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Táticas para se proteger da luz azul, que afeta sono e até engorda

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Tirar os olhos da tela previne doenças e melhora o sono Imagem: iStock

Juliana Vaz

Colaboração para o UOL VivaBem

2018-10-21T04:00:00

21/10/2018 04h00

Não é novidade que ficar até tarde assistindo televisão ou mexendo no smartphone, computador ou tablet prejudica a qualidade do sono. Uma das explicações para isso é que a luz azul emitida por esses aparelhos --e também por lâmpadas de LED -- ao ser absorvida pela retina, estimula o cérebro a ficar alerta e suprime a produção da melatonina, o hormônio que induz ao descanso.

Estudos realizados pelo King's College de Londres (Inglaterra) e da Universidade de Haifa (Israel) comprovaram que o hábito desencadeia uma série de problemas associados ao sono ruim. Além de mau humor e cansaço, em longo prazo essas noites mal dormidas podem levar a diabetes, depressão e obesidade em adultos e crianças.

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Muitas horas em frente às telas também afetam de várias formas a saúde ocular. Primeiro, porque, sem perceber, acabamos esquecendo de piscar, e isso diminui a lubrificação do olho, que fica ressecado e irritado.

Mas a consequência mais preocupante foi apontada por pesquisadores da Universidade de Toledo, nos Estados Unidos, em um estudo publicado este ano na revista científica Nature. Eles compreenderem que o espectro de luz azul-violeta é potencialmente tóxico às células fotorreceptoras da retina, aumentando o risco de degeneração ocular e, no extremo, levando a cegueira.

Ainda que os especialistas apontem a necessidade de mais estudos nesse campo, é importante mudar hábitos a fim de evitar os riscos de passar muito tempo com os olhos na tela. Veja a seguir algumas táticas que podem ajudar você a conseguir isso.

1. Ajuste os aparelhos no modo noturno

Enxergar luzes em tons quentes é mais confortável para a visão e minimiza os danos pela exposição exagerada à luz azul. Desde 2016, a Apple inclui na atualização do sistema operacional 9.7 do iOS o recurso Night Shift. Com ele é possível programar um horário para que a tela passe a emitir menos luz azul. Já versões mais atuais do sistema operacional Android contam com um filtro de luz azul. Se ele não tiver disponível no seu aparelho, o aplicativo Twilight (gratuito) permite configurar, além de um horário específico, mais de um perfil com ajuste de cor e intensidade de brilho da tela.

Por fim, para quem fica trabalhando ou estudando até tarde em frente ao computador, vale usar o aplicativo f.lux (em inglês, gratuito e disponível para sistemas operacionais Windows, Mac e Linux), que usa a localização geográfica do usuário para determinar o horário que o sol nasce e se põe. Com essa informação, o aplicativo controla o filtro de cor da tela conforme o dia escurece, "esquentando" as cores da tela e diminuindo o brilho. A transição é feita aos poucos para não causar desconforto aos olhos.

2. Relaxe a visão

A cada 20 ou 30 minutos de olhos vidrados na tela, descanse 20 segundos mirando um ponto distante no horizonte, sem forçar a visão. O ideal seria uma área ao ar livre, mas vale focar em um objeto que esteja entre 3 e 6 metros de distância. Especialistas comparam o exercício a uma espécie de musculação para fortalecer os olhos.

3. Use óculos que filtram a luz azul

Várias lojas físicas e virtuais oferecem esses óculos, que tem pouco apelo estético (as lentes são amarelas ou alaranjadas), mas são eficientes para bloquear a luz nociva. Vale saber que essas lentes, no entanto, não protegem contra os raios ultravioleta, outro tipo de radiação perigosa.

Há alguns anos surgiu uma versão de lente intraocular corretiva, utilizada em cirurgias de catarata, que também protege contra a luz azul. A tecnologia foi aprimorada e já está disponível para aplicação em óculos de grau comuns. As lentes recebem uma resina de partículas minerais que atuando com um filtro da luz nociva.

Os especialistas concordam que são necessárias mais pesquisas para que as lentes se tornem uma unanimidade de prescrição médica, mas que o uso não prejudica a vista e melhora o conforto visual à noite e durante o dia.

Fontes: Daniel Vitor de Vasconcelos Santos, oftalmologista e professor do Departamento de Oftalmologia da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e Aléssia Silva Braz, oftalmologista da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

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