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Reposição hormonal engorda? Tire essa e outras 9 dúvidas comuns

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Entenda quando buscar ajuda e qual médico procurar Imagem: iStock

Raquel Drehmer

Colaboração para UOL VivaBem

01/11/2018 04h00

O tratamento alivia os sintomas da menopausa e pode até auxiliar em condições não relacionadas ao climatério, mas nem toda mulher pode se submeter a ele

Com a chegada do climatério, caem a produção e a taxa dos hormônios sexuais femininos --estrógeno e progesterona -- e, muitas vezes, a qualidade de vida da mulher. Este é o momento em que a reposição hormonal pode entrar em cena. A terapia tem como objetivo amenizar os sintomas e, como bônus, auxilia no bom funcionamento de outras áreas da saúde.

Mas o tratamento não é uma receita de bolo: nem todas as mulheres podem se submeter à reposição do estrógeno e da progesterona (algumas condições clínicas são impeditivas) e tanto método e posologia quanto duração variam de acordo com o caso.

Conversamos com especialistas para esclarecer dúvidas e particularidades da reposição hormonal. Veja as respostas para nove questões comuns a seguir:

Quais sintomas podem indicar que preciso de reposição hormonal?

Os sintomas clássicos do climatério justificam buscar por uma reposição hormonal:

  • Ondas de calor com duração de poucos segundos que acometem a parte superior do tronco e a cabeça;
  • Sudorese noturna;
  • Oscilação de humor;
  • Humor depressivo;
  • Insônia;
  • Perda da concentração e da memória;
  • Dores musculares ou articulares;
  • Tontura;
  • Queda da libido;
  • Secura vaginal que pode acarretar em dores nas relações sexuais.

Que médico devo procurar?

Ginecologista, endocrinologista ou clínico geral. A reposição hormonal, hoje, é uma subespecialidade destas áreas médicas, então o recomendado é saber se o médico está atualizado em terapia de reposição hormonal na menopausa.

Existem pessoas que não devem fazer a reposição?

As condições mais importantes que impedem a reposição hormonal são:

  • Câncer de mama presente ou passado;
  • Câncer do endométrio;
  • Hemorragia vaginal sem causa identificada;
  • Tromboembolismo passado ou presente;
  • Trombose;
  • Lúpus eritematoso sistêmico;
  • Doenças hepáticas ativas;
  • Doença cardiovascular prévia.

Reposição hormonal engorda?

Não. A confusão ocorre porque o que faz engordar é a desaceleração do metabolismo causada pela falta de hormônios durante esse período e como a reposição hormonal administra uma quantidade de hormônios bem menor do que a produzida naturalmente enquanto a mulher tinha ciclos menstruais, não é possível impedir totalmente a tendência ao ganho de peso nesta fase da vida.

Que hormônios são usados na terapia de reposição hormonal?

Os hormônios que têm queda de produção nesse período: estrógeno e progesterona. Se a mulher for histerectomizada, ou seja, se tiver retirado o útero por qualquer motivo, não é necessário usar a progesterona, pois este hormônio é utilizado para proteger o útero do câncer de endométrio, cujo risco é aumentado pela administração do estrógeno.

A forma como o hormônio é administrado varia. O estradiol, derivado do estrógeno, pode ser administrado via oral ou transdérmica (gel ou adesivo). Os progestogenos, derivados da progesterona, podem ser via oral ou por adesivo. Existe também o tratamento combinado, com os dois hormônios, que é tópico vaginal por meio da aplicação de pomadas e melhora muito a secura da vagina.

A reposição hormonal interrompe o climatério ou impede a menopausa?

Não. O tratamento atenua os sintomas, mas a queda da produção natural dos hormônios e o consequente esgotamento dos ovários é inevitável. A menopausa é um fato biológico determinado um ano após a última menstruação, o que ocorre com todas as mulheres por volta dos 50 anos de idade e nenhum fator externo pode mudar isso.

Quanto tempo dura o tratamento da reposição hormonal?

Não existe tempo mínimo ou máximo para a reposição hormonal, pois cada caso é um caso. A cada consulta, a indicação é reavaliada.

A reposição hormonal apresenta algum risco à saúde da mulher?

Existe um aumento do risco de câncer de mama, mas atualmente o uso de estradiol associado a doses de progesterona via vaginal o diminui.

A reposição hormonal pode beneficiar o tratamento de outras condições de saúde?

Sim. Por prevenir a perda de massa óssea, a reposição hormonal evita a osteoporose e as fraturas nas mulheres de mais idade. Também reduz o risco de câncer de intestino grosso, um dos mais letais entre as mulheres, confere proteção cardiovascular e controla casos de diabetes.

É importante destacar que a reposição hormonal nunca será indicada para o tratamento destas condições e doenças, mas sua administração para amenizar os sintomas da menopausa pode ter efeitos colaterais positivos nestes casos.

Fontes: Dolores Pardini, vice-presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), Luciano Pompei, secretário-geral da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo) e presidente da Sobrac (Associação Brasileira de Climatério) e Rita de Cassia Weiss, presidente do Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sbem.

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