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Pyridium: uso incorreto de remédio para infecção urinária pode afetar rins

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O remédio alivia a dor, mas não trata a causa da infecção urinária Imagem: iStock

Marcia Di Domenico

Colaboração para o VivaBem

2018-11-25T04:00:00

25/11/2018 04h00

Por se tratar de um problema muito comum entre o sexo feminino (a uretra mais curta e próxima da vagina e do ânus facilita a entrada de bactérias), muitas mulheres já sabem de cabeça qual medicamento devem tomar para combater a infeção urinária. Aí, usam o remédio por conta própria ao sentir o primeiro sinal da doença (ardência ao fazer xixi), pulando a etapa de consultar o médico e tratar o problema como se deve.

Um dos medicamentos mais receitados para aliviar a dor é o Pyridium, que tem como princípio ativo a fenazopiridina, e também é indicado para amenizar o desconforto depois de cirurgia, exame ou trauma que irrite a mucosa do trato urinário baixo (que inclui uretra e bexiga).

    Aí é que mora o perigo. "O remédio tem ação analgésica e não antibiótica, ou seja, funciona para eliminar a dor, mas não cura a infecção", explica o ginecologista Alexander Kopelman, professor do Departamento de Ginecologia da Unifesp. "Deve ser sempre usado junto com o antibiótico. Caso contrário, corre-se o risco de mascarar a gravidade da infecção, permitindo que ela avance pelo sistema urinário", completa o médico.

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    Uma cistite (infecção que atinge a bexiga), por exemplo, costuma ser simples de tratar. Sem o cuidado adequado com antibióticos, pode evoluir a ponto de atingir os rins (pielonefrite), levando a internação e até um quadro de infecção generalizada.

    Outro risco da automedicação com Pyridium é acabar atrapalhando o diagnóstico da própria infecção a ser tratada. Como a substância ativa deixa o xixi de uma cor vermelho-alaranjada forte --o que é normal --, pode alterar o resultado de exames de urina realizados para detectar o grau de infecção e o tipo de bactéria causadora.

    Duração do tratamento

    A recomendação é tomar a fenazopiridina por até dois dias. "Esse é o tempo que normalmente o antibiótico, usado paralelamente, leva para começar a fazer efeito. Com a infecção sob controle, a dor diminui e o analgésico não é mais necessário", destaca o urologista Ravendra Moniz, coordenador do Núcleo de Urologia do Hospital Samaritano, em São Paulo.

    Quem não pode tomar

    Quem tem histórico de doença hepática ou insuficiência renal não pode tomar o remédio sem indicação médica. Diabéticos devem informar seu estado de saúde ao profissional e ficar atentos à resposta do organismo ao medicamento.

    "Como tem açúcar na composição, a fenazopiridina pode desequilibrar os níveis de glicose no sangue", avisa Alexander Kopelman.

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