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"Óleo de coco é puro veneno", diz professora de Harvard. Devemos usar?

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Associações dizem que não há evidências confiáveis de que o óleo de coco seja saudável Imagem: iStock

Do VivaBem

22/08/2018 11h17

Figurinha carimbada nas receitas fit e em dietas de blogueiras, o óleo de coco faz parte da lista de alimentos milagrosos e promete emagrecer, melhorar a imunidade, trazer saciedade e até controlar o colesterol. Mas será que ele é tudo isso mesmo?

Uma palestra intitulada "Óleo de coco e outros erros nutricionais", publicada em julho no Youtube, se tornou um hit viral recentemente. Parece que os argumentos de Karin Michels, diretora do Instituto de Prevenção e Tumores da Faculdade de Epidemiologia da Universidade de Freiburg e professora da Faculdade de Saúde Pública de Harvard, foram de encontro ao que o mundo fitness diz por aí.

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Durante a palestra, Michels recomenda evitar o alimento, dizendo que "o óleo de coco é puro veneno" e "é um dos piores alimentos que se pode comer". De acordo com ela, o alimento é mais perigoso do que banha, porque contém quase exclusivamente ácidos graxos saturados, que podem entupir as artérias coronárias.

Óleo do mal?

A ideia de que o óleo de coco não é tão bom assim surgiu em junho de 2017, quando um estudo publicado pela American Heart Association (Associação Cardíaca Americana) sugeriu que o produto tem o mesmo efeito na saúde que gordura animal e manteiga. A substância, que contém ácidos como o mirístico e o ácido láurico, é composta de gordura saturada e por isso pode aumentar o colesterol “ruim”, segundo os pesquisadores.

O relatório mostra que 82% da gordura do óleo de coco é saturada. O percentual é maior do que o da manteiga (63%), da gordura bovina (50%) e da banha de porco (39%). A associação diz que não há evidências confiáveis de que o óleo de coco seja saudável.

E não é só a associação americana que alerta para as promessas do óleo. A ABRAN (Associação Brasileira de Nutrologia) divulgou em março de 2017 um posicionamento oficial desmistificando o uso do produto. De acordo com os especialistas, o óleo de coco aumenta o colesterol e há um número muito pequeno de estudos que mostrem seus efeitos no peso corporal em seres humanos.

A ABRAN completa seu posicionamento afirmando que não há estudos clínicos que comprovem a fama que o óleo de coco tem de ser antibacteriano, antifúngico e antiviral. Também não existem provas de que seu efeito ajude portadores de alterações cognitivas, como a Doença de Alzheimer.

Além disso, a Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), juntamente a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), também divulgaram que “não há qualquer evidência nem mecanismo fisiológico de que leve à perda de peso” e que se posicionam “frontalmente contra a utilização terapêutica do óleo com a finalidade de emagrecimento”.

As gorduras saturadas são realmente tão prejudiciais?

Encontrada em manteiga de cacau, leite e laticínios, ovos, azeite de dendê, carnes e no famigerado óleo de coco, a gordura saturada ainda é uma incógnita para os cientistas. Enquanto muitos acreditam que ela não é tão maligna assim, outros debatem que ela deve ser evitada a todo custo.

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Um estudo publicado no periódico American Journal of Clinical Nutrition, por exemplo, indicou que as pessoas que consomem rotineiramente produtos ricos em ácidos graxos saturados não correm maior risco de morrer ataque cardíaco, derrame ou outra doença do que aqueles que evitam tais produtos.

Outro estudo, usando dados de 135 mil pessoas em 18 países e publicado no The Lancet, descobriu que o alto consumo de gordura e pouco carboidrato estava associado a um risco 23% menor de morte.

A conclusão? Moderação é sempre a palavra-chave.

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