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Proteína indica risco de morte pelo câncer de boca, segundo estudo da USP

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Presente nas células cancerosas, proteína chamada moesina pode auxiliar na identificação de casos mais agressivos da doença Imagem: Getty Images

Do UOL VivaBem, em São Paulo

11/10/2018 10h20

Os pacientes com câncer de boca que apresentam uma forte expressão da proteína moesina nas células cancerosas têm menor risco de morrer pela doença, segundo um estudo da Faculdade de Odontologia de Bauru da USP (Universidade de São Paulo), em parceria com os hospitais de câncer de Barretos e A.C. Camargo.

Com a descoberta, médicos poderão medir o nível de moesina para ajudar na identificação de pacientes com pior prognóstico, ou seja, que apresentam tumores com maior agressividade ou capacidade invasiva.

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A pesquisa analisou o tipo mais frequente de câncer de boca, o carcinoma epidermoide ou espinocelular, tumor maligno que surge a partir das células da mucosa bucal. No Brasil, o Inca (Instituto Nacional do Câncer) estimou para o biênio 2018-2019 um total de 11.200 casos novos de câncer da cavidade oral em homens e 3.500 em mulheres.

“Este câncer se caracteriza pela invasão dos tecidos por células atípicas e alteradas geneticamente da mucosa bucal”, relatou a professora Denise Tostes Oliveira, orientadora da pesquisa, em entrevista ao Jornal da USP.  “Ele permanece como uma importante causa de morte no Brasil e no mundo. Em nosso país, muitos pacientes ainda são diagnosticados com a doença em estágios avançados, o que diminui as taxas de sobrevivência”, alertou Denise. “Porém, quando diagnosticado em fases iniciais, o câncer de boca pode ser curado e o tratamento é baseado na cirurgia, associada em alguns pacientes a radioterapia ou quimioterapia,” completou a professora.

Evolução clínica

O estudo investigou a importância da moesina, que é uma proteína envolvida no processo de movimentação da célula cancerosa, na evolução clínica dos tumores e no prognóstico dos pacientes com câncer de boca.

“Verificou-se que os pacientes com câncer de boca que apresentaram uma forte expressão da proteína moesina nas células cancerosas tiveram uma maior sobrevida da doença, ou seja, um menor risco de morrer pelo câncer”, destacou Denise ao Jornal da USP.

A análise foi feita com ajuda de um teste estatístico onde são incluídos todos os fatores que podem influenciar as taxas de sobrevivência do paciente como, por exemplo, a idade, o gênero, o tabagismo, o etilismo, a presença de linfonodos comprometidos pelo câncer, a radioterapia e a proteína moesina.

“O único fator que influenciou as taxas de sobrevivência foi a presença forte da proteína moesina nas células cancerosas, confirmando seu papel como um fator de prognóstico favorável para os pacientes com câncer de boca”, apontou a professora.

Nas últimas décadas muitos estudos foram feitos buscando entender a biologia tumoral, particularmente o que as células cancerosas produzem e expressam e o papel destas moléculas na capacidade de migração e invasão dos cânceres. “Outras amostras precisam ser realizadas para confirmar os resultados, mas esta pesquisa traz uma pequena contribuição sobre uma proteína que foi expressa pelas células malignas do câncer de boca e influenciou o comportamento deste tumor no paciente. A moesina pode ajudar na identificação de pacientes com câncer de boca que apresentam tumores com maior agressividade e capacidade invasiva e, portanto, pior prognóstico”, concluiu Denise. 

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