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Sintomas, prevenção e tratamentos para uma vida melhor

Queda de cabelo não é igual em homens e mulheres; entenda as diferenças

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Ficar atento à intensidade da queda é essencial para definir o melhor tratamento Imagem: iStock

Bárbara Therrie

Colaboração para o UOL VivaBem

11/10/2018 04h00

Mais do que uma questão de autoestima, o cabelo tem sua função no organismo: proteger o couro cabeludo e as estruturas subjacentes --como o cérebro e as meninges -- da radiação ultravioleta, do frio, do calor e da poluição.
 

Se você tem notado menos fios na cabeça e mais no ralo do banheiro, no travesseiro, na escova ou nas roupas, ou uma mudança na espessura dos cabelos, fique atento: você pode estar sofrendo de calvície, também conhecida como alopecia androgenética.
 

Apesar de ser bem mais comum nos homens (andro = masculino), a doença também pode deixar as mulheres carecas. Entenda como ela se dá em cada gênero.
 

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Ocorrência

Aproximadamente 50% dos homens e 40% das mulheres acima dos 50 anos têm alopecia, embora o problema possa aparecer na adolescência. A proporção é maior neles porque a causa da calvície tem a ver com a testosterona, hormônio masculino que, quando convertido em um derivado chamado DHT (dihidrotestosterona), age no bulbo capilar promovendo o afinamento dos fios. Mais fracos, eles vão desaparecendo. As mulheres também produzem testosterona, mas em quantidade menor. Daí sofrerem menos de calvície.
 

Idade

No homem, a calvície pode aparecer em qualquer a partir da puberdade, mas 90% dos que possuem o gene da doença apresentam sintomas a partir dos 40 anos. O motivo da predominância nessa faixa etária é desconhecido.
 

A alopecia feminina manifesta-se de forma mais pontual. Os primeiros sinais podem surgir na adolescência em decorrência de algum desequilíbrio hormonal. É o caso de mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP), condição em que os níveis de testosterona ficam aumentados no organismo feminino - por isso é que pacientes com SOP também apresentam pele oleosa e aumento de pelos corporais, que têm a ver com níveis aumentados do hormônio masculino.
 

Perto da menopausa, quando a produção dos hormônios femininos cai e a testosterona atua com mais intensidade, é quando a maioria das mulheres geneticamente predispostas começa a manifestar a perda dos fios.
 

Velocidade da queda

O cabelo tem um ciclo de crescimento, estabilização e queda que dura de 10 a 18 meses. A velocidade de crescimento e a espessura dos fios depende da genética individual e da influência de fatores como raça, idade e tipo de alimentação.
 

O volume de perda varia de uma pessoa para outra e pode oscilar entre 50 e 200 por dia. Em condições normais (sem alopecia), quando acontece a queda de fios da cabeça, outros já estão nascendo no mesmo local. Com a doença, essa troca não chega a acontecer, ou seja, o mais importante para detectar se há algo fora do normal é observar a relação entre perda e ganho de cabelo.
 

Locais de perda de fios

As entradas frontais e a parte alta atrás da cabeça (região occipital) são as áreas onde os homens mais perdem cabelo; nas mulheres, o cabelo vai ficando ralo principalmente no topo da cabeça, mas é comum uma perda difusa, que deixa todo o couro cabeludo mais aparente.
 

No couro cabeludo, duas enzimas são responsáveis por metabolizar o hormônio masculino, a testosterona. Uma delas é a 5 alfa redutase, que atua principalmente na região occipital e nas entradas, nos homens, e na coroa, nas mulheres. Por essa razão, os fios nestes locais estão mais sujeitos ao processo de involução e morte.
 

A outra é a aromatase, que converte a testosterona em estradiol, um hormônio feminino. Essa enzima está mais presente na parte de trás do couro cabeludo. Em resumo, tudo vai depender da concentração e da captação pelo bulbo capilar dos receptores de DHT em cada sub-região, que são definidas geneticamente.
 

Tratamentos

O diagnóstico precoce é fundamental para começar logo o tratamento adequado e evitar (ou, pelo menos, retardar) ficar careca. O mais comum é tomar medicações tópicas e remédios que bloqueiam a ação do derivado da testosterona, o DHT. Existem, ainda, diversos procedimentos, como o laser e o microagulhamento, que podem ser associados para conseguir melhores resultados.
 

Nos homens, a alopecia pode ser tratada com uma medicação que consiste em inibir a enzima 5 alfa redutase. Esse medicamento reduz os níveis do DHT, promove uma menor ligação aos seus receptores, e como consequência, interrompe a evolução da calvície. Em alguns casos, há a reversão parcial do quadro. Essa droga é contraindicada para mulheres.
 

A calvície feminina pode ser tratada com substâncias usadas localmente no couro cabeludo - a progesterona tópica, por exemplo, tem uma resposta clínica positiva.
 

Duvide de receitas caseiras e jamais faça uso de automedicação para recuperar o cabelo perdido. Converse com um dermatologista, de preferência especialista em cabelo, para chegar ao melhor tratamento para o seu caso.


Fontes: Luciano Barsanti, médico, tricologista e diretor do Instituto do Cabelo, em São Paulo; Letícia Contin, dermatologista do Hospital Albert Einstein; e Rubem Miranda, dermatologista especialista em restauração capilar.

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