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Alzheimer: entenda 6 mitos associados à doença

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Será que o esquecimento é mesmo um sinal apenas do envelhecimento? Especialistas explicam Imagem: Getty Images

Marcelle Souza

Colaboração para o UOL VivaBem

29/09/2018 04h00

No Brasil, cerca de 1,2 milhão de pessoas vivem com Alzheimer, uma doença neurodegenerativa, mais conhecida por afetar a memória e que não tem cura. As causas específicas ainda são desconhecidas, mas os cientistas já sabem que sua ocorrência está associada a sedentarismo, dietas não balanceadas, tabagismo, diabetes, depressão e baixo desenvolvimento cognitivo, entre outros fatores.

O maior desafio hoje, afirmam os médicos, é que os pacientes são levados ao consultório quando a doença já está avançada e as opções de tratamento diminuem

A seguir, o UOL Viva Bem lista seis mitos comuns associados à doença e que podem servir de alerta para quem deseja prevenir ou tem algum ente próximo com o diagnóstico ou suspeita de Alzheimer. A lista abaixo leva em conta as entrevistas realizadas nesta quinta-feira (27) durante o simpósio "Nutrogeriatria: nutrologia e doença de Alzheimer", no 22º Congresso Brasileiro de Nutrologia, em São Paulo. 

1. Perda de memória é o primeiro sintoma do Alzheimer

MITO Segundo especialistas, alguns comportamentos podem aparecer bem antes das falhas de memória, como ansiedade, depressão, sentimento de pânico, apatia, distúrbios de sono e incapacidade de resolver problemas que antes o indivíduo resolvia com facilidade.

?Se você pegar pacientes com doenças de Alzheimer cujo início clínico foi a perda de memória episódica e o registro de novas informações, você começa a investigar e a família acaba dizendo que, de fato, ele estava meio desinteressado, meio distante das coisas, perdeu o interesse em jogar baralho, em ver um filme, coisas que gostava de fazer antes?, diz o médico psiquiatra Florindo Stella, professor do Instituto de Biociências da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e professor visitante do Instituto de Psiquiatria da USP (Universidade de São Paulo).

2. Suplementos são tão eficazes quanto alimentos in natura na prevenção de Alzheimer

MITO A ciência já mostrou que uma alimentação equilibrada pode ser uma forte aliada na prevenção de doenças neurodegenerativas, entre elas o Alzheimer. E uma das dietas mais indicadas para este fim é a MIND, que prioriza o consumo diário de vegetais, nozes, feijões, peixes, aves, grãos integrais, azeite e bem pouco de vinho tinto e restringe carnes vermelhas, manteiga, margarina.

A médica geriatra Cybelle Maria Diniz Azeredo Costa, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), no entanto, diz que o resultado não é o mesmo se você substituir um prato fresco e colorido por um monte de suplementos.

?Não adianta tomar um comprimido de vitamina e achar que vai resolver os seus problemas, porque, nos alimentos, essas substâncias são muito melhor captadas pelo organismo e pelo cérebro?, diz. ?Quando a gente olha os estudos epidemiológicos, percebe que suplementar uma única vitamina acaba não sendo tão eficiente quanto manter um padrão alimentar e de vida adequados?, explica.

3. Se algum parente próximo teve Alzheimer, significa que você também terá

MITO Não é possível afirmar que, se alguém na minha família tem ou teve Alzheimer, eu também terei. Isso porque as pesquisas ainda não conseguiram comprovar a hereditariedade da doença.

?A doença de Alzheimer pode ser genética, porque existem vários genes associados à doença, mas isso não significa que ela veio porque o pai ou a mãe também tinham?, diz o médico geriatra Paulo Renato Canineu, professor da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). 

Ele explica que as pessoas diagnosticadas com Alzheimer são divididas em dois grupos: as que possuem a versão chamada de esporádica, que acomete mais de 90% dos pacientes, que têm sintomas após os 65 anos e sem histórico familiar; e os de início precoce, que são casos raros da doença antes dos 65 anos. Nesses últimos, há um componente familiar, o diagnóstico é mais difícil, a doença avança mais rápido e o paciente costuma responder menos ao tratamento.

4. Doença de Alzheimer acomete só pessoas idosas

MITO Estima-se que menos de 10% dos casos de Alzheimer acometam pessoas com menos de 65 anos. ?É uma doença do envelhecimento, mas a gente tem casos antes dos 50 e até antes dos 40 anos?, diz Canineu.

No ano passado, a britânica Jayde Green, por exemplo, narrou à BBC como é viver com Alzheimer aos 27 anos. 

No artigo ?Doença de Alzheimer esporádica de início precoce?, publicado na Revista de Psiquiatria Clínica, os médicos Annibal Truzzi e Jerson Laks relatam o caso de um homem que começou a sentir os primeiros sintomas da doença aos 30 anos, com perdas de memória recente.

Em seguida, relatam os pesquisadores da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), o paciente teve um episódio depressivo leve, com insônia, sensação de angústia, perda do interesse e prazer de relacionar com familiares, o que confundindo o diagnóstico.

Aos 40 anos, teve que parar de trabalhar por conta do avanço da doença. Seus pais, que eram vivos e saudáveis quando veio do diagnóstico de Alzheimer do filho, desconheciam antecedentes de doenças neurodegenerativas na família.

5. Quem tem doença de Alzheimer fica alheio ao que se passa ao seu redor

MITO Os especialistas dizem que esse ponto é importante porque muitos familiares não percebem que falar abertamente das limitações e dos problemas associados à doença pode acabar ferindo o paciente.

?No começo, o indivíduo percebe o mundo e as coisas que dizem respeito. Ele vai se tornando alheio a medida em que a doença evolui. Mas a gente tem que ter muito cuidado de não falar coisas indevidas na frente ou na presença da pessoa?, diz o geriatra.

?Quem tem doença de Alzheimer sofre emocionalmente também, inclusive com as perdas que tem. Antes a gente acreditava que isso era só na fase inicial, mas também tem muitos pacientes avançados que sorriem, têm expressões faciais, mesmo em condição de incapacidade de comunicação?, acrescenta o professor Stella.

6. Perder a memória é próprio do envelhecimento

MITO Os médicos dizem que não é bem assim. ?Nessa fase, existem alterações do processamento cognitivo e algumas nuances na performance da memória, mas não posso taxar categoricamente que o envelhecimento está associado à perda de memória. Não obrigatoriamente?, diz o professor Florindo Stella.

Por outro lado, ele destaca que nem todo distúrbio de memória significa que a pessoa tem a doença do Alzheimer. ?É importante que o diagnóstico seja muito criterioso, porque quando você diz que é Alzheimer acaba colando um estigma na testa do sujeito. Isso é muito ruim?, diz.

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