proteste pediu à Anvisa a criação dessa norma e apresentou denúncia das marcas que apresentaram informações inverídicas nos rótulos.

Em comunicado enviado ao UOL VivaBem, a Bimbo Brasil (fabricante do pão Plus Vita) declarou que segue rigorosamente a legislação e vai buscar entender os critérios do teste que reprovou seu produto. A Wickbold afirmou seguir um rigoroso padrão de qualidade e, por não ter acesso ao laudo da pesquisa, não tem condições de se manifestar sobre os resultados. 

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Errata: o texto foi atualizado
29/11/2018 às 19h00
Informamos que os pães reprovados no teste têm quantidade de gordura maior do que a recomendada, mas eles foram reprovados por possuir quantidade do nutriente 20% maior do que a apresentada na tabela nutricional.